Cunha é prenúncio de período obscuro para LGBT, diz Kokay

Por Aline Baeza, da Agência PT de Notícias
Publicado no site da deputada federal Erika Kokay

Érika Kokay: “Vamos fazer uma guerrilha regimental para impedir a aprovação desta proposta fascista” (Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados)

(Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados)

A eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a Presidência da Câmara dos Deputados deixou pessimistas os deputados que defendem causas progressistas, em especial os que lutam pelos direitos LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). “É um anúncio de que vamos navegar períodos difíceis, de muito obscurantismo, e de uma lógica extremamente anti-democrática”, prevê a deputada federal Érika Kokay (PT-DF).

Antes de ser eleito, o peemedebista afirmou que, com ele no cargo, a base aliada ao governo teria dificuldades para votar temas como a criminalização da homofobia e a regulação da mídia. Integrante da bancada evangélica, Cunha também já se posicionou contrário à legalização da maconha e à alteração da legislação sobre o aborto.

“O presidente jamais poderia dizer o que ele vai colocar ou não em pauta. Nem que não colocará a criminalização da homofobia em discussão porque ele não tem poderes para isso”, disse Kokay.

“A presidência da Câmara não é um instrumento de defesa de interesses partidários ou de visões pessoais. Aqui representamos o conjunto dos interesses da sociedade, que devem ser respeitados”, completou.

Para a parlamentar, se o presidente mantiver essa postura, não é apenas a discussão no movimento LGBT que será prejudicada, mas a democracia. “Ele diz que vai respeitar a maioria, e ela deve ser respeitada, mas a democracia também pressupõe o respeito dos espaços da minoria”.

De acordo com a deputada, temas como a criminalização da homofobia e o casamento civil igualitário estão maduros para serem apreciados pelo Estado, já que são frutos de uma construção da própria sociedade. “Ele não pode negar a apreciação desses assuntos. E isso indica o nível de dificuldade que vamos ter  e uma tentativa de mergulhar o poder legislativo num retrocesso à própria construção da Constituição Brasileira”.

Samanda de Freitas, coordenadora de Promoção dos Direitos LGBT, da Secretaria de Direitos Humanos, lamenta a posição de Cunha. “Isso é muito ruim. Nós sabemos do poder do presidente da Casa e, como não apoia, poderá dificultar. Mas existe um Regimento Interno da Câmara e deverá ser respeitado. Caso contrário, vamos nos posicionar”, prometeu.

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) também criticou a eleição de Cunha. “Tempo ruim virá pra todos nós – progressistas, minorias e pobres em geral – se algum vento não dissipar as nuvens de chumbo!”, avaliou em seu perfil no Facebook.

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