Criticado por Bolsonaro, turismo LGBT cresceu 11% no Brasil e movimentou mais de 850 bilhões em 2018

Setor avançou mais no país do que o turismo geral em 2017.

Publicado pelo portal Gay1, em 27 de abril de 2019

Em 2018, cerca de três milhões de pessoas participaram da Parada LGBT de São Paulo, gerando uma receita de R$ 190 milhões. (Foto: Arquivo)

Embora o presidente Jair Bolsonaro tenha declarado, na quinta-feira, 25, que o Brasil “não pode ser um país do mundo gay, do turismo gay”, um estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) revela que o público LGBT é um dos segmentos de maior potencial de faturamento econômico para o setor do turismo no país. Segundo o levantamento, publicado no início do ano, o Brasil é o país da América Latina com maior potencial de crescimento de receitas com o turismo LGBT. Em 2017, o setor registrou alta de cerca de 11% no país, enquanto o turismo de modo geral subiu 3,5%.

Segundo a consultoria Out Now, o turismo LGBT movimenta anualmente US$ 218 bilhões (R$ 856,72 bilhões na cotação atual). Outro estudo, feito em 2015 pela associação Out Leadership, voltada para iniciativas ao público LGBT, indicou que o potencial financeiro do segmento LGBT era estimado em US$ 133 bilhões (R$ 418,9 bilhões na cotação da época). Ao fazer criticas a essa parcela do ramo turístico, durante um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, Bolsonaro completou seu argumento com a frase “temos famílias”. Bolsonaro afirmou ainda que os turistas seriam bem recebidos se buscassem outros objetivos. “Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade. Agora, (o Brasil) não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay”, declarou.

O estudo do Sebrae aponta que o turismo LGBT poderia movimentar o mercado de serviços, incluindo modelos de negócio específicos, como cruzeiros marítimos, paradas, festas temáticas e viagens de lua de mel. Desde 2013, quando foi aprovado o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, até o final de 2017, o Brasil já realizou 19.522 casamentos igualitários.

O Sebrae também destacou eventos que contribuem para gerar oportunidades de negócios voltados para o turismo LGBT no Brasil. A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, por exemplo, é considerada uma das maiores do mundo. Em 2018, cerca de três milhões de pessoas se reuniram para participar do evento, na Avenida Paulista, gerando uma receita de R$ 190 milhões. Outras festas nacionais também atraem turistas de diversas regiões, como a San Island Weekend, na Bahia, que reúne cerca de quatro mil pessoas; o Miss Brasil Gay, que acontece todos os anos em Minas Gerais; e o Hell & Heaven, maior festival brasileiro de música eletrônica voltado para o público LGBT.

“É importante que as empresas conheçam bem e estejam preparadas para atender e trabalhar com esse público. De forma geral, esse turista é considerado como mais exigente quando busca algum tipo de serviço e/ou produto”, ressalta o estudo.

Um dos conceitos difundidos pelo Sebrae é o de país “gay-friendly” – amigável a pessoas LGBT, em tradução livre. O termo é utilizado para fazer referência a locais, políticas e instituições que oferecem ambiente aberto, agradável, receptivo e confortável para o público LGBT. Em 2018, foi firmado um acordo entre o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) e a Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil para promover e apoiar a divulgação do Brasil, nacional e internacionalmente, como um destino “gay-friendly”.

“Essa iniciativa tem como objetivo conscientizar e sensibilizar aqueles que prestam serviços relacionados ao turismo a reconhecer o potencial desse público e, mais do que isso, a respeitar e evitar qualquer tipo de preconceito no atendimento a pessoas LGBT”, diz o Sebrae.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *