Pesquisa francesa mostra eficácia de remédio na prevenção da Aids

Patricia Moribe
Publicado pelo site RFI, em 3 de novembro de 2014
truvada

O Truvada, primeiro tratamento preventivo contra a Aids.

Um estudo iniciado há dois anos na França comprova a eficácia da utilização pontual do medicamento Truvada para evitar a contaminação pelo HIV. A pesquisa, batizada de Ipergay, contou com a participação de mais de 400 voluntários – homens, homossexuais e sujeitos a manter relações sexuais com risco de transmissão. Os resultados mostram eficácia de 80% na prevenção do vírus.

Ao contrário de pesquisas nos Estados Unidos e Inglaterra com o Truvada como prevenção, tomado de maneira regular, o estudo francês Ipergay administra o medicamento horas antes de uma relação sexual e horas depois. Jean-Michel Molina é professor de doenças infecciosas da universidade Paris 7 e chefe do serviço de doenças infecciosas do hospital Saint-Louis, na capital francesa: “o que motivou o Ipergay foi tentar diminuir o número de novas contaminações na França, desenvolvendo novos métodos de prevenção”.

“O resultado mostrou que não é preciso tomar o Truvada todos os dias, uma posologia que se mostrou mais eficaz”, explica o médico, que coordenou o Ipergay, com a participação de mais de 400 pessoas. “Elas vinham ao hospital a cada dois meses, recebiam o medicamento ou o placebo, falavam com um conselheiro, recebiam preservativos e gel, passavam por uma bateria de exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis e eram tratados para isso, se fosse o caso, além de serem vacinados contra a hepatite.”

Pílula do dia seguinte

Alexander, jornalista holandês de origem brasileira, soropositivo desde 2000, teme que o uso do Truvada se torne uma espécie de pílula do dia seguinte, ou seja, que as pessoas deixem de lado o uso de preservativos, com a ideia de que “ficou doente, toma o remédio e tudo bem”. “Não se vê mais as campanhas agressivas de dez anos atrás, é como se, teoricamente, a Aids tivesse se tornado uma doença banal, as pessoas não consideram mais a doença como um bicho-papão, e estão se contaminando por conta disso”. O professor Molina reforça a importância do uso de preservativos: “a prevenção não é 100% fiável; uma vacina, se existisse, também não seria”.

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