23 de julho de 2024

Por Sâmylla Rocha
Publicado pelo portal Agência de Notícias da Aids, em 08/08/2023

A falta de informação pode, literalmente, ser fatal. Embora essa afirmação pareça dramática, ela é verdadeira, sobretudo quando diz respeito aos cuidados com a saúde. Afinal, quanto mais sabemos sobre uma doença, mais ferramentas temos para combatê-la.

No caso do HIV/aids, apesar de avanços em pesquisas, tratamento e acesso a informações, ainda há muito preconceito e estigma em torno do tema. Além disso, a falta de acesso à informação e o preconceito acabam gerando muitas dúvidas e consequentemente prejudicando os pacientes que necessitam de tratamento.

Com o objetivo de desmistificar o assunto e promover a prevenção e o autocuidado, o infectologista Álvaro Furtado, do Centro de Referência e Treinamento em IST/Aids de São Paulo, esclarece os principais mitos e verdades sobre a doença. Confira a seguir:

Todas as pessoas vivendo com HIV têm aids?

MITO. O HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, causador da aids. Sendo assim, nos primeiros anos da doença a pessoa convive com o vírus sem ter manifestações dela. Como o vírus ataca o sistema imunológico, principalmente as células CD4, as defesas ficam baixas e deixam o organismo vulnerável a diversas doenças. Desse modo, as pessoas que vivem com a aids têm o estágio mais avançado da doença, que ataca o sistema imunológico e é causada pelo HIV. Há muitas pessoas vivendo com HIV que nunca terão aids.

Beijo na boca transmite HIV?

MITO. Somente em secreções como sangue, esperma, secreção vaginal e leite materno, o vírus aparece em quantidade suficiente para causar a moléstia. Para haver a transmissão, o líquido contaminado de uma pessoa tem que penetrar no organismo de outra. Isto se dá através de relação sexual (heterossexual ou homossexual) desprotegida, ao se compartilhar seringas, em acidentes com agulhas e objetos cortantes infectados, na transfusão de sangue contaminado, na transmissão vertical da mãe infectada para o feto durante a gestação ou o trabalho de parto e durante a amamentação.

Mulheres com HIV não podem engravidar?

MITO. Com a evolução no tratamento do HIV, mulheres vivendo com o vírus podem engravidar e dar à luz a crianças sem o vírus. Chamada transmissão vertical, a infecção do bebê pela mãe pode ser evitada quando as gestantes aderem ao tratamento corretamente e ficam sem vírus detectáveis nos exames de sangue (carga viral indetectável).

O dr. Álvaro ressalta que o Brasil é signatário do compromisso global de eliminar a transmissão vertical do HIV. “Essa é uma das prioridades das entidades de saúde do país e a estratégia adotada pelo Ministério da Saúde tem reduzido consideravelmente o número de casos de crianças infectadas ao longo dos anos, principalmente com o diagnóstico materno durante o pré-natal.” A cidade de São Paulo, por exemplo, foi a primeira metrópole da América Latina a conseguir a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV, em 2019. O município manteve o feito de seu programa de prevenção, atendendo em 2021 a uma série de critérios estabelecidos pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O uso da camisinha durante a relação sexual previne o HIV?

VERDADE. A camisinha externa ou interna ainda é o método mais eficiente de proteção contra o HIV e também previne outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), como a sífilis, a gonorreia e também alguns tipos de hepatites. Além disso, ele evita uma gravidez não planejada. Os preservativos são distribuídos gratuitamente em qualquer serviço público de saúde. Caso você não saiba onde retirá-los, ligue para o Disque Saúde (136).

Pessoas vivendo com HIV, em tratamento, têm expectativa de vida reduzida?

MITO. Indivíduos vivendo com HIV que aderem ao tratamento, vivem tanto quanto pessoas que não possuem o vírus no corpo. Quanto mais cedo é detectada a presença de HIV no organismo e quanto antes é iniciado o tratamento, maiores são as chances de o indivíduo viver normalmente.

O exame do HIV pode dar falso negativo?

VERDADE. O HIV possui uma janela imunológica que, na maioria das vezes, dura 30 dias, o que quer dizer que, neste período, mesmo que a pessoa tenha sido infectada, existe a possibilidade de o resultado do seu teste dar um “falso negativo”.

No Brasil, é possível fazer uma prevenção medicamentosa para evitar a infecção pelo HIV?

VERDADE.  A Profilaxia Pré-Exposição, mais conhecida pela sigla PrEP, é um dos métodos de prevenção à infecção pelo HIV que vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Um comprimido por dia, acessível no Sistema Único de Saúde (SUS), é capaz de preparar o organismo para enfrentar um possível contato com o vírus e impedir que ele infecte o corpo. “A PrEP é indicada para pessoas que têm um risco aumentado de infeção por HIV, como pessoas que não conseguem usar o preservativo, quem sempre tem quadros de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) ou quando você está vivendo um relacionamento sorodiferente, que é aquele que uma pessoa tem HIV e a outra não”, explica o infectologista.

Pessoas vivendo com HIV, em tratamento, e com carga viral indetectável transmitem o HIV?

MITO. Se ela estiver tomando remédio e estiver indetectável é zero o risco de transmissão, mesmo em uma relação que você transe com ela sem camisinha. Indetectável é igual a intransmissível.

Sâmylla Rocha
samylla@agenciaaids.com.br

Dica de entrevista
Dr. Álvaro Furtado
Instagram: dr.alvarocosta

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