Toma lá, da cá – O presidente, o Congresso e a velha política

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Na última segunda-feira, 1º de fevereiro de 2021, os comandos das duas casas legislativas do Congresso Nacional mudaram de mãos.

Rodrigo Pacheco (DEM-MG) sucedeu David Alcolumbre (DEM-AP) na Presidência do Senado. Ele recebeu 57 votos, contra 21 da senadora Simone Tebet (MDB-MS), abandonada pelo próprio partido. Favorito do presidente da Republica, o bosta n’água, Pacheco também goza de curiosa simpatia de partidos opositores do chefe do Executivo, a exemplo do PT e do PDT. Com isso, opera um estranho milagre.

Já a disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados exigiu do presidente bosta n’água um trabalho de corpo-a-corpo e um investimento da ordem de mais de 3 bilhões de reais em recursos públicos, para convencer parlamentares a votarem em sua galinha dos ovos de ouro. E conseguiu: dos 505 votantes, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) assume a Câmara até 2023, após somar facilmente 302 votos, quase todos comprados, contra 145 de Baleia Rossi (MDB/SP).

Para ter um aliado na Câmara dos Deputados e facilitar votações de seu interesse, o presidente da República, o bosta n’água, abriu as torneiras de favores em cifras bilionárias de um dinheiro que é nosso. Conforme noticiado pelo jornal O Estado de S.Paulo, o governo federal abriu os cofres de recursos públicos e destinou R$ 3 bilhões para 250 deputados e 35 senadores aplicarem em obras em seus redutos eleitorais. O dinheiro saiu do Ministério do Desenvolvimento Regional.

Ou seja, 3 bilhões oriundos no Ministério do Desenvolvimento Regional para aplicação em obras diversas. Até aí tudo bem, tudo parece dentro da legalidade, de uma lógica, de uma coerência, mas não é. Parece ético, mas não é. É legal, mas é imoral, pois acontece em um momento inapropriado: às vésperas das votações às presidências das casas legislativas do Congresso, cujo resultado é decisivo para o poder de influência do presidente bosta n’água em um local onde ele não deve mandar, pois contraria o princípio da independência dos três poderes. Imoral, sim, porque os recursos serão usados nos currais eleitorais dos beneficiados, em troca de votos para o candidato do presidente. E nós sabemos muito bem como recursos públicos são utilizados por políticos em seus currais.

Arthur Lira, novo presidente da Câmara dos Deputados, tem a prerrogativa de definir as pautas de votação do plenário e que é de enorme interesse do presidente bosta n’água, além de ter autonomia para decidir ou não sobre um
possível processo de impeachment para afastar o presidente da República.

E assim bosta n’água pode dormir com um sorriso de orelha a orelha por mais essa vitória que ele conquistou com custo nosso, contribuindo para desgastar ainda mais a imagem do Congresso Nacional como um enorme balcão de negócios onde interesses escusos dão o tom do que ali se negocia. O velho toma-lá-dá-cá, o velho modus operandi da velha política. Nada mudou e nós continuamos a posar de babacas.

Nós não! Os palermas que acreditaram que um homem que nada fez ao longo de mais de 30 anos de vida pública, de encosto na política, seria capaz de fazer alguma coisa de novo pelo país. Fez, mas nada de exemplar: tirou direitos com a reforma da Previdência, queimou a Amazônia e deu espaço para a grilagem, além de ter protagonizado o pior exemplo no mundo de política pública de combate à pandemia da COVID-19. E agora por fim, mostra sua gana para fazer o jogo sujo da compra e venda de votos, do toma-lá-dá-cá, onde o cidadão comum nunca sairá ganhando.

E àqueles que supostamente acreditaram no salvador da pátria transformado em mártir sem sangue em uma facada mal contada, quero dizer olhando nos olhos: ou vocês são iguais aos políticos recém-comprados e estão mancomunados com a pilantragem ou fazem parte de uma classe média-alta que quer manter seus privilégios a qualquer custo ou são esquedofóbicos que não podem ver uma camisa vermelha que logo têm urticária ou são os babacas sem cérebro, sem visão, sem senso crítico e sem maturidade política e de qualquer natureza.

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