Em 2013, 3.701 casamentos homoafetivos foram celebrados

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que mais de 7 mil brasileiros casaram-se com pessoas do mesmo sexo no ano passado

Julia Chaib
Publicado pelo Correio Braziliense, em 9 de dezembro de 2014

casamento1No ano em que cartórios foram obrigados a celebrar uniões homoafetivas, 3.701 casamentos entre pessoas do mesmo sexo foram celebradas no país. O número representa 0,35% do total de 1.052.477 casamentos celebrados durante o ano passado.  Das uniões homoafetivas celebradas em 2013, 52% (1.926) aconteceram entre mulheres e 48% (1.775) com homens. O balanço é o primeiro sobre a quantidade de uniões entre gays no Brasil feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado consta em pesquisa sobre registros civis divulgada nesta terça-feira (9/12).

O Sudeste é a região que concentra o maior índice de uniões homoafetivas: 65,1%. Em seguida, estão o Sul (14,2%), o Nordeste (13,4%), o Centro-Oeste (5,8%) e o Norte (1,5%). Em relação ao país, São Paulo é o campeão em número de registros, com 80% deles (1.945). Já o Distrito Federal é o décimo colocado entre as unidades da Federação e o que mais  celebrou casamentos homoafetivos no Centro-Oeste, com 38,6% do total, o equivalente a 83 registros. As três últimas unidades da Federação onde houve menos casamentos são Acre, Roraima e Tocantins, com um, dois e cinco registros cada.

Dos casamentos, 1.685 ocorreram em capitais do país, sendo 50,4% entre os cônjuges masculinos, e 49,6% entre femininos. Entre as cidades, São Paulo também se mantém como a campeã de registros. Palmas e Boa Vista foram as que menos celebraram casamentos, com dois cada, e Rio Branco (AC), que não celebrou nenhum.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo é previsto desde 2011 no país, depois de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, devido a dúvidas e falta de consenso que havia em tribunais e cartórios, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) obrigou, em maio do ano passado, a todos os cartórios do país a fazerem uniões estáveis e casamentos civis entre homossexuais e também darem a possibilidade de conversão de união em casamento civil.

Quando são casados, os cônjuges têm direito a receber herança em caso de morte de um deles da mesma forma que outros parentes e trocar sobrenomes. Na união estável, caso um dos dois morra, o outro pode receber herança de bens adquiridos juntos, entretanto, pode ter de entrar na Justiça para assegurar esse direito.

Segundo o IBGE, a Dinamraca foi o primeiro país a aprovar a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Hoje, a África do Sul, Argentina, Canadá, Espanha, França, Holanda, Islândia, México, Nova Zelândia, Noruega, Portugal, Suécia, Uruguai, além de alguns estados norte-americanos também celebram os casamentos. Segundo o Censo Demográfico de 2010, o Brasil, tinha mais de 60 mil casais homoafetivos auto declarados.

Taxa de casamentos se mantém estável

Em números absolutos, o total de 1.052.477 casamentos durante todo o ano passado representa um aumento de 1,2% (12 mil a mais ) em relação a 2012. A taxa, de 6,9 uniões por mil habitantes, no entanto, se mantém estável desde 2011. A quantidade de mulheres que se casam após os 30 anos cresceu de 28,6% em 2008 para 29%. Já as com 35 a 39 anos subiu de 17,2% para 20,4%.

A faixa com maior taxa de casamentos, a de 25 a 29 anos, teve singela redução de 30,7% para 29,2% de 2012 a 2013. Outro aspecto observado pela pesquisa é que o número de casamentos em que as mulheres são mais velhas que os homens segue crescendo. O índice passou de 21,2% para 24,1% de 2003 a 2013.

Confira o ranking das unidades da Federação que mais celebraram casamentos gays: 

1) São Paulo – 1.945

2) Rio de Janeiro – 211

3) Minas Gerais – 209

4) Santa Catarina – 207

5) Ceará – 184

6) Paraná – 168

7) Rio Grande do Sul – 150

8) Bahia – 99

9) Pernambuco – 88

10) Distrito Federal – 83

E as unidades da Federação que menos celebraram casamentos gays: 

1) Acre – 1

2) Roraima – 2

3) Sergipe – 5

4) Tocantins – 5

5) Amapá – 6

6) Amazonas – 7

7) Rondônia – 10

8) Maranhão – 16

9) Alagoas – 17

10) Piauí – 25

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