‘Celebraria outro casamento gay’, diz bispo católico de AL após suspensão

Dom Fernando Pugliesi realizou o casamento homoafetivo na última sexta.
Igreja Católica Brasileira comunicou suspensão da ordem em nota oficial.

Michelle Farias
Publicado pelo portal G1, em 27/01/2015

Bispo celebra casamento homoafetivo em Maceió (Foto: Micaelle Morais / G1)

Bispo celebra casamento homoafetivo em Maceió
(Foto: Micaelle Morais / G1)

“Eu não sabia que não poderia abençoar uma união homoafetiva. Abençoei os noivos na semana passada e celebraria outro casamento gay sem nenhum problema”, diz o bispo católico, Dom Fernando Pugliesi, que realizou o primeiro casamento homoafetivo de Alagoas. Após conceder a bênção, na última sexta-feira (23), o bispo foi suspenso da ordem, segundo comunicado no site oficial da instituição, que é dissidente da Igreja Católia Apostólica Romana.

De acordo com o bispo, ele estava um pouco afastado da ordem por problemas de saúde e foi procurado pelo casal para realizar a cerimônia. “Eles me procuraram e ouvi a história deles. São pessoas humildes e eu senti a necessidade de abençoá-los. Se eu tiver bem de saúde e outro casal me procurar, eu celebro sim a união”, afirma.

Sobre a suspensão da ordem, Dom Fernando diz que presta serviços à Igreja Católica Apostólica Brasileira há mais de 40 anos e acredita que não deveria ser suspenso. “Acho uma loucura me punirem porque abençoei a união deles. Até agora não recebi nenhuma notificação da Igreja sobre o caso, quando chegar decido o que vou fazer. Tenho 82 anos e muito tempo de serviço prestado. Estou muito tranquilo sobre esse assunto”, reforça.

Com a suspensão, Pugliese não poderá realizar nenhum sacramento em nome da Igreja Católica Brasileira, como rezar missas e realizar cerimônias. De acordo com o Bispo Diocesano Dom Walbert Rommel Coêlho Galvão Barros, ele deve apresentar defesa para o Superior Tribunal Eclesiástico da Igreja em até 30 dias. Ainda segundo ele, caso Pugliese não apresente a defesa, corre o risco de ser excomungado.

Otávio Oliveira, que teve o casamento realizado por Dom Fernando na semana passada, disse à reportagem do G1 que como o bispo não foi comunicado formalmente da suspensão, não quer se manifestar sobre o assunto.

Em nota, a Igreja informou que “não é contrária às conquistas na sociedade pela igualdade e isonomia entre as pessoas”, porém considera o comportamento sexual humano sacramental por natureza, podendo somente ser celebrado religiosamente casamento entre homem e mulher.

A Igreja ainda informou que Pugliese não teve liberação da instituição, nem dos demais bispos conciliares, sendo a aprovação da cerimônia totalmente desconhecida pelo Conselho Episcopal e por todo o Concílio dos Bispos.

“Tal atitude é um ato espontâneo, irreverente e rebelde do bispo, que segundo suas opiniões pessoais faz uso irresponsável do dom que lhe foi concedido, de forma abrupta o distribui, de forma autoritária e rebelde”, diz a nota.

Confira a nota na íntegra:

A presidência da Igreja Católica Apostólica Brasileira – ICAB – através de seu presidente, Dom Josivaldo Pereira de Oliveira, pronuncia-se sobre a matéria veiculada no site do O Globo, g1.globo.com, a respeito de um “casamento gay” que será celebrado por um bispo da Igreja Católica Apostólica Brasileira, Dom Fernando Pugliese, auxiliar na Diocese de Maceió – Alagoas.

A Igreja Católica Apostólica Brasileira não é contrária às conquistas na sociedade pela igualdade e isonomia entre as pessoas. Neste sentido, rechaçamos qualquer forma de violência verbal ou física por causa das opções e orientações que um cidadão faça em termos político, religioso, ideológico e sexual.

Todavia, a Igreja Católica Apostólica Brasileira considera o comportamento sexual humano sacramental por natureza.

A Igreja Católica Apostólica Brasileira, neste diapasão, prioriza o entendimento Bíblico e a Tradição Cristã. Sacramentalmente, para a Igreja Católica Apostólica Brasileira, segundo seu Código Eclesiástico, matrimonio como Graça de Deus, somente pode ser celebrado entre Homem e Mulher.

A notícia evidencia que o citado Bispo, dom Fernando Pugliese, tem a aprovação da Igreja e dos demais bispos conciliares, situação totalmente desconhecida pelo Conselho Episcopal e, obviamente, por todo o Concílio dos Bispos.

Tal atitude é um ato espontâneo, irreverente e rebelde do bispo, que segundo suas opiniões pessoais faz uso irresponsável do dom que lhe foi concedido, de forma abrupta o distribui, de forma autoritária e rebelde.

Dom Fernando Pugliese não tem nenhuma aprovação de nenhuma instância da Igreja Católica Apostólica Brasileira , nem mesmo tem amparo legal e de documentos que o outorgue direitos para levar a cabo esta cerimônia.

A Igreja Católica Apostólica Brasileira, representada por todos seus bispos, padres e fiéis lamentam o fato e a atitude do irmão, os mesmos repudiam essa decisão do Bispo e desaprovam tal atitude que fará com que Dom Fernando Pugliese seja sancionado pelo Tribunal Eclesiastico da Igreja por tão grande incompatibilidade com a comunhão e o colegiado dos Bispos.

O Bispo Diocesano de Maceió, Dom Rommel, também REPROVA oficialmente a realização de tal ato e jamais foi consultado sobre o acontecimento do mesmo. Lamenta o incidente em que envolve pessoas de bem, mas afirma que sua posição está em desacordo com Dom Fernando Pugliese e que a Diocese de Maceió interpreta essa ação do Bispo Auxiliar como um ato de desobediência à Igreja Particular da ICAB em Alagoas e contra a hegemonia do Concilio dos Bispos.

Assim entendemos a situação e oficialmente expressamos nosso parecer sobre esta notícia veiculada pelo site g1.globo.com.

Assessoria de Imprensa da Igreja Católica Apostólica Brasileira
Governo Central

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