Comercial emocionante de dia dos namorados da Vick apoia a causa gay

Diego Albarello
Publicado no blog eu, Devito, em 5 de junho de 2017

Junho não só é o mês dos namorados como também o mês do Orgulho Gay. Pelo mundo todo, diversas paradas estão sendo organizadas e várias marcas estão lançando produtos em prol da comunidade LGBT.

Nós já vimos aqui as coleções incríveis da Nike e da Converse, mas dessa vez chegou a hora da mais emocionante de todas. A Vick, famosa marca de remédios para gripe e resfriados, lançou no finzinho de maio a campanha #EspalheCarinho.

No comercial, vemos vários casais aproveitando seus momentos juntos e como o inverno é uma das melhores estações para se aproximar da pessoa amada. Mas esse infelizmente não é um privilégio de todos, principalmente para casais homossexuais, que apenas estar fora de casa já é um motivo para ficar alerta.

Dá uma olhada:

https://www.youtube.com/watch?v=S_Iv3x7FJg8

Bolsonaro é processado por quilombolas de todo o país pelo crime de racismo

Por Katia Guimarães*
Publicado no blog Socialista Morena

Deputadas e representantes quilombolas protocolam ação na PGR contra Bolsonaro. (Foto: Lula Marques/Agência PT)

Conhecido por não medir palavras na hora de ofender minorias, o deputado de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSC-RJ) corre o risco de, finalmente, morrer pela boca. Depois das últimas declarações em palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, o parlamentar está sendo processado nos quatro cantos do país pelo crime de racismo, que é inafiançável e imprescritível, com pena prevista de até três anos de reclusão e multa.

As ações foram protocoladas por movimentos ligados às comunidades negras e quilombolas, como a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e a Frente Favela Brasil, junto à Procuradoria-Geral da República em Brasília e o Ministério Público Federal no Rio. A partir de amanhã, a Conaq entrará ainda com representações nos MPs de 25 estados, onde conta com coordenações regionais. No Congresso Nacional, deputados e senadores do Partido dos Trabalhadores também acionaram a Procuradoria Geral da República com mais uma representação pelo mesmo crime.

Bolsonaro causou indignação e revolta após afirmar, entre outros absurdos, que afrodescendentes de comunidades quilombolas “não servem nem para procriar”. Em frase gravada em vídeo, o deputado diz: “Fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de 1 bilhão de reais por ano é gasto com eles”, afirmou. Bolsonaro também disse que, se eleito presidente, “todo mundo terá uma arma de fogo em casa, não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola”. A platéia presente riu.

O caso inundou as redes sociais e integrantes da comunidade judaica repudiaram o clube carioca. O médico paulistano Nelson Nisenbaum disse que o evento foi uma ofensa ao legado do judaísmo. “É profundamente amargo verificar que entre nós, judeus, há tantas pessoas que não têm capacidade de perceber, entender e temer os discursos de ódio, discriminação e totalitarismo desse patético ser. Permitir sequer que estas idéias adentrem um ambiente judaico, ainda que não essencialmente religioso ou litúrgico, é um verdadeiro sacrilégio, uma profanação, uma grave ofensa ao legado humanista do judaísmo, tão sagrado e caro a nós”, afirmou.

Em vídeo publicado no facebook, a cineasta Ieda Rozenfeld criticou o fato de haver “300 judeus cegos” aplaudindo as declarações preconceituosas de Bolsonaro. “Eu estava lá para ver se era verdade tudo que falam dele e ele é um imbecil”, afirmou. “Eu fui criada na Hebraica, é o berço dos meus avós”, completou.

Uma representação no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar ainda está em estudo pelo PT e outros partidos de esquerda da Câmara. Segundo a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), Jair Bolsonaro veste a capa da imunidade parlamentar para justificar as barbaridades que diz. “Ele não pode se respaldar na imunidade. Ela não é dada para quem fere a Constituição, o Código de Ética. Acho que até os militares nacionalistas estão tremendo nas bases com as declarações do Bolsonaro”, afirmou.

