Pesquisa em educação mostra realidade alarmante enfrentada por estudantes LGBT

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(Foto: www.odysseynewsmagazine.net)

Os resultados da “Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional no Brasil: as experiências de estudantes LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais)” serão lançados na manhã desta quarta-feira (10), na Assembleia Legislativa do Paraná. O evento terá início às 8h30.

A pesquisa foi respondida via internet por 1.016 estudantes LGBT, com idade entre 13 e 21 anos, entre dezembro de 2015 e março de 2016, e diz respeito às suas experiências nos ambientes educacionais no ano de 2015.

O estudo foi realizado concomitantemente em outros cinco países da América Latina (Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Colômbia) e ainda será realizada no México, permitindo um retrato regional da situação de adolescentes e jovens LGBT no ambiente educacional. Esta mesma pesquisa vem sendo realizada nos Estados Unidos há 25 anos.

Os/as estudantes eram oriundos/as de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal, com exceção do estado do Tocantins. 47% das pessoas entrevistadas se identificaram como do gênero feminino. 71% declararam-se gay ou lésbica. Os/as demais se identificaram como bissexuais ou como tendo outra orientação sexual que não a heterossexual. A maioria frequentou o ensino médio em 2015.

A análise dos dados foi concluída recentemente e os principais resultados apontam que 60% se sentiam inseguros/as na escola no último ano por serem LGBT; 73% foram agredidos/as verbalmente; e 36% foram agredidos/as fisicamente.

Os/as estudantes tinham duas vezes mais probabilidade de ter faltado à escola no último mês se sofreram níveis mais elevados de agressão LGBTfóbica (59% comparados com 24% entre os/as que sofreram menos agressão).

Os/as estudantes LGBT que vivenciaram níveis mais elevados de agressão verbal (frequentemente ou quase sempre) tinham 1,5 vezes mais probabilidade de relatar níveis mais elevados de depressão (74% comparados com 44% que sofreram menos agressão).

36% dos/das respondentes acreditaram que foi “ineficaz” a resposta dos/das profissionais para impedir as agressões

39% afirmaram que nenhum membro da família falou com alguém da equipe de profissionais da escola quando o/a estudante sofreu agressão ou violência

Novidades

A pesquisa tem diferencial em relação a outras já realizadas sobre a situação de estudantes LGBT nas escolas brasileiras: os questionários não foram aplicados por entrevistadores/as junto a comunidades escolares inteiras. Foram respondidos voluntariamente por adolescentes e jovens que se autoidentificaram como LGBT. Assim, os dados não se tratam de atitudes ou de percepções de outrem quanto ao preconceito, discriminação e violência sofridos por estudantes LGBT. Tratam-se da vivência real dessas situações pelos/pelas próprios/próprias estudantes LGBT nas instituições educacionais brasileiras.

Além disso, 322 (31,7%) estudantes aceitaram o convite para deixar seus comentários adicionais no final do questionário. A utilização dessa pergunta aberta como um espaço de desabafo pelos/as adolescentes e jovens, principalmente em relação à sua sexualidade e o que vivenciam nas instituições educacionais em função dela, foi a parte mais reveladora e rica de toda a pesquisa. Vários/as respondentes relataram ter chorado ao refletir sobre as perguntas do questionário e a relevância delas para sua vida, muitos/as puseram “para fora” sua revolta com as situações de preconceito e discriminação vivenciadas na instituição educacional, enquanto alguns/algumas expressaram o desejo de suicídio por não aguentar mais.

Audiência Pública

Os resultados serão apresentados na audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná, com a colaboração da Comissão Permanente de Educação. Espera-se que a audiência promova um intercâmbio de experiências de enfrentamento da LGBTfobia nos ambientes educacionais, além de resultar em apontamentos práticos sobre como as instituições representadas na audiência podem contribuir para amenizar a situação alarmante retratada nos resultados da pesquisa. A data do lançamento dos resultados da pesquisa foi escolhida em função do Dia do Estudante (11/08) e do Dia Internacional da Juventude (12/08).

Parcerias

No Brasil a pesquisa foi encabeçada pela ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e pelo Grupo Dignidade, com o apoio da Universidade Federal do Paraná. Para conseguir abrangência nacional, um número grande de organizações também colaborou com a divulgação da pesquisa, incluindo sindicatos, associações de classe, órgãos governamentais e não governamentais e a União Nacional LGBT. Na América Latina, a realização da pesquisa nos seis países foi coordenada pela ONG Chilena Todo Mejora, enquanto a rede Gay, Lesbian & Straight Education Network (GLSEN), sediada nos Estados Unidos, proporcionou apoio técnico com a plataforma na qual a pesquisa foi veiculada na internet e com a análise dos dados.

Mais informações? Clique abaixo!

• Acesse o Relatório da pesquisa aqui.

• Informações adicionais sobre a pesquisa e a audiência pública podem ser obtidas pelo email dignidade@grupodignidade.org.br.

• Os casos de violência contra pessoas LGBT no ambiente escolar podem ser denunciados aqui.

 

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