“Fui esfaqueada”: Atriz crucificada na Parada LGBT desabafa aos prantos em vídeo

Publicado por Felipe Martins, no blog LGBT do jornal O Dia.

Em vídeo publicado na madrugada deste domingo, a modelo e atriz Viviany Beleboni denuncia ter sido esfaqueada, no final da noite deste sábado, na região central de São Paulo. Viviany, que ficou nacionalmente conhecida ao simbolizar a crucificação na última Parada LGBT paulista, contou que estava a caminho de casa, na Bela Vista, quando foi abordada e espancada por dois homens que , segundo ela, se identificaram como sendo “da igreja”.

Muito emocionada, ela conversou na manhã deste domingo com o BLOG LGBT. Segundo a atriz, além das graves agressões físicas, ela ainda foi agredida verbalmente , chamada de demônio.

“Eu saí pra comprar coisas para a casa e na volta, perto de um viaduto, um homem começou a me encarar. Eu continuei andando e ele passou a falar alto. ‘Eu acho que te conheço’. Pelo tom de voz, eu percebi que ele queria encrenca, aí comecei a andar mais rápido. Ele continuou me seguindo, falando que eu era um demônio, ele dizia que era da igreja, que sabia do protesto que eu tinha feito. Do nada, apareceu mais um homem. Quando ele chegou, os dois começaram a me agredir, me derrubaram no chão e deram socos no nariz, no estômago e me cortaram com uma faca, me esfaquearam no braço e no rosto.

Ela conta que os dois só pararam quando ela começou a gritar e se debater. “Eu tive que fazer um escândalo para eles pararem. Gritei que também sabia bater, que também era homem e tentei revidar. Foi aí que eles pararam e correram”.

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‘Eu não aguento mais’, atriz crucificada desabafa em entrevista ao BLOG LGBT.
(Foto: Arquivo Pessoal)

Ao chegar em casa e se olhar no espelho, Viviany entrou em desespero vendo o rosto com hematomas e cortes. “Eu prezo tanto meu rosto, é com ele que eu trabalho, meu nariz tá inchado, meu rosto cortado. Como pode tanta maldade? São pessoas ruins que querem que a gente sofra, que a gente fique na rua, ganhando R$ 50, R$ 100 com prostituição, que passe fome, necessidade”, desabafou.

Por não acreditar na atuação da polícia, ela diz que não fará um registro da ocorrência na delegacia. “Pra quê ? Pra ser vítima de chacota? Pra ficar três horas aguardando ser atendida e ser chamada pelo nome masculino de propósito? Os delegados te olham com cara de cu. Acham que a travesti é sempre a culpada. Não há respeito”.

Ao vir crucificada na Parada do Orgulho LGBT, ela disse que, com o gesto, representava a dor de travestis e transexuais agredidos e mortos em todo o Brasil. Desde o protesto, mergulhou em estado depressivo em razão da polêmica e das ameaças de morte que recebeu. Viviany disse que tentava voltar a levar uma vida normal, mas teme não ter forças para se reerguer depois do episódio deste sábado.

“Eu estou tomando três antidepressivos desde que comecei a ser ameaçada de morte. Eu não consigo trabalhar, não consigo fazer os eventos, quase não saio de casa. Minha vida virou um inferno. Eu espero que as pessoas agora entendam o que eu queria dizer quando fiquei três horas crucificada embaixo de sol forte. É desse sofrimento, dessa violência que a gente que é travesti está exposta diariamente.Paz é uma coisa que não se compra e a minha fui roubada. Toda hora eu acho que vou morrer. Penso em me matar. Eu não aguento mais”.

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