Dona Auxiliadora com queijo, doces e mel produzidos pela comunidade quilombola dos Arturos, em Minas Gerais. (Foto: Omar Freire/Imprensa MG)

Para a deputada Érika Kokay (PT-DF), apesar de o deputado fluminense ter cometido crime de incitação ao ódio e racismo, é preciso definir bem o escopo da representação, pois, por mais de uma vez, denúncias contra ele na Câmara foram arquivadas. Um caso recente envolveu a deputada Maria do Rosário (PT-RS), em que foi necessário acionar o Supremo Tribunal Federal para processar o deputado por apologia ao estupro. Mas Benedita afirma que, desta vez, tudo será feito para conter Bolsonaro. “Não dá mais para conviver com uma pessoa dessa natureza.”

Em entrevista ao blog, a coordenadora nacional da Conaq, Gilvânia Maria da Silva, disse que Bolsonaro já ultrapassou todos os limites e que chegou a hora de a sociedade ter a consciência do dano que causa o discurso de ódio do parlamentar. Ela cobra com veemência o procurador Rodrigo Janot e a Câmara. “Na nossa concepção, houve crime de racismo e quebra de decoro parlamentar. Ele tem que ser preso e perder o mandato. Não se pode mantê-lo impune ou a PGR e seus pares (os deputados) podem ficar desmoralizados.”

O pescador Elcio Santana no quilombo da ilha de Marambaia, Rio. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Professora, Gilvânia veio para Brasília do Quilombo das Crioulas, em Pernambuco, passou pelo governo Dilma na Secretaria de Igualdade Racial e faz doutorado em sociologia na UnB. Para ela, o sentimento de indignação passa pelo governo Temer, que deu o golpe e acabou com as políticas sociais voltadas para as comunidades negras, quilombolas e indígenas. “É um terreno fértil para figuras como o Bolsonaro. O Brasil virou uma terra sem lei, perdemos a possibilidade mínima de respeito”, afirma. “Mas somos resistentes, são seis mil comunidades quilombolas. Não é um Bolsonaro da vida que vai nos fazer baixar a cabeça.”

A Frente Favela Brasil foi além em sua iniciativa e entrou com representação criminal não só contra Jair Bolsonaro, mas contra os diretores do Clube Hebraica do Rio, pedindo investigação e eventual ação penal pelo crime de racismo. “A participação dos DIRETORES do Clube Hebraica-RIO deve ser sopesada individualmente, durante a investigação criminal, uma vez que ao decidirem apresentar o referido Deputado em sua sede, mesmo após o cancelamento de semelhante evento na Hebraica – São Paulo, assumiram o risco de produzir o discurso de ódio do principal representado, Jair Bolsonaro, resultando na propagação do racismo em níveis alarmantes”, diz o texto da ação.

Em carta de repúdio, a Frente Favela Brasil criticou a postura de parte da plateia no Clube Hebraica, que aplaudiu Bolsonaro. “Recebemos com muita tristeza os aplausos efusivos e gargalhadas de parte do público ali presente legitimando aquelas ofensas e desrespeito contra uma população que sempre foi solidária à luta dos membros da comunidade hebraica, pois sabemos de toda a perseguição sofrida por ela.”

A Frente ressaltou que o discurso de ódio de Bolsonaro, além de criminoso, contraria os acordos assinados pelo Brasil em fóruns como as Organizações dos Estados Americanos (OEA) e das Nações Unidas (ONU), ferindo o princípio da Dignidade da Pessoa Humana. “As declarações que incitam o ódio a grupos sociais não podem ser toleradas em uma sociedade democrática”. A Frente Favela Brasil se apresenta como um partido em construção que surge para lutar pelo protagonismo e pelo reconhecimento da dignidade da pessoa negra, dos moradores de favelas, dos pobres do campo e das periferias do Brasil.

*PAGUE A AUTORA: Gostou da matéria? Contribua com a autora. Todas as doações para este post irão para a repórter Katia Guimarães. Se você preferir, pode depositar direto na conta dela: Katia Guimarães, Caixa Econômica Federal, agência 4760, conta 21602-1, CPF 602.735.771-15. Obrigada por colaborar com uma nova forma de fazer jornalismo no Brasil, sustentada pelos leitores.

 

Comercial da Magnum apresenta casamento lésbico ao som de Bob Marley; Veja o vídeo!

