Jean Wyllys prevê “idade das trevas no parlamento”

Deputado pelo PSOL do Rio afirma que, “ao insistir numa candidatura própria mesmo percebendo o antipetismo, o PT jogou a presidência da Câmara no colo de seu inimigo íntimo” e agora a presidente Dilma “passa a uma situação difícil”, com a perda do apoio das esquerdas e o “enfrentamento de uma oposição de direita ressentida e revanchista”

Publicado pelo jornal Brasil 247, em 2 de fevereiro de 2015

247 – O deputado federal Jean Wyllys publicou em sua página no Facebook, na noite deste domingo 1º, um texto em que analisa o cenário político no Congresso Nacional após a eleição para presidente da Câmara que deu vitória a Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Para Jean, “inicia hoje a idade das trevas no parlamento”.

Na avaliação do deputado, “ao insistir numa candidatura própria mesmo percebendo o antipetismo” no Congresso, “o PT jogou a presidência da Câmara no colo de seu inimigo íntimo”. Agora, “com a eleição de Cunha, a presidenta Dilma passa a uma situação difícil”, acrescenta ele.

Jean cita a perda de apoio das forças políticas progressistas à presidente, depois que ela adotou medidas econômicas neoliberais, e agora a perda da governabilidade com a vitória de Cunha. Além disso, o governo terá ainda de enfrentar “uma oposição de direita (PSDB, DEM e PPS) ressentida e revanchista”, sem contar a “contribuição da ‘grande’ mídia para jogar a opinião pública contra seu governo”.

Leia a íntegra do texto:

Uma primeira análise do resultado das eleições para a presidência da Câmara:

1. ao insistir numa candidatura própria mesmo percebendo o antipetismo – dejeto do segundo turno das eleições presidenciais – que crescia na Câmara dos Deputados, ao insistir nisso em vez de apoiar a candidatura de algum aliado de partido que gozasse de menor antipatia, de modo que Cunha fosse derrotado de cara, o PT jogou a presidência da Câmara no colo de seu inimigo íntimo;

2. com a derrota nas eleições pra presidência da Câmara e a consequente perda de posições na Mesa Diretora, o PT fará questão de pegar a presidência de três comissões de peso legislativo – o que significará deixar, de lado, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (como o PC do B também não optará por esta comissão, o provável é que ela caia nas mãos de algum partido que tenha, como objetivo, impedir o avanço legislativo em relação aos DHs de minorias e às liberdades individuais, como, por exemplo, PSC, PP, PR et caterva);

3. com a eleição de Cunha, a presidenta Dilma passa a uma situação difícil: ao adotar medidas neoliberais, à moda PSDB, para a economia, ela desmobilizou as forças políticas progressistas que lhe garantiram a diferença de votos em relação a Aécio Neves no segundo turno das eleições presidenciais; parte dessas forças políticas – em especial as mais à esquerda (entre as quais me incluo) – sentiu-se traída quando a presidenta pendeu pra direita em sua política econômica e, da presidenta, essa esquerda vem se afastando; e, apesar dessas políticas neoliberais feitas para agradar os detratores, a presidenta não os agradou de fato e ainda teve de amargar ver seu inimigo chegar à presidência da Câmara – o que significa, pra Dilma, a perda da governabilidade; perda que se somará ao enfrentamento de uma oposição de direita (PSDB, DEM e PPS) ressentida e revanchista (fora a contribuição da “grande” mídia para jogar a opinião pública contra seu governo).

A presidenta terá dificuldades para governar e a população sofrerá as consciências dessa dificuldade. Tempo ruim virá pra todos nós – progressistas, minorias e pobres em geral – se algum vento não dissipar as nuvens de chumbo!

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