Morte de Leonardo Moura segue cercada de mistérios e prima apela para as Mães pela Diversidade

Foto: reprodução. Fonte: portal Correio.

Foto: reprodução. Fonte: portal Correio.

Dois meses se passaram desde a morte do produtor de eventos Leonardo Moura, ocorrido no dia 11 de julho deste ano, em Salvador, mas as investigações seguem cercadas de incógnitas e lacunas. O fato que ensejou a morte de Leonardo ocorreu na madrugada do dia 10, quando ele foi encontrado desacordado na Praia da Paciência, na capital baiana, com escoriações e marcas no corpo que, para a família, são provas de agressão sofrida, inclusive com hipótese de homofobia.

Segundo notícia publicada no portal Correio, no último dia 2, o laudo necroscópico indica que Leonardo Moura teria sido morto “por instrumento contundente – que provocam lesões por pressão exercida, batendo ou chocando”, donde se pode concluir que ele teria sido vítima de agressão. Porém, a Polícia Civil descartou essa possibilidade nas primeiras investigações e concluiu que ele teria sofrido uma queda acidental.

Insatisfeita, a família de Leonardo Moura cumpre intensa peregrinação em busca de apoio de ativistas sociais e do poder público por uma perícia mais assertiva, que não enseje tantas dúvidas. Com esse propósito, a prima de Leonardo, Carol Moura, encaminhou uma carta em apelo para as Mães pela Diversidade na Bahia, no último dia 6. O coletivo, que reúne mães e pais de LGBT, além de contar com uma ampla rede de apoiadores, entende que uma investigação exaustiva é essencial para a elucidação deste e de qualquer outro crime.

O Ministério Público do Estado da Bahia vem acompanhando o inquérito policial, mas entende que as provas colhidas até o momento e os depoimentos das testemunhas ainda não fornecem elementos para se concluir, sem sombra de dúvidas, que houve espancamento, além de não ter sido ainda identificado um possível agressor. O caso agora está sendo acompanhado por equipe do MPE que atua em investigações de crimes contra a vida nos tribunais do júri e foi distribuído para o promotor de Justiça Davi Gallo que requereu diligências complementares, a exemplo de oitiva de outras testemunhas, novas perguntas ao perito, entre outras providências. O Inquérito foi devolvido à delegacia onde a investigação teve início, e o Ministério Público aguarda seu retorno com as novas informações solicitadas.

Confira abaixo a carta encaminhada por Caroline Moura, prima de Leonardo, ao coletivo Mães pela Diversidade, no último dia 6.

A família de Leonardo Santiago Moura continua consternada com seu desaparecimento precoce em data de 9 de julho do presente ano, bem como extremamente preocupada pelo fato de, até a presente data, não se ter uma resposta concreta sobre os espancamentos sofridos por este. As marcas são visíveis, bem como colaboradas pelo laudo de exame cadavérico que afirma conclusivamente a sua causa morte. Senão vejamos:

“Nada mais havendo a ser comentado, dá o perito por fim do presente exame, concluindo que Leonardo Santiago Moura faleceu em razão de anemia aguda devido a lesão renal direita e hematoma retroperitonial. Trombose cardíaca.”

Diz ainda o laudo: “Caso não seja possível precisar se a vítima morreu de queda ou espancamento, que se decline se as lesões anotadas na vítima são típicas de uma pessoa que foi vítima de espancamento ou de queda de 4,70m de altura. Resposta: lesões anotadas na vítima provocadas por instrumento contundente”.

A família, lendo o laudo cuidadosamente, observou que foram encontradas também outras lesões no corpo de Leonardo, ou seja: couro cabeludo com sufusão hemorrágica com 3cm, provocando o lobo temporal que é a estrutura responsável pelo lobo da memória. Daí se entende o motivo que Leonardo não lembrada de nada do que se passou.

Os lobos temporais estão localizados na zona acima das orelhas, tendo como principal função processar os estímulos auditivos. Quando nós familiares, por volta das 10h da manhã, chegamos ao HGE, encontramos Leonardo deitado no chão, com o corpo muito quente, dizendo que estava com muitas dores no quadril e no pé esquerdo, dizendo que não lembrava de nada do que aconteceu, o que bate com uma das lesões descritas no laudo cadavérico.

As lesões que Leonardo sofreu foram muitas de acordo com o que está escrito no laudo que foi fornecido pelo Instituto Médico Legal, teve fratura na clavícula direita, pulmões apresentando edema bilateral e outras tantas lesões.

Nós, familiares de Leonardo, clamamos a este respeitável movimento Mães pela Diversidade, que apoie o sofrimento dessa família que a dois meses espera uma resposta da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia, nesse caso representada pela Primeira Delegacia de Homicídios e esta fechou o inquérito dizendo que não houve espancamento.

Diante do exposto, rogamos que todos se unam com a dor da família, para que possamos nos sentir fortes e buscar a verdade real, sobre esse crime horrendo que só a união de todos poderá sensibilizar.

Sem mais, apresento os nossos protestos de elevada estima e consideração.

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