Vidas LGBTs: movimento levanta a bandeira contra a impunidade e a LGBTfobia

Protesto reuniu mais de 100 pessoas no Rio Vermelho que pediram justiça no caso do jovem trans Têu Nascimento

Publicado pelo portal Correio, em 13 de maio de 2017

Coletivos LGBTs protestaram no Rio Vermelho em passeata pela avenida principal contra a LGBTfobia
(Foto: Arisson Marinho/ Correio)

Coletivos LGBTs se reuniram no Rio Vermelho em protesto contra a LGBTfobia. Concentrados em frente ao Clube San Sebastian, com velas e cartazes nas mãos, o grupo formado por cerca de 100 pessoas seguiu até a Praça da Vila Caramuru.  A mobilização foi motivada após no ultimo final de semana, o jovem trans Têu Nascimento ser tirado de dentro de casa, espancado e morto a tiros no bairro de São Cristóvão.

O caso ainda está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo a mãe de Têu, Rosângela Maria, a polícia vai pedir a quebra do sigilo das redes sociais da vítima para descobrir se há algum envolvimento de alguém que com quem Têu conversava pela internet. “Estou cobrando da Secretaria de Segurança Pública uma resposta pela morte do meu filho, pois até o momento não tem nenhuma informação sobre o que aconteceu com ele”.

As entidades cobraram ainda durante a manifestação, uma posição do poder público sobre iniciativas que possam combater e criminalizar a LGBTfobia. Segundo a coordenadora do Coletivo Famílias pela Diversidade, Inês Silva, o ato é em busca de respeito. “Parem de matar nossos filhos. O Nosso objetivo aqui hoje é cobrar do poder publico respeito para com a população LGBT. Não é possível que a cada 27 horas morra um LGBT por um motivo torpe que é o ódio e que a gente não tenha o desdobramento destas investigações. Não geramos filhos para virar estatística”, disse.

Mulher trans e integrante do Movimento LGBT, Milena Passos, também reforçou a bandeira contra a violência e a impunidade. “Estamos aqui juntos para exigir que esse crime não fique impune. Já chega”, acrescentou. Para o jovem trans, Diego Nascimento que foi mais um a participar do protesto, a população LGBT está sendo exterminada. “Estamos morrendo por ser a gente. Nossas mortes são extermínios”.

Mortes
Infelizmente, Têu não está sozinho nas estatísticas. Henrique Assis das Neves, 30 anos, foi morto em um assalto na Praça da Piedade. Leo Moura foi assassinado depois de sair de uma boate no Rio Vermelho. Os casos de Têu, Henrique e Leo engrossam uma a violência criminosa contra população LGBTs. Dados do Grupo Gay da Bahia indicam que só este ano 117 pessoas LGBTs já foram assassinadas. Os números deste ano são alarmantes já que 144 pessoas transexuais e travestis mortas no Brasil em 2016 – um aumento de 22% em relação a 2015.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado, todas as medidas cautelares necessárias para a elucidação do crime estão sendo realizadas pelo DHPP e que a investigação já está em estado avançado. No entanto, as informações não podem ser divulgadas em detalhes para não atrapalhar a resolução do caso que envolve a morte de Têu.

Cerca de 100 pessoas participaram do ato que pediu medidas efetivas do poder público contra a violência (Foto: Arisson Marinho)

Com informações de Jorge Gauthier

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *