23 de julho de 2024

As farmácias de todo o país poderão aplicar, a partir desta terça-feira (1º), testes rápidos para doenças como dengue, HIV, hepatite e sífilis. A medida foi autorizada pela Anvisa em maio. Os estabelecimentos têm 180 dias pra se adequar às regras, mas grandes redes já começaram a contratar profissionais e adaptar espaços.

Por Rayssa Cerdeira
Publicado pelo portal CBN, em 31/07/2023

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

As farmácias de todo o país poderão aplicar, a partir de 1º de agosto, testes rápidos para doenças como dengue, HIV, hepatite e sífilis. A medida foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, numa resolução aprovada em maio.

Até então, apenas testes de Covid-19 e glicemia eram permitidos. As farmácias podem escolher aderir ao serviço ou não e têm 180 dias para se adequar às regras, contratando profissionais e criando espaços específicos pra aplicação dos testes.

Grandes redes, no entanto, já se anteciparam e começaram a se preparar. É o caso da rede de farmácias São Paulo e Pacheco, que vai oferecer, entre outros, exames de colesterol, diabetes, glicemia e Beta-HCG, para gravidez.

O gerente executivo de novos negócios do grupo, Daniel Cavallete, disse que as unidades estão adequando as estruturas para receber o público e atender às exigências sanitárias:

“Nós temos aqui um trabalho de adequação dos espaços físicos das lojas. Nós temos treinado as nossas equipes, os nossos farmacêuticos e equipes de loja, sobre de que forma abordar, recepcionar e acolher este cliente, realizar os exames, emitir os laudos técnicos relativos ao resultado dos exames e orientar o paciente”.

A Anvisa não divulgou uma lista de exames permitidos, mas a Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) afirma que as farmácias podem realizar ao menos 40 testes de análises clínicas de etapa única, ou seja, que não precisam ser processados numa fase posterior. Exames de urina e fezes, por exemplo, não estão permitidos, assim como os de sangue que dependam de coleta na veia ou na artéria. Os preços dos exames nas farmácias estão sujeitos à livre concorrência.

O setor de farmácias tentava permissão para aplicar os testes desde 2017, mas a discussão ganhou força durante a pandemia, após a liberação pra exames de Covid-19. A Abrafarma afirma que foram realizados mais de 20 milhões de testes rápidos para o novo coronavírus.

A coordenadora farmacêutica da rede Venâncio, Renane Bernardes, afirma que implementação dos testes da Covid funcionou como uma espécie de “termômetro” sobre a capacidade de oferecer o serviço. A farmácia vai realizar mais de 40 tipos de testes.

“Com a pandemia, tivemos que fazer esta adequação totalmente atípica desta nossa realidade. Isto ajudou muito o nosso processo de planejamento para esta nova fase. Com este novo desafio, estamos buscando a excelência, o preço acessível para a população, cumprindo todas as exigências e qualificando ainda mais os farmacêuticos”, explicou.

O presidente do Conselho de Administração da Abramed, que representa os laboratórios privados do país, Wilson Shcolnik, afirma que a atualização da norma era necessária, mas que os exames realizados não podem servir para diagnóstico, somente para triagem:

“A atualização desta norma trouxe muitos benefícios e trouxe algumas inovações que permitem, aos laboratórios, usar Inteligência Artificial na liberação de laudos, e permite utilizar indicadores de desempenho. Quanto aos exames realizados fora dos laboratórios, estes que servem apenas de triagem, eles trarão algum benefício, desde que seja assegurada a realização das boas práticas laboratoriais, desde que os exames sejam feitos por profissionais capacitados”.

O resultado precisa ser interpretado por um profissional de saúde e associado a outros exames laboratoriais confirmatórios. Mas os testes que indiquem doenças de notificação compulsória, como Covid-19, gripe e dengue, devem ser comunicados ao Ministério da Saúde. A fiscalização da adequação à resolução da Anvisa ficará a cargo dos municípios.

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