A marca de sorvete Magnun acertou em sua nova campanha!

Por Emílio Faustino
Publicado pelo portal Observatório G, 12 de março de 2017

Em sua nova campanha a marca de sorvete Magnum apoia o casamento igualitário (Foto: Divulgação)

No vídeo da ação de LOLA MuellenLowe, a campanha apresenta um casamento bem diferente do que a família tradicional brasileira esta acostumada a ver.

De forma sensível e pontual eles trazem a tona a questão dp casamento igualitário e o quanto isto ainda é tabu na nossa sociedade, o vídeo mostra uma noiva se preparando para a hora do sim. Toda a expectativa dos convidados, já na igreja, e sua caminhada até o altar.

No entanto, no momento em que a caminhada chega ao fim, a grande surpresa: quem aguarda é uma mulher também vestida de noiva.

O som escolhido para embalar o comercial não poderia ser melhor: “Is this love” de Bob Marley, numa versão cantada por Corinne Bailey Rae.

Confiram este lacre:

Estagiário da Prefeitura de Salvador revela que é homem trans e emociona

Léo Rodrigues
Publicado pelo portal Propagar, em 27 de janeiro de 2017

http://www.portalpropagar.com/estagiario-da-prefeitura-de-salvador-revela-que-e-homem-trans-e-emociona/O estagiário da Prefeitura de Salvador, Théo Meireles, emocionou milhares de pessoas na manhã desta sexta-feira (27). Em um vídeo publicado na página da prefeitura, Théo contou um pouco da sua história devido algumas dúvidas dos seguidores que perguntavam se ele é homem ou mulher.

Théo é homem trans e, aproveitando que 29 de janeiro comemora-se o Dia da Visibilidade Trans, o futuro jornalista deu um show de explicação e apresentou vários dados importantíssimos que envolvem a transexualidade.

Com menos de uma hora de publicado, o post recebeu diversos compartilhamentos, curtidas  e comentários. “Olha a prefeitura de Salvador dando aula de respeito!”, disse um internauta. “Que delícia acordar vendo esse vídeo. Muito orgulhoso da Prefeitura de Salvador pela iniciativa”, comentou outro.

Assista:

https://www.facebook.com/prefeituradesalvador/videos/1650050191677287/

Polícia identifica agressores que mataram ambulante em metrô de São Paulo

Vítima tentava proteger travesti que foi perseguida pelos dois homens. Homem levou socos e pontapés na cabeça dentro da estação Pedro II.

Publicado pelo portal G1, em 26 de dezembro de 2016

Os dois agressores identificados são Alípio Rogério Belo dos Santos e Ricardo Nascimento Martins (Foto: TV Globo/Reprodução)

A polícia afirma que identificou nesta segunda-feira (26) os dois homens filmados agredindo com socos e pontapés na cabeça um vendedor ambulante na estação Pedro II do Metrô: Alípio Rogério Belo dos Santos e Ricardo Nascimento Martins. Segundo a Globonews, a polícia prevê que os dois devem se entregar nesta terça-feira (27). O ambulante identificado como Luis Carlos Ruas morreu. O velório do ambulante será nesta terça-feira (27), no cemitério Vale da Paz, em Diadema. O sepultamento está marcado para 16h30.

O caso aconteceu na noite deste domingo (25). Fotos tiradas dentro da estação mostram o momento em que dois homens atacam o ambulante. Após a agressão, os homens ainda voltaram até a vítima, desacordada, e um dos suspeitos deu mais um soco na cabeça.

O delegado Oswaldo Nico Gonçalves disse à Globonews que os dois homens são primos, moram perto um do outro e beberam muito no dia de Natal. O delegado contou que um deles disse que estava muito aborrecido porque teve problemas com a mulher. No mesmo dia, um dos homens teria socado a porta da vizinha na vila em que os dois moram.

A vítima ainda tentou correr até a bilheteria do Metrô, mas foi atingido por vários golpes e caiu. A Polícia Civil informou que está investigando o caso por meio de um inquérito policial.

