18 de maio de 2024

Exames apresentam resultados dentro de 40 minutos e são feitos a partir de uma pequena amostra de sangue

Publicado pela Agência de Notícias da Aids, em 20/08/2023, com informações do portal R7

As ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) afetam milhares de brasileiros todos os anos. De acordo com dados do Ministério da Saúde, estima-se que, até junho de 2022, 15.412 indivíduos fossem pessoas vivendo com HIV/Aids e 79.587 de sífilis, além de 716.946 infectados com hepatites virais até dezembro de 2021.

Para uma adequada qualidade de vida e interrupção da transmissão das doenças, a pasta preconiza o tratamento das condições. No entanto, é importante que antes haja o diagnóstico correto para o encaminhamento preciso.

Atualmente, o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece testes rápidos gratuitos para HIV, sífilis, e para as hepatites B e C. “Os testes são destinados a quaisquer pessoas, em especial às com vida sexual ativa e populações com maior vulnerabilidade para complicações para essas doenças”, afirma, em entrevista ao R7, o diretor do Departamento de HIV/AIDS, Tuberculose, Hepatites Virais e ISTs do Ministério da Saúde, Dráurio Barreira.

Segundo a SES-SP (Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo), os testes são feitos a partir da coleta de uma pequena gota de sangue da ponta dos dedos ou de uma punção. A depender do fabricante, podem ser realizados, também, com soro ou plasma, completa Barreira.

O clínico geral Vital Fernandes conta que, uma vez coletado, o sangue é aplicado em uma área específica do dispositivo de teste, que leva um tampão, que ajudará a amostra a se mover ao longo da área do exame. Os resultados demoram de 30 a 40 minutos para aparecer.

“Assim como nos testes rápidos de Covid-19, os testes rápidos de ISTs geralmente têm uma linha de controle que sempre aparece se o teste for realizado corretamente. Se uma segunda linha aparecer durante o tempo de espera, isso geralmente indica um resultado positivo. É importante que esses testes sejam realizados por um profissional treinado para garantir que sejam feitos corretamente e que os resultados sejam interpretados corretamente.”

Diagnóstico

O diretor do departamento de ISTs do ministério explica que, embora os testes auxiliem, em alguns casos é importante que sejam feitos exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico.

A pasta preconiza que, para o diagnóstico da infecção pelo HIV, poderão ser utilizados dois testes rápidos sequenciais que deverão apresentar resultado positivo.

A partir disso, os pacientes deverão realizar exames de contagem de linfócitos T CD4+ e quantificação da carga viral do HIV — que servirá para descartar a ocorrência de duplo falso-positivo nos testes rápidos utilizados, que é rara, e consiste no primeiro exame de monitoramento da pessoa vivendo com HIV.

Para as hepatites B e C, com os resultados positivos nos testes rápidos de HBsAg ou Anti-HCV, respectivamente, o paciente deve realizar um exame molecular ou sorológico (no caso de hepatite B), afim de confirmar o diagnóstico.

Já para a sífilis, com o resultado positivo no teste rápido, é necessário fazer um exame de sangue não treponêmico complementar, confirmando o quadro.

Onde fazer?

A testagem rápida para as ISTs é oferecida em todo o Brasil e podem ser encontrados nas UBS (Unidades Básicas de Saúde), serviços de assistência especializada, centros de testagem e aconselhamento.

A recomendação do Ministério da Saúde é que os testes rápidos sejam realizados em visitas de rotina aos serviços de atenção básica, não necessitando de agendamento, bem como em ações promovidas por equipes de saúde.

Em São Paulo, a SES-SP disponibiliza a relação de serviços de testagem gratuita pelo site ou pelo serviço Disque DST/Aids: 08000-162-550.

Apesar da evolução nas formas de tratamento e prevenção, a Aids (síndrome da imunodeficiência adquirida) continua a ser uma preocupação da população mundial e de saúde pública. Segundo dados do Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas), 14 mil pessoas morreram no Brasil em decorrência do vírus HIV, em 2016. A organização ainda estima que 830 mil pessoas vivem com a doença no País, sendo que o Brasil é o que mais concentra novos casos de infecções na América Latina (49%).

Mesmo sendo mundialmente conhecida, a Aids ainda causa muitas dúvidas. Por isso, a professora do Departamento de Saúde Coletiva da FCMSCSP (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo), Maria Amélia de Sousa Mascena Veras esclarece mitos e verdades sobre a síndrome. Veja a seguir:

Mulheres soropositivas podem engravidar sem que o vírus HIV seja transmitido. VERDADE.

Se já estiverem em tratamento ou o iniciarem o quanto antes, o risco de transmissão para o bebê é quase zero.

