24 de junho de 2024

Lygia Cavalcante
Publicado pela Agência de Notícias da Aids, em 24/11/2023

Representantes de diferentes países  da América Latina estiveram reunidos em novembro último, no Rio de Janeiro, no simpósio “Integrando Ciência e Ação para acelerar a resposta ao HIV na América Latina”, de iniciativa do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, em parceria com a IAS. Um dos temas amplamente discutido no evento foi sobre a importância da ampliação do acesso à PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV) na luta pela eliminação da aids como problema de saúde pública nas Américas.   

Da Organização Mundial da Saúde, Mateo Prochazka Núñez abriu a palestra explicando sobre o desejo da OMS de atualizar a implementação de PrEP para provedores de saúde. “Queremos que a implantação aconteça de forma mundial, abrangendo todos os países e acolhendo toda a comunidade. Mas ainda há lacunas graves para que isso ocorra, não conseguimos bater a meta de 3 milhões de pessoas que usam PrEP em 2020, se quisermos alcançar a meta de 2025, que inclui 10 milhões de pessoas usando PrEP, temos que mudar a forma para acelerarmos a entrega da prevenção.” 

Ele explicou as recomendações e as mudanças feitas no uso da medicação para a prevenção. “A recomendação mudou, pois antes dizíamos que só uma população poderia usar e agora todos podem se beneficiar da profilaxia, independente da identidade de gênero, orientação sexual, inclusive profissionais do sexo, usuários de drogas e para aqueles que fazem tratamento hormonal para reafirmação de gênero”. 

A pesquisadora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, Emilia Jalil destacou que no Brasil há avanços na ampliação do acesso à PrEP. “Não só os médicos podem receitar o medicamento como os enfermeiros também podem fazer a ação. Foi uma mudança importante para aumentarmos o número de prescritores de PrEP, para além disso, incluímos também a possibilidade de serviços privados fazerem a prescrição de PrEP e o paciente retirar os medicamentos nos serviços públicos.”

Emilia pontuou que apesar dos avanços de distribuição no Brasil, ainda é muito fechado à população de classe média e com alta escolaridade, deixando de lado as populações mais carentes. “A população de usuários é predominantemente branca, com alta escolaridade e isso muda ao depender do serviço que faz esse atendimento, a gente tem visto que tem uma ação contínua para que a população preta e parda seja alcançada. Precisamos crescer muito para abranger toda a população.”

Aumento dos casos de HIV

A diretora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Valdilea Veloso, sinalizou que o número de casos de HIV aumentou na América Latina. “Temos um aumento diferente de outras regiões do mundo. No Continente Africano os casos estão baixando, mas na nossa região os casos cresceram 8% e isso se dá majoritariamente entre as populações mais vulneráveis de homens que fazem sexo com homens, travestis e mulheres trans.”

Na avaliação da especialista, é urgente pensar novas estratégias para ampliar o acesso da PrEP na população mais vulnerável. “Para que o PrEP chegue em lugares mais inacessíveis da população é preciso que os próprios ambientes de saúde não tenham descriminação. “Encontramos barreiras de preconceito e pessoas extremamente conservadoras dentro dos ambientes de saúde, também temos a problemática de que existe o acesso à PrEP em alguns municípios brasileiros e em outros não, favorecendo uma parcela da população e desfavorecendo outras. Precisamos que os responsáveis pela área da saúde atuem sem conservadorismo ou opiniões que não abrangem o bem estar dessa parcela da população.”

A profilaxia 

A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) consiste no uso diário ou sob demanda de medicamentos antirretrovirais (ARV) para pessoas que não possuem o vírus do HIV. Ela deve ser tomada antes de uma exposição de risco. 

Segundo o Ministério da Saúde, a prioridade para a PrEP são as pessoas que vivem em situação de maior vulnerabilidade ao HIV, como gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), profissionais do sexo, homens e mulheres trans, travestis e casais sorodiferentes* (quando um tem HIV e o outro não).

O número de novos usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) cresceu 47% no Brasil. Os dados são do Painel PrEP do Ministério da Saúde e comparam os três primeiros meses de 2022 e 2023.

Quando usar a Profilaxia Pré-Exposição 

A profilaxia é indicada para qualquer pessoa em situação de vulnerabilidade para o HIV. Algumas situações que podem indicar o uso:

💊Frequentemente deixar de usar camisinha nas relações sexuais (anais ou vaginais);

💊Fazer uso repetido de PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV);

💊Apresentar histórico de episódios de Infecções Sexualmente Transmissíveis;

💊Contextos de relações sexuais em troca de dinheiro, objetos de valor, drogas, moradia, etc.

💊Chemsex: prática sexual sob a influência de drogas psicoativas (metanfetaminas, Gama-hidroxibutirato (GHB), MDMA, cocaína, poppers) com a finalidade de melhorar e facilitar as experiências sexuais.

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