Professor dá a melhor resposta aos alunos que perguntaram se ele era gay

Publicado por Nelson Sheep, no portal Superpride, em 27 de setembro de 2016

escola4As salas de aula continuam sendo um celeiro de boas iniciativas quando falamos de diversidade. E um depoimento de um professor do Rio de Janeiro está fazendo muito sucesso nas redes sociais, justamente por tratar sobre esse assunto.

Tudo começou quando Vitor Fernandes, o professor de uma CIEP, em Inhoaíba (RJ), foi questionado por uma aluna do primeiro ano sobre sua orientação sexual. “Professor, o senhor é gay?“, indagou a jovem.

Podendo optar por uma resposta simples como “sim” ou “não”, Vitor decidiu trazer o tema para o centro da discussão da aula e perguntou aos seus alunos o que fazia com que eles questionassem isso. Aí começou um poderoso debate sobre estereótipos associados ao que é “ser homem heterossexual”.

A história foi contada pelo próprio professor no Facebook e rapidamente se espalhou. Milhares de pessoas reagiram e repensaram questões como homofobia e machismo. Confira!

Professor, o senhor é gay?

Já ouvi essa frase algumas vezes. Uma vez por ano ao menos algum aluno pergunta. Na verdade, geralmente alunas. Como já ouvi várias vezes e sempre me intriguei com o porquê da pergunta e hoje a pergunta veio de uma aluna de uma turma de 1º ano no meu CIEP, em Inhoaíba, resolvi usar Paulo Freire e partir do concreto para o abstrato. Parei a aula e mudei o tema para “gênero e sexualidade” (estudávamos antropologia, então é pertinente). Usei a pergunta da aluna e a mim mesmo como exemplo.

Perguntei a ela o que a levou a fazer a pergunta. Qual era o motivo da suspeição da minha homossexualidade? A aluna não quis responder, com medo de uma reação negativa ou até agressiva minha, como é bastante comum na sociedade. Insisti e ela começou a falar. Daí todos os alunos se interessaram muito e começaram a falar também os motivos de suas suspeitas.

Resolvi, para ser didático, anotar no quadro os motivos para debater um a um.

Os motivos, que para eles são características da homossexualidade que eu tenho, foram os seguintes:

– Uma aluna me deu mole e eu não “peguei”.
– Coloco às vezes a mão na cintura
– Gestos e fala característico de homossexual (segundo dois garotos apenas)
– Não fala de relacionamentos, namorada, nem da vida pessoal, o que fez no fim de semana, etc. E outros profs falam…
– Sou professor novo, moderno, simpático. Isso n é característica masculina.
– Tem outros alunos comentam que eu sou gay
– Sou vaidoso, me cuido esteticamente.
– Quando os alunos me perguntaram se eu era gay, não neguei agressivamente, mas debati o assunto. Só no final disse que não era. Não provei que era hétero mostrando fotos minha com alguma namorada, etc
– Não sou machista
– Tenho 30 anos, não casei e não tenho filhos. Todos as pessoas e trinta anos que eles conhecem já casaram e tiveram filhos. Só gays chegam aos 30 sem casar.
– Tenho amigos gays.

Sim, a lista foi longa (rs) e os instiguei a falar tudo. Não é difícil deduzir que os pressupostos (anotados no quadro tb) dessas falas são:

– Homem que é homem, pega aluna, não rejeita mulher.
– Homem que é homem não coloca a mão na cintura.
– Homem que é homem fala das mulheres que “pega”, “prova” que é homem através de fotos com mulheres.
– Professor hétero não é simpático. Simpatia não é característica masculina.
– Homem que é homem não é vaidoso.
– Homem que é homem nega com veemência a homossexualidade, como se fosse um crime. E é obvio que homem de verdade não debate esses assuntos, muito menos usando a si mesmo como exemplo.
– Homem que é homem é machista.
Obs.: como eu queria as feministas “linha dura” que me acham O escroto machista lá naquela sala pra debater isso com eles. rsrs
– Homem de verdade casa antes dos 30 e tem filhos antes disso.

Talvez vc se pergunte o porque eu não neguei com veemência e encerrei o assunto? Porque debati algo pessoal com adolescentes de 15 anos em média?

Primeiro: qual o problema em ser gay? Porque negar isso com veemência? É crime? Imoral? Não. Ser gay ou hétero para mim é como ser flamenguista ou botafoguense. Não tem nada de bom ou ruim em nenhum dos dois.

Segundo: Acho que foi a melhor das oportunidades de debater um assunto tão delicado e proporcionar o acesso à uma outra visão de mundo aos alunos.

Não. Não sou gay rs e fiquei impressionado com a visão estreita de gênero e sexualidade de adolescentes me pleno 2016, tão limitada e machista. E fiquei imaginando a feroz repressão que os homossexuais sofrem no dia-a-dia.

Por outro lado é compreensível os alunos terem essas concepções na cultura onde estão inseridos.

Como assim vc tem 30 anos e não casou se as meninas têm filhos aos 15 às vezes? Rs

Como assim vc não pega aluna que te dá mole? Só pode ser viado rs

Eu resolveria facilmente o “problema” mostrando foto com alguma mulher com que fiquei, mas porque eu me preocuparia em provar a heterossexualidade como quem prova a inocência. Porque usaria uma mulher como prova de algo?

Pode parecer engraçado para muita gente ler isso e pra mim foi. Muito. rs Mas para eles não. É o que pensam mesmo. Parece anos 1940, mas é 2016…

Imaginem se o projeto “escola sem partido” continua avançando como está. Voltaremos às trevas em pouco tempo. Precisamos debater gênero e sexualidade nas escolas, mais do que nunca!

O machismo é opressor com os homens também, se liguem nisso!

Obs.: Hoje fui trabalhar com uma camisa rosa. Aí ferrou… rs

Clique aqui e acesse a resposta de Vitor Fernandes, em seu perfil no Facebook

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1 Response

  1. Patrícia Sanches disse:

    Fico extremamente feliz em saber que temos professores assim como você
    Boa aula para nós !

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