Racismo (desta vez, sem cólera)

Em vídeo anterior, que publiquei na segunda-feira, 23/11/2020, eu contestei as falas do presidente e do vice-presidente da República, bem como do presidente da Fundação Palmares, sobre o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, homem negro espancado e asfixiado até a morte por seguranças de uma loja da rede Carrefour, em Porto Alegre, na quinta-feira, 19/11/2020.

Todas as três falas, que reproduzo abaixo, foram lamentáveis por negar descaradamente o racismo no Brasil e ditas em plena comemoração do Dia da Consciência Negra.

Eu sou ativista LGBT+ e os movimentos sociais são pares, porque lutam por igualdade e justiça social. Por conta disso, meu discurso foi muito mais uma catarse e destilação do meu ódio que necessariamente uma contestação fundamentada contra os discursos negacionistas dos três patetas do governo.

Por isso, resolvi fazer este novo vídeo, mais argumentativo e pontuado que o anterior, apesar de ainda estar presente a sensação do meu sangue que ferve ao tratar do assunto. Não à toa. Vocês entenderão quando lerem as falas que transcrevo abaixo.

Jair Bolsonaro, presidente da República
Reunião do G20, sábado, 21 de novembro
Quero fazer uma rápida defesa do caráter nacional brasileiro, em face das tentativas de3 importar para o nosso território tensões alheias à nossa história. O Brasil tem uma cultura diversa, única entre as nações. Somos um povo miscigenado. Brancos, negros e índios edificaram o espírito de um povo rico e maravilhoso. (…) Foi a essência desse povo que conquistou a simpatia do mundo. Contudo há quem queira destruí-la e colocar em seu lugar um conflito, o ressentimento, o ódio e a divisão entre raças, sempre mascarados de luta por igualdade ou justiça social, tudo em busca de poder.”
Fonte: PR BOLSONARO DISCURSO G20 1 – YouTube

Hamilton Mourão, vice-presidente da República
Sexta-feira, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra
“Pra mim, no Brasil, não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar aqui no Brasil. Isso não existe aqui. (…) Eu morei nos Estados Unidos. Racismo tem lá. Eu morei dois anos nos Estados Unidos. Na minha escola que eu morei lá, o pessoal de cor andava separado. Eu nunca tinha visto isso aqui no Brasil. Saí do Brasil, fui morar lá, adolescente, e fiquei impressionado com isso aí. Isso no final da década de 60. Mais ainda: o pessoal de cor sentava atrás do ônibus. Não sentava na frente do ônibus. Isso é racismo. Aqui não existe isso.”
Em outro momento ele se compara com uma pessoa da sua equipe, certamente branco, dizendo que ele, miscigenado, é pelo duro, enquanto a outra pessoa é um pelo mais sofisticado.
Fonte: Mourão diz que não existe racismo no Brasil – YouTube

Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares
Sexta-feira, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra
“Não existe racismo estrutural no Brasil; o nosso racismo é circunstancial – ou seja, há alguns imbecis que cometem o crime. A ‘estrutura onipresente’ que dia e noite oprime e marginaliza todos os negros, como defende a esquerda, não faz sentido nem tem fundamento”.
Fonte: Racismo estrutural não existe, diz Sérgio Camargo da Fundação Palmares (uol.com.br)

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