O delegado informou que a briga começou do lado de fora da estação do metrô e terminou já dentro do terminal. Segundo ele, as agressões começaram depois que o morador de rua, que segundo ele era uma travesti, chamou a atenção dos dois homens que urinavam na rua. A travesti teria sido agredida logo em seguida, sendo ajudada por um momento por outra travesti.

“O senhor Ruas, que é um vendedor ambulante, foi tentar ajudar as travestis, e foi massacrado covardemente até a morte. Uma cena triste, mas estamos trabalhando muito para poder prendê-los e coloca-los atrás das grades ainda hoje. Se não for hoje, vai ser amanhã, na véspera de ano novo… Mas não vamos descansar”, disse o delegado Oswaldo Nico Gonçalves, que investiga o caso.

“A polícia apura possível envolvimento de um grupo de intolerância na autoria do crime”, informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP).

A esposa Maria Aparecida Cavalcante, conta que conversou com o marido 20 minutos antes das agressões. Chamada por Ivani para socorrer Luis Carlos, ela afirma que encontrou o vendedor caído e machucado. “Quando eu cheguei ele já estava no chão, todo deformado”.

Luiz Carlos foi socorrido por funcionários do metrô, mas não resistiu e morreu no hospital Municipal Vergueiro. O caso foi registrado no 78º Distrito Policial como homicídio qualificado, mas será encaminhado ao 5ºDP.

Em nota, o metrô confirmou o ataque e afirmou que os primeiros socorros foram prestados pelos agentes de segurança. “O Metrô colabora com a Autoridade Policial para o esclarecimento do crime.”

Clique aqui e acesse a notícia original, com reportagens em vídeo.

Campanha da ONU lança apelo às famílias de pessoas LGBTI

Publicado pelas Nações Unidas no Brasil, em 23 de dezembro de 2016

https://nacoesunidas.org/campanha-da-onu-lanca-apelo-as-familias-de-pessoas-lgbti/A Livres & Iguais no Brasil, campanha das Nações Unidas pela igualdade de direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, pessoas trans e intersex (LGBTI) lança neste fim de ano o vídeo “Nosso presente é o amor”. O material faz uma apelo a todas as famílias para que aceitem, respeitem e acolham seus filhos e filhas LGBTI: a discriminação não pode começar em casa.

Os depoimentos de “Nosso presente é o amor” foram gravados em uma manhã de inverno em Brasília. Com o apoio da coletiva Corpolítica e do grupo Mães Pela Diversidade, a campanha promoveu um encontro de pessoas LGBTI, seus pais e mães para discutir a importância do apoio familiar. Com histórias de superação e empoderamento, o vídeo mostra que, em se tratando das famílias, o amor e o afeto são capazes de superar todos os obstáculos.

Rebecca Religare tem 30 anos, vive em Brasília (DF) e é ativista dos movimentos negro e LGBT. Como mulher negra e lésbica, já sofreu diversas discriminações e quebrou muitos tetos de vidro para chegar onde está. No mundo acadêmico e profissional, acumulou inúmeras conquistas: é funcionária pública concursada, formada em Letras e está concluindo um mestrado em Sociologia e uma graduação em Direito na Universidade de Brasília. Mas uma das primeiras barreiras que ela precisou vencer foi dentro da própria casa.

Não foi nada fácil quando Rebecca se abriu com a família em relação à sua orientação sexual. Em setembro de 2009, foi expulsa de casa após uma discussão. “Eu lembro até hoje. Estava de vestido, com uma mochila com os livros. Tinha voltado da UnB e ido a um show com minha namorada na época”.

Rebecca sobreviveu com determinação e resiliência. Morou na casa de vários amigos e deu aulas particulares para se sustentar enquanto não passava em um concurso público. A aprovação veio dois meses depois. Disso tudo, sua maior conquista foi a liberdade para viver sua vida e ser feliz do jeito que queria e precisava.

A reconciliação com a família demorou um pouco mais. Foram cinco anos para que Rebecca e a mãe reatassem os laços. “Hoje eu e minha família estamos bem melhor. Minha mãe já trata minha companheira, Mariana, como sua nora. Ela frequenta a minha casa e eu frequento a casa dela, com a família.”

Rebecca tem propriedade para afirmar o quão difícil pode ser o processo de “sair do armário”. “Quando a gente sai do armário, a nossa família também sai. Ou, pior, ela se vê na necessidade de sair. E não é fácil para nenhuma das partes.”

