Pela primeira vez, mulher transexual é eleita para cargo público no Peru

Luisa faz carreira política em um dos países que menos avançou no tema nos direitos das pessoas lésbicas, gays, bi e transexuais

Vanessa Martina Silva
Publicado pelo portal Opera Mundi, em 10 de outubro de 2014

luisaurcia

Luisa foi a primeira no país a se assumir como trans
durante campanha eleitoral e ser eleita

A ativista Luisa Revilla se tornou a primeira mulher transgênero a ter um cargo público no Peru, após ser eleita regidora, espécie de vereadora, nas eleições municipais realizadas no último domingo (05/10). Ela foi eleita pela municipalidade de Trujillo, na região La Libertad.

“Eu vou promover a igualdade e direi não à discriminação”, disse Luisa. Entre as propostas de governo que defende está a construção de casas para pessoas portadoras do vírus HIV.

Luisa se converteu em uma esperança da comunidade LGBT para promover os direitos do país. A ONG Promsex, baseada na capital Lima, classificou o fato como “um passo histórico rumo à normalização e inclusão de pessoas transexuais no país”.

Para concorrer à eleição, ela teve que se registrar com o nome de batismo, portanto masculino. O Peru é um dos países onde menos se avançou nos direitos da comunidade LGBT na América do Sul. Direitos como união civil entre casais homossexuais e criminalização da homofobia não são garantidos. Além disso, a discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero conta com mecanismos institucionalizados que a toleram e respaldam, como reconhece o  informe de Direitos Humanos de pessoas LGBT no Peru de 2012.

De acordo com organizações de direitos humanos, cerca de 50 pessoas são assassinadas no Peru todos os anos por causa da orientação sexual e identidade de gênero. Além disso,somente em 2013, foram denunciados 39 casos de discriminação em serviços públicos e privados, de acordo com informações o informe de Direitos Humanos de pessoas LGBT no Peru em 2013-2014.

O Congresso peruano tem um forte lobby que impede o avanço dessa questão, encabeçado por congressistas do Partido Fujimorista, a direita conservadora do Partido Popular Cristão e partidos evangélicos, além de integrantes do chamado nacionalismo homofóbico.

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