24 de junho de 2024

Universidade conta com obras de autores(as) negros(as), indígenas e Lgbtqiap+

Por Pedro Aguerre
Publicado pelo Jornal da PUC-SP, em 10/01/2024

Em 2021 e 2022, foram lançadas as coleções temáticas negra e indígena na Universidade. O projeto das bibliotecas temáticas surge a partir de reivindicações dos estudantes e de reflexões realizadas no Grupo de Trabalho da Inclusão Social da PUC-SP, organizado pela Pró-Reitoria de Cultura e Relações Comunitárias, em parceria com a Biblioteca Central da PUC. Desde 2018, a ProCRC promove a interlocução com coletivos de estudantes, docentes e funcionários para discutir e atuar em temas de inclusão social, racial, de gênero e orientação sexual, assim como das deficiências e da saúde mental. Uma das demandas abordadas no grupo foi, justamente, a falta de obras de autores(as) negros(as), indígenas e LGBTQIAP+ na Biblioteca da PUC-SP.

A composição da coleção negra teve início em 2020, com um acréscimo de cerca 70 títulos às obras de autores negros já disponíveis na Biblioteca da PUC-SP. Este primeiro e significativo acréscimo foi obtido por meio de valores residuais do fundo de campanha da chapa que concorreu e saiu vencedora à Reitoria 2020-2024, a “PUC-SP somos todos”.

O histórico mais detalhado do projeto se inicia em 2018, com uma série de reivindicações à Reitoria feitas pelo Coletivo de estudantes negros (as): Negrassô. De acordo com o professor Pedro Aguerre, assistente especializado da ProCRC, a marca desses acervos é seu caráter participativo, tendo a sua curadoria compartilhada com a comunidade acadêmica. “Os acervos contemplam obras de autoria negra, indígena e LGBTQIAP+ fundamentais na contemporaneidade e tem um caráter dinâmico, pois irão acolhendo novas obras, de acordo com as demandas dos projetos pedagógicos dos cursos e disciplinas”, afirma.

O docente ressalta ainda que, embora não ultrapasse algumas centenas de títulos, o acervo “organiza uma base epistemológica concreta, trazendo perspectivas críticas aos saberes tradicionais, os quais muitas vezes reproduzem valores de uma sociedade de forte fundo escravista e patriarcal, visibilizando autorias que, reagindo à sua invisibilização, marcam uma relevante renovação na produção científica e na literatura contemporâneas”. Levantamento feito pela Coordenação de Bibliotecas mostra que o acesso aos títulos da coleção negra teve evolução positiva, chegando, em 2022 e 2023 a 235 e 208, respectivamente.

O acervo indígena, composto por obras adquiridas pela PUC-SP e um conjunto de obras doadas pelo professor Benedito Prézia, ex-coordenador do Programa Pindorama, foi supervisionado pelo então assessor da ProCRC, professor Álvaro Gonzaga, da Faculdade de Direito. Lançado em 2022, o objetivo foi disponibilizar produções bibliográficas contemporâneas de temática e epistemologias indígenas, produzida preferencialmente por autorias indígenas, disponibilizando obras que possam contribuir nas disciplinas e nos programas dentro das áreas epistemológicas de atuação da Universidade.

Para a pró-reitora de Cultura e Relações Comunitárias, professora Mônica de Melo, “temos que lembrar da importância de se constituir um processo, no Brasil e na América Latina, de decolonialidade, no qual a universidade nos leve a repensar a produção científica, que é eurocentrada e requer de nós ações para dar visibilidade a autores e autoras indígenas”. Mais recente, esse acervo já vem sendo mais conhecido e utilizado pela comunidade acadêmica.

Por fim, em 2023 foi dado mais um passo, com a organização, pela comunidade LGBTQIAP+ da PUC-SP, de um terceiro acervo, favorecendo a circulação de saberes e conhecimentos relevantes não só para as agendas de produção científica, mas também como política de visibilidade, trazendo autorias de pessoas LGBTQIAP+ e fortalecendo o combate aos preconceitos e discriminações relacionados às questões de gênero e orientação sexual.

Para tanto, a docente Carla Cristina Garcia e a pesquisadora doutoranda Lucas Silva Dantas, que integra o Coletivo Trans da PUC-SP, e que atuam nessas agendas de pesquisa, foram convidadas para assumir a curadoria, em diálogo com coletivos e pesquisadores(as) da área. Assim, chegou-se a uma listagem de 64 títulos, que, após cotejo com o acervo geral, cotação e posterior aprovação pelo Consad, foram adquiridos pela Biblioteca Central e colocados à disposição da comunidade. Foi verificado, da mesma forma, que seus títulos já começaram a ser consultados e utilizados. Em breve, será programado evento de lançamento dessa terceira biblioteca temática, permitindo compartilhar com a comunidade acadêmica, reflexões sobre seu papel e importância.

Esses acervos se somam às inúmeras obras de referência nessas áreas e podem ser localizados no Portal Busca Integrada da Biblioteca. Para identificar e conhecer os acervos, basta escrever o nome da biblioteca no Portal (“biblioteca negra”, “biblioteca indígena”, “biblioteca LGBTQIAP+”) e acessar os títulos, permitindo fazer a reserva. O acervo das obras está disponível na Biblioteca do Campus Monte Alegre ou por Empréstimo entre bibliotecas, em todos os campi da universidade.

Segundo o coordenador de Bibliotecas, Pedro Maricato, a iniciativa de constituição dos acervos temáticos, pode ser compreendida como política de visibilidade e valorização da diversidade na universidade, de incorporação de outras perspectivas epistemológicas, assim como para apoiar iniciativas de combate à discriminação, disponibilizando títulos relevantes para a produção acadêmica contemporânea. Dessa forma, contribui para avançar cada vez mais na construção de uma sociedade e Universidade inclusiva, multicultural e igualitária.

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