Muitas vezes, é a consciência da homofobia e da transfobia, da violência e discriminação que aguardam os filhos e filhas na rua que torna a saída do armário mais difícil para os familiares. Priscila Morégola, presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB/DF, diz que a situação é muito difícil para a família. “Todos sofrem, mas todo mundo vai entendendo como ajudar. Às vezes a família sofre mais não é pela saída do armário em si, mas pelo medo de o que o filho irá sofrer fora de casa.”

Avelino Mendes Fortuna, 60 anos, viúvo e agrimensor aposentado, conhece com profundidade as dores da LGBTI-fobia: seu filho foi assassinado em 2012, em um crime com sinais claros de fundo homofóbico. Lucas Fortuna era jornalista, ativista LGBTI e árbitro esportivo. Ele tinha apenas 28 anos – e apesar de ter sido mais um jovem a entrar para as estatísticas da LGBTI-fobia no Brasil, Avelino se recusou a deixar a memória do filho desaparecer. Desde então, é também ativista pelos direitos humanos das pessoas LGBTI.

Rebecca sabe que sua história de superação pessoal – e mesmo o final redentor com a família – pode ser exceção e não é a realidade de muitas outras pessoas LGBTI. “Cada um tem um jeito, e eu não digo que quando eu saí de casa foi a coisa mais maravilhosa do mundo. Mas em face de algo com o que eu não conseguia mais lidar, eu consegui reagir a várias coisas. E sei que isso também afetou a minha família.”

A discriminação e a violência sofridas no ambiente familiar, ou mesmo  o corte de relações, impõe um sofrimento emocional e psicológico que muitas vezes impele as pessoas LGBTI  a uma situação de vulnerabilidade e marginalização, inserindo-as em um ciclo de exclusão social e de pobreza.

Especialista independente

A ONU reconhece que a orientação sexual e a identidade de gênero, reais ou percebidas, são fatores importantes que estruturam, informam e reforçam desigualdades e impactam negativamente a fruição plena dos direitos humanos da população LGBTI.

Em 1994  o primeiro órgão das Nações Unidas pronunciou-se oficialmente, reconhecendo que a orientação sexual poderia ser considerada base para discriminação, vedada pelo direito internacional dos direitos humanos. Tratava-se do caso Toonen vs. Austrália, no qual o Comitê de Direitos Humanos recomendou a revogação de legislação que criminalizava relações consensuais entre adultos do mesmo sexo na Tasmânia.

Desde então muitos avanços já foram feitos. Em 2016, a ONU criou um cargo de especialista independente voltado para a proteção contra a violência e a discriminação motivadas por questões de orientação sexual e identidade de gênero.

Vitit Muntarbhorn foi apontado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para o cargo, cujo mandato é de três anos, para monitorar a situação de pessoas LGBTI no mundo inteiro, investigando  violações de direitos humanos e avaliando a implementação de mecanismos internacionais de proteção aos direitos humanos já existentes. Apesar de ainda não dispor de uma legislação específica que tipifique e preveja uma punição a crimes de ódio de fundo LGBTI-fóbico, o Brasil foi um dos signatários da proposta.

Em discurso proferido no Conselho da Europa, em Estrasburgo, em novembro deste ano, o especialista independente definiu os cinco temas prioritários do  mandato: descriminalização; despatologização; reconhecimento de status; liberalização cultural e incentivo à empatia por meio de processo educacional; e socialização sensível aos direitos humanos, da infância em diante.

“O turbilhão de violência e discriminação, em suas múltiplas formas, frequentemente inicia-se em casa, na escola, na comunidade e no ambiente ao redor, com violações reproduzindo violações”, disse Vitit Muntarbhorn. Ele é professor de direito internacional em Bangkok e já trabalhou em diversas Comissões da ONU.

Saindo do armário

Mães Pela Diversidade é um grupo de mães e pais de pessoas LGBTI que perceberam que se aliar ao enfrentamento à discriminação com base em orientação sexual ou identidade de gênero era a melhor forma de garantir os direitos e a segurança dos seus filhos e filhas. Avelino Mendes, também integrante do grupo, carrega consigo uma mensagem poderosa e direcionada especialmente aos pais: “O pai que não sai do armário é co-responsável pela assinatura do atestado de óbito do filho”.

