Androginia: uma questão de estética

A androginia não tem relação com sexualidade, mas chama atenção pela ambiguidade de gêneros

Texto de Raul de Lima, para GSize

Publicado em 2 de novembro de 2013

Pela performance em “Meninos não choram”Hillary Swank ganhou o Oscar de melhor atriz em 2000. Além do prêmio, ela marcou a história do cinema com a transformação para o personagem andrógino.

Voltando um pouco para a década de 1970, com roupas pra lá de excêntricas, pintura de raio no rosto e cabelos de todas as cores e cortes, David Bowie é um ícone não só da música ou do mundo fashion, como também da androginia.

GSize-androginia O modelo australiano Andrej Pejic já veio até ao Brasil desfilar para Alexandre Herchcovitch, Maria Bonita, André Lima e outros grandes nomes da moda verde e amarela. Já conheceu a Rainha da Inglaterra, foi eleito o modelo do ano 2011 pela New York Magazine e, inclusive já fez até campanha de roupa íntima feminina.

Na vida real, fora de Hollywood, dos palcos e passarelas ou outros recursos de maquiagem e edição, a androginia faz parte da diversidade social. Os traços delicados femininos que competem com fortes traços masculinos formam o andrógino, simples assim. Nada de hermafroditismo ou ligado à orientação sexual. Apenas alguém que apresenta características físicas semelhantes ao sexo oposto.

Algumas pessoas desde de pequenas apresentam esse desejo misturado com curiosidade, sem saber direito como expressar. O estudante Hans Lee, 19, diz que por volta dês treze anos ficou mais claro quem ele era, mas que mesmo antes já existia uma sensação interna de dualidade. “Não me lembro de pensar sobre isso quando era criança, mas imagino que já estivesse lá de alguma forma”,  conta.

As maquiagens e as escolhas de roupa são os recursos mais utilizados para intensificar o ar andrógino. Hans lembra que quando mais novo usava o cabelo comprido e elaborava na maquiagem, por mais que as pessoas o questionavam se ele era homem ou mulher. “Uma vez entrei no banheiro feminino com uma amiga e alguém reclamou com o segurança. Ele entrou e perguntou se tinha visto um garoto lá dentro, disse que não e ele continuou procurando”, comenta.

O modelo Mitsuo Morinishi, 19, conta que as pessoas se chocam quando ele diz que é homem. Ele não se incomoda com esse tipo de situação e acha até engraçado. “As pessoas já tem convicção que sou uma mulher e, geralmente, quando falo minha verdadeira identidade de gênero elas ficam assustadas e costumam não acreditar”, comenta entre risos.

O apoio familiar é crucial para se sentir seguro e abraçar essa dualidade de gêneros expressa na forma física, mas o receio dos próprios familiares é preconceito social. Mitsuo é um exceção que foge a regra, já que, segundo ele, nunca passou por nenhum tipo de repressão e que costuma receber respeito e admiração das pessoas.

Encarando o mundo

GSize-androginoA fase escolar pode ser uma das mais difíceis, consequência da maturidade dos alunos. “Na escola, muitas vezes, faziam comentários e piadinhas, mas logo percebiam que não dava atenção e acabavam desistindo de me pertubar”, compartilha Hans. Ele defende que o preconceito sempre existiu, até mesmo dentro da comunidade gay.

“Estando bem consigo mesmo, nada te afeta, vai muito da maneira que você se impõe para o mundo”, diz o stylist André Castro, 22, que vê a confiança como uma das melhores formas de conseguir lidar com qualquer tipo de preconceito. Ele diz ainda que nunca teve problema com isso e que tem uma vida social normal com a família.

André abraçou de vez esse lado quando, mais jovem, morou fora do país e percebeu novos aspectos de androginia. “Conheci vários tipos de tribos que me fascinaram e acabei me identificando. A princípio, nem sabia o era essa mistura de características, nem era algo natural”, explicao stylist. Ele diz ainda que nunca quis se tornar uma mullher ou se vestir como uma e que por meio de várias referencias criou seu estilo próprio para se auto descobrir.

O descobrimento deve partir da sociedade em decidir abraçar a diversidade como um todo, longe de uma intenção frágil de respeito sem realmente acreditar. As características femininas e masculinas que com harmonia surgem em alguns rostos andróginos podia ser a harmonia social entre o respeito com a opção e orientação de cada um.

Fonte: http://www.gsize.com.br/noticias/mundo-pop/androginia-questao-estetica/

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