A ira que me move

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Este vídeo é dedicado ao meu amigo Wendell Moura, assassinado no dia 29 de dezembro de 2020 e sepultado na primeira manhã do primeiro dia de 2021. Começamos muito mal.

O tema do vídeo, “a ira que me move”, pode parecer estranho a princípio, mas o assassinato de Wendell explicará onde quero chegar. No último dia de 2020, quando soube do ocorrido, fui tomado por uma raiva intensa e movido por ela em busca de informações e soluções que garantissem um inquérito policial eficaz e célere. Sosseguei um pouco quando, durante o sepultamento, soube que o melhor amigo de Wendell é advogado e acompanhará o inquérito, não o deixando cair no esquecimento ou ser tomado pela negligência.

E assim sou eu no ativismo social LGBT+, uma pessoa movida por um desejo de justiça social, mas contaminada de ira por força das circunstâncias. Porém, minha ira é ética e racional, por mais paradoxal que isso pareça. Eu quero justiça nos limites da lei. Quero que os assassinos do meu amigo Wendell sejam identificados, julgados, condenados e cumpram as penas impostas pela lei. Só isso. Não me interessa justiça pelas próprias mãos ou tortura dos assassinos no sistema prisional. Aí já não seria ira; seria vingança.

Minha ira também não é seletiva. Não é voltada apenas para quem comete latrocínios, inclusive porque sei que essas pessoas também são vítimas de um sistema social que as violenta. Tenho raiva do atual Congresso que patrocinou a descontinuidade do auxílio emergencial – em plena pandemia que não chegou ao fim – o que aumentará as desigualdades e violências sociais. Tenho ódio da corrupção nos governos, dos crimes de colarinho branco, que seguem impunes. Tive profunda ira ao perceber que a sociedade de gado verde-amarelo nos empurrava ao abismo, fato consumado com a eleição de um doente.

A ira me adoeceu e continua a me adoecer, mas não posso cruzar os braços, entoar um mantra e supor que está tudo bem ao meu redor. Minha luta por justiça social continuará e eu tenho certeza que despertará minha ira milhares de vezes mais. Que assim seja, mas eu não vou desviar nem um milímetro do meu caminho.

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