O grupo acolhe mães e pais que têm dificuldade para aceitar filhos e filhas LGBTI, além de também atender lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, pessoas trans e intersex que se veem em uma situação difícil em casa. “O mais importante no nosso trabalho é a construção de redes de atenção e acolhimento, pois nem sempre as famílias estão tão presentes e as pessoas muitas vezes têm necessidades imediatas, como nos casos de violência grave em que é preciso intervir”, diz Mônica, integrante do grupo.

Produtora e professora de música em Brasília, Mônica é mãe de quatro mulheres e as gêmeas Guaia e Marina são lésbicas. “A acolhida familiar é fundamental para a estrutura da pessoa. Se você tem uma família que não te aceita, é muito pouco provável que você tenha força e energia para se colocar para a sociedade como um todo. O núcleo familiar, seja ele qual for, é essencial para dar essa força. E isso não só para as pessoas LGBTI, mas para qualquer outra pessoa”, afirma Mônica. Segundo Guaia, o apoio da mãe foi essencial quando teve o primeiro relacionamento com outra mulher, cuja família era conservadora. “A acolhida que eu tinha em casa me fortaleceu diante dessa situação e dizer que eu não iria aceitar ser escondida”, ela diz.

Ângela, mãe de Thaís e também parte do Mães Pela Diversidade, destaca o papel fundamental que as famílias de pessoas LGBTI devem ter no combate à discriminação com base em orientação sexual ou identidade de gênero. Para ela,  rejeição e violência não podem começar em casa. “A família deve amar, acolher, respeitar. E lutar para que seus filhos e filhas tenham direitos iguais, tenham segurança, possam ser quem são e amar quem desejam. Pais e mães precisam rever seus preconceitos e entender a necessidade urgente do apoio para seus filhos e filhas LGBT”, afirma.

Ana Carolina tem 33 anos, é formada em Serviço Social e atua como gestora pública, coordenando um Centro de Referência Especializado da Diversidade Sexual, Étnico-Racial e Religiosa. Ela se identifica como lésbica não-binária e é filha de Ana Maria. “O respeito sempre esteve na nossa casa. É muito emocionante ter uma mãe como a minha, um pai como o meu e uma irmã, e formarmos essa família”. Ana Carolina diz que se emociona ainda mais quando a mãe se refere a Cíntia, sua companheira, como mais uma filha.

Patrícia, jornalista e pesquisadora em Brasília, é também mãe de Bruno, gay e estudante, que se abriu para ela em 2015, quando tinha apenas 15 anos. A partir daí, ambos se engajaram na promoção dos direitos das pessoas LGBTI. Bruno, que está no ensino médio, começou um movimento para discutir gênero e orientação sexual na escola. “Minha militância vem do fato de eu ser homossexual. Não é que o meu grito seja maior que o dos outros. É uma questão de respeito por quem morreu para eu poder estar aqui hoje e andar na rua de mãos dadas com meu namorado”, ele diz. E Patrícia, que hoje também é uma Mãe Pela Diversidade, diz que o filho nunca teve problemas em saber quem era e sempre esteve confortável na própria pele. “Todo mundo tem suas idiossincrasias e seus tabus, mas nós tentamos viver com o mínimo de hipocrisia possível”, diz. “Ele está virando a pessoa que achávamos que ele ia virar. Uma pessoa atenta ao mundo e às coisas que podem ser melhoradas. Tenho orgulho dele”, afirma Patrícia.

Livres & Iguais é a campanha da Organização das Nações Unidas pela promoção da igualdade de direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, pessoas trans e intersex. Iniciativa inédita e global da ONU, reconhece que orientação sexual e identidade de gênero atuam como fatores que estruturam desigualdades sociais e impactam negativamente a fruição plena dos direitos humanos das pessoas LGBTI. Implementada no Brasil desde 2014, a campanha possui parcerias com a Prefeitura de São Paulo e com o estado de Minas Gerais, e conta com Daniela e Malu Mercury como suas Campeãs da Igualdade. Saiba mais aqui.