O vírus HIV pode ser transmitido por beijo, abraço ou aperto de mão. MITO. 

O HIV é transmissível apenas por contato sexual ou pelo sangue

É possível contrair o vírus HIV no sexo oral. VERDADE. 

A especialista explica que apesar de ter menos riscos se comparada ao sexo anal e vaginal, a pessoa também pode contrair a doença no sexo oral.   As chances aumentam se houver alguma ferida aberta ou ejaculação na boca

Todo portador de HIV tem Aids. NÃO NECESSARIAMENTE.  

A professora ressalta que HIV é o vírus, que pode ou não se manifestar em sua síndrome (Aids).

No Brasil, é possível fazer prevenção medicamentosa para evitar a contaminação do HIV. VERDADE.

Maria explica que no País já existe a PEP (profilaxia pós-exposição), um conjunto de medicamentos anti-HIV, que pode ser tomado até 72 horas após a situação de risco, durante 28 dias, para diminuir as chances de uma infecção pelo HIV.  Porém, é possível fazer prevenção medicamentosa para evitar a contaminação deste vírus desde 1º de dezembro de 2017, quando foi implementada a PrEP (profilaxia pré-exposição) no SUS  (Sistema Único de Saúde). Entretanto, a professora ressalta que a PrEP não protege contra nenhuma outra doença sexualmente transmissível, como sífilis, hepatites ou gonorreia.

O diagnóstico é feito somente por exame de sangue. MITO. 

Além do teste pelo sangue, já existe o teste de fluido oral, que é capaz de detectar a presença de anticorpos para o HIV na saliva.

Se o exame der negativo, posso respirar aliviado (a). MITO.

Apesar de ter uma chance muito grande de que a pessoa não esteja infectada, se ela tiver sido exposta ao HIV durante a chamada de janela imunológica – período que o organismo necessita para desenvolver anticorpos detectáveis nos exames –, pode haver infecção com resultado negativo, afirma Maria.  Vale lembrar que, para os testes disponíveis no sistema público de saúde, considera-se como janela imunológica o período de 30 dias após situação de risco. Caso a pessoa acredite ter se exposto durante esse período, recomenda-se repetir o teste 30 dias depois.

É possível contrair vírus HIV em estúdios de tatuagem, manicures e consultórios de dentista. VERDADE.

A professora alerta que é possível contrair inclusive outras infecções graves como hepatites. Por isso, é necessário que todos os aparelhos utilizados sejam descartáveis ou devidamente esterilizados antes de serem utilizados novamente.

Portadores de HIV, mesmo fazendo tratamento correto, morrem mais cedo do que pessoas que não estão infectadas. TALVEZ.

Maria explica que portadores de HIV têm um risco maior de desenvolver problemas de saúde como infecções oportunistas (tuberculose, toxoplasmose etc.) e alguns tipos de câncer.  No entanto, pessoas que iniciam o tratamento cedo e o fazem da maneira correta, diminuem significativamente esses riscos. Atualmente, há muitas pessoas vivendo com HIV com a mesma expectativa de vida de pessoas não-infectadas.

É preciso haver penetração para a transmissão do HIV. MITO. 

O HIV tem diversas formas de transmissão, inclusive pelo sangue, explica a professora.  O sexo com penetração é um dos que oferecem maior risco, especialmente se houver ejaculação ou feridas abertas em qualquer um dos órgãos envolvidos (pênis, ânus ou vagina).

Os novos coquetéis de drogas fizeram da Aids uma doença crônica como a hipertensão. DE CERTA FORMA, SIM. 

Entretanto, é preciso lembrar que interromper o tratamento vai fazer com que o vírus volte a se multiplicar, além de favorecer sua mutação em formas mais resistentes aos medicamentos disponíveis.

Toda camisinha é 100% confiável. MITO. 

Nenhum método de prevenção é 100% eficaz, mas o preservativo tem um grau de proteção muito alto, próximo a 100%, se utilizado da maneira correta, explica a especialista. Recomenda-se, especialmente no sexo anal, que ela seja utilizada junto a um gel lubrificante à base de água, uma vez que o ânus não possui lubrificação natural e a camisinha pode se romper com o atrito.

Quem tem uma relação estável pode dispensar o preservativo. DEPENDE. 

Segundo a professora, esta é uma decisão precisa partir de cada casal. Se ambos forem soronegativos e mantiverem uma relação estritamente monogâmica [sem outros parceiros], não há qualquer chance de infecção pelo HIV. Se um ou ambos os parceiros possuírem o HIV, recomenda-se o uso da camisinha para evitar a infecção do parceiro HIV negativo ou a reinfecção no caso de uma pessoa HIV positivo.

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