14 de julho de 2024

A camisinha é muito efetiva para prevenir ISTs, mas não é a única estratégia de prevenção disponível. Conheça outras formas de se prevenir.

Mariana Varella
Publicado pelo porta Drauzio Varella, em 15/12/2023

No início da epidemia de HIV, no começo dos anos 1980, havia dois caminhos para evitar o vírus: a abstinência sexual e a camisinha. Como poucos pretendiam abrir mão de manter uma vida sexual ativa, a saída era martelar, na cabeça das pessoas, a necessidade de usar preservativo nas relações sexuais.

Vieram, então, as campanhas pedindo para que as pessoas usassem camisinha. Como a história nos mostraria, apesar de efetiva para evitar as chamadas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), quando usada corretamente, nem todas as pessoas utilizam a camisinha em todas as relações sexuais.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) mostram que ao menos 60% dos brasileiros com mais de 18 anos não usaram camisinha em nenhuma relação sexual que mantiveram em 2019. De acordo com estudos, os motivos para isso são vários: falta de hábito, esquecimento, a falsa ideia de invulnerabilidade, gosto pessoal, entre outros. 

O que fazer, então? O primeiro passo é entender que a maioria das pessoas com vida sexual ativa não usa camisinha, e que elas precisam de outras opções. Dizer que a única estratégia de prevenção é o preservativo, além de mentira, joga as pessoas com vida sexual ativa que não usam preservativo na vulnerabilidade. É essencial divulgar as outras estratégias disponíveis para prevenção de ISTs que devem ser utilizadas, preferencialmente, de forma combinada. Vamos às mais importantes?

PrEP e PEP

Para quem por algum motivo não usa camisinha sempre e de alguma forma está vulnerável ao HIV, uma das opções para se prevenir contra o vírus é a PrEP, a profilaxia pré-exposição. Segundo o Ministério da Saúde, a PrEP é a combinação de dois medicamentos que bloqueiam alguns “caminhos” que o HIV usa para infectar o organismo.

Existem duas modalidades de PrEP indicadas: a PrEP diária, que consiste em um comprimido que deve ser tomado todos os dias; e a PrEP sob demanda, que deve ser usada por pessoas com menos risco de exposição e que conseguem planejar a relação sexual. 

A PrEP sob demanda deve ser utilizada da seguinte forma: tome 2 comprimidos de 2 a 24 horas antes da relação sexual  + 1 comprimido 24 horas após a dose inicial de dois comprimidos + 1 comprimido 24 horas após a segunda dose. 

Outra forma de prevenção é a PEP, a profilaxia pós-exposição. Ela é uma medida de prevenção de urgência e deve ser iniciada o mais rápido possível – preferencialmente nas primeiras 2 horas após a exposição de risco e no máximo em até 72 horas depois da exposição. A profilaxia deve ser realizada por 28 dias e a pessoa tem que ser acompanhada pela equipe de saúde, inclusive após esse período, realizando os exames necessários.

Tanto a PrEP quanto a PEP estão disponíveis pelo SUS e são altamente eficazes contra o HIV se tomadas exatamente como  recomendado, mas elas não protegem contra outras ISTs, como sífilis e gonorreia.

Doxiciclina

Também chamada de doxiPEP, em alusão à PEP para o HIV, a estratégia tem sido recomendada apenas para homens que fazem sexo com homens e para mulheres transgênero que tenham tido uma infecção sexualmente transmissível provocada por bactéria no ano anterior ou que estejam sob risco alto de contrair uma IST.

A dosagem indicada é de 200 mg  de doxiciclina em dose única até 72 horas depois da relação sexual, incluindo sexo anal e oral, sem proteção. Quanto antes a pessoa tomar, melhor.

Os dados disponíveis, reunidos em diversos estudos, justificam a recomendação apenas para esses grupos; além de ainda não haver dados que reforcem a indicação para outros grupos, existe a preocupação quanto ao risco de resistência bacteriana.

Vacinas

É importante lembrar que, embora não exista vacina para o HIV,  existem imunizantes para algumas ISTs, como hepatite B e HPV. Não deixe de tomar todas as vacinas. A vacina para a hepatite B está disponível pelo SUS para todas as pessoas que ainda não foram imunizadas, independentemente da idade. Já para o HPV, o SUS disponibiliza a vacina para meninas e meninos de 9 a 14 anos e para pessoas imunocomprometidas. Na rede privada, a vacina pode ser administrada até os 45 anos de idade.

Testagem regular

Outra estratégia importante é a testagem regular. Todas as pessoas com vida sexual ativa devem se testar para o HIV e outras ISTs com frequência. Isso é necessário porque ao diagnosticar a infecção, a pessoa pode se tratar antes de ela progredir. Assim, a testagem é uma estratégia de prevenção porque se a pessoa diagnostica e trata uma IST, ela deixa de transmiti-la a parceiros e parceiras.

Tratamento

Por último, é importante diagnosticar e tratar as ISTs, interrompendo, assim, a cadeia de transmissão. Quanto mais precocemente isso ocorrer, melhor para o paciente, seus parceiros e parceiras e para toda a comunidade.

É muito importante deixar os preconceitos de lado para cuidar da prevenção de ISTs, incluindo o HIV. Todas as pessoas que fazem sexo podem contrair uma IST, portanto é preciso pensar na melhor estratégia de prevenção para você, levando em conta seu risco de exposição e sua capacidade de adesão às estratégias escolhidas.

Não adianta nada escolher uma estratégia que você não vai utilizar corretamente, certo? Então converse com seu médico e escolha a que melhor se adapte ao seu estilo de vida.

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