Ativistas reagem com preocupação à chegada do engenheiro Ricardo Barros ao Ministério da Saúde

Publicado pela Agência Nacional de Notícias da AIDS, em 12 de maio de 2016

http://agenciaaids.com.br/home/noticias/noticia_detalhe/24840#.VzjzUlYrLcv

Ricardo José Magalhães Barros, ou simplesmente Ricardo Barros (do PP), foi escolhido pelo presidente em exercício Michel Temer como novo ministro da Saúde. Quem é ele? Foi essa a pergunta que a Agência de Notícias da Aids mais ouviu nesta quinta-feira (12) ao repercutir com os ativistas da luta contra aids a nomeação, efetivada à tarde, quando Temer deu posse ao seu ministério.

Bem, Ricardo Barros nasceu em Maringá (PR) em 1959 e se formou em engenharia civil pela Universidade Estadual da cidade.  Seu pai, Silvio Magalhães Barros, foi prefeito do município e, por isso,  ele  entrou na política cedo. Aos 29 anos, tornou-se o prefeito mais jovem da cidade.  Foi eleito deputado federal cinco vezes, foi secretário da Indústria e Comércio do Estado do Paraná e  relator do Orçamento de 2016 na Câmara, quando propôs  um corte de R$ 10 bilhões no Bolsa Família,  ponto não aprovado.

“Sinceramente? Eu não espero nada deste novo ministro. Fico muito preocupado porque ele não tem histórico na área da saúde. Acredito que um bom gestor desta pasta precise entender bastante de saúde pública e do SUS (Sistema Único de Saúde)”, disse Américo Nunes, presidente do Mopaids (Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids), assim que se informou sobre o ministro.

“ É uma liderança de uma região do Paraná inexpressiva, que vem sem conhecimento do SUS e poderá causar um grande estrago. Não espero nada de positivo do engenheiro que é ministro da saúde. Preocupante”, opinou  José Araújo Lima  Filho, presidente do Espaço de  Prevenção e Atenção Humanizada (Epah).

Preocupado também foi a palavra usada por Carlos Magno Fonseca, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais) para definir sua reação com a posse do ministro. “Além de não ser da área da saúde, não tem nenhum histórico na luta pela defesa do SUS. Seu currículo é na área econômica e sem relação social. O SUS não pode ser visto somente pelo olhar econômico, financeiro e orçamentário. O nosso sistema de saúde foi construído com participação, democracia,  diálogo com a sociedade e assim deve continuar”, disse Magno.

Na mesma linha, a da preocupação, segue Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum de Ongs/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp). “Fico preocupado. É uma pasta importante e com enormes desafios e ele, alguém que nunca teve atuação na área da saúde. Para mim, esta nova gestão começou mal, ainda mais que no perfil do novo ministro não tem apelos sociais. Pelo contrário, mostra investimentos dele contra esta área.”

Américo lembra que, apesar da preocupação, a torcida é para que Ricardo Barros sustente a pasta da Saúde. “E que seja melhor do que o ministro anterior [Marcelo Castro]. Na atual conjuntura política e financeira, a saúde como todo, não só a aids, está um caos.”

Henrique Ávila, coordenador nacional da Rede de Jovens e Adolescentes Vivendo com HIV/Aids, falou da necessidade do respeito à diversidade e do diálogo. “Vivemos num momento delicado, saímos de um governo de esquerda para uma nova conjuntura, um governo machista, conservador. Estamos temerosos com o seguimento das políticas públicas no enfrentamento ao HIV. Porém, é tempo de esperar e seguirmos aguerridos no nosso papel de fazer o controle social, sem pestanejar, para defender o coletivo. Que o novo ministro tenha um olhar plural e diversificado para todas as áreas da saúde, inclusive respeitando toda a nossa diversidade e,  principalmente, mantenha as linhas de diálogos com a sociedade civil.”

Vando Oliveira, secretário nacional da  RNP+ Brasil (Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV) diz esperar que o novo ministro assuma o compromisso, não com o partido que o indicou mas sim com o SUS. E já aproveitou para fazer uma denúncia. “Que atue melhor do que o ministro que saiu e deixou um grave problema de desabastecimento de antirretroviral no meu estado, o Ceará, que, no momento, sofre com a falta do darunavir para soropositivo em situação de resgate e do AZT, solução oral para crianças. E temos registros recentes de outros estados, como Pernambuco e o  Paraná, de onde vem o ministro, também com falta de medicamentos.”

Mais sobre Ricardo Barros

_ Foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1994, voltando a se eleger em 1998, em 2002, em 2006 e em 2014. É filiado ao PP desde 2003,  foi do PPB e do PFL (atual Democratas).

_ Votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff , no dia 17 de abril deste ano,  quando o plenário da Câmara dos Deputados autorizou a continuidade do processo ao  Senado.

_  Em 2011, Barros se licenciou do seu mandato de deputado federal para assumir o cargo de secretário da Indústria e Comércio do Paraná. Após denúncias de irregularidades na sua gestão, porém, pediu licença do governo do estado.

_ Na época, em 2012, gravações feitas pelo Ministério Público mostraram Barros sugerindo ao então secretário municipal de Saneamento de Maringá Leopoldo Fiewski que arranjasse um encontro para realização de acordo entre as duas empresas que participavam de um processo de licitação para publicidade da cidade. O contrato era de R$ 7,5 milhões.

_ Barros se defendeu dizendo que atuou como coordenador político e não como secretário de Estado. Quatro dias após a divulgação das gravações, porém, ele anunciou que deixava o cargo para trabalhar na campanha de Roberto Pupin, também do PP, à Prefeitura de Maringá.

Redação da Agência de Notícias da Aids com informações do G1

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