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Eu queria ter sido um gay de 15 anos

Por Marcelo Elídio
Publicado pelo site Tradicionalmente, em 8 de novembro de 2016

Eu morro de amores quando estou na rua e passa por mim um casal gay com 15 anos de idade, de mãos dadas. Com 15 anos eu estava tão confuso, reprimido, tão entorpecido, solitário, com tanto medo e tão deprimido, que eu nem lembro direito da minha vida naquela época. Então eu acho lindo quando eu vejo esses casais: eles já estão esclarecidos o suficiente pra ter uma adolescência mais normal.

Nessa idade, quando você é um gay que não se descobriu 100% ainda, parece que sua vida acontece em um universo paralelo ao das demais pessoas, da sua idade, ao seu redor. Todo mundo estava sorridente, tendo namorinhos, indo em festinhas, fazendo as coisas normais de adolescentes. E eu lá, sozinho em casa, chorando ouvindo música e lendo Flaubert. Pensando que eu era uma aberração, o único no mundo assim, tendo muita dificuldade em controlar minha ansiedade e projetar uma imagem que eu acreditava ser mais correta.

Ter 15 anos e ter uma consciência de si o suficiente para se entender como gay e ter um namoradinho é muito lindo. Economiza muita dor e sofrimento para aquele jovem. Aprendi muito levando socos da vida, mas teria aprendido mais coisas (e coisas mais legais) se meu ponto de partida fosse outro, se eu estivesse em um ambiente que me aceitasse melhor e mais cedo – ou se, pelo menos, tivesse sido impactado por mais imagens positivas da comunidade gay.

Quando a gente fala que representatividade é importante, é por causa disso. Não é para doutrinar ninguém, não é para a marca ou o programa de televisão pagaram de moderninhos, não é para ensinar as crianças a serem gays – isso não se ensina (do mesmo jeito que me ensinaram a ser hetero e desde sempre soube que não era pra mim isso). É para que esses jovens fiquem um pouquinho mais tranquilos com essa coisa dentro deles que causa tanta estranheza e que, por eles acharem que devem esconder, traz também tanta dor. É para ajudar a naturalizar algo que já existe nessa criança: ela mesma.

Acredite em mim: o preconceito e o ódio ao redor nos leva de cara a um caminho de auto-negação, pois queremos ser aquilo que os outros esperam de nós, e muita gente morre nesse processo, por dentro e por fora. Morrem pois matam sua essência, morrem pois se escondem atrás de hobbies e profissões e roupas e comportamentos que na verdade não gostam, morrem pois se matam. E morrem pois são assassinados também.

Quando você tem um segredo que pode te custar sua vida, não existe infância, não existe adolescência, não existe a vida direito. Eu me escondi na minha coleção de discos, mas tem gente que se esconde nas drogas, na criminalidade, na prostituição, e até na homofobia. A lista é infinita.

A próxima vez que você passar por um casal gay de 15 anos de mãos dadas na rua, lembre-se disso tudo que falei aqui. Não é por ser modinha, não é influência da novela e não é, necessariamente, um jovem sexualmente precoce. São apenas pessoas aprendendo, com erros e acertos, sobre o amor, sobre viver em sociedade, sobre ser humano, sobre ser quem elas são de verdade.

E, no meio do caminho, ainda dando a cara a tapa, mostrando pra esse mundo cheio de preconceito e ódio que mesmo que eles ainda não tenham se encontrado por completo, eles já sabem o lugar deles: onde eles quiserem estar.

Bravo! O comercial natalino que quebrou estereótipos da família tradicional

Publicado pelo portal Mega Curioso, em 14 de novembro de 2016

sainsburysA rede supermercadista Sainsbury’s, do Reino Unido, está dando o que falar desde o lançamento da sua campanha de Natal. A ideia era justamente representar a modernidade dos britânicos e deixar claro que toda formação familiar é válida e merece ser celebrada.

De acordo com uma declaração da rede sobre o comercial, a ideia era refletir na campanha o que já acontece na prática, todos os dias. Além de ter criado uma propaganda com foco na diversidade, mostrando casais homoafetivos, a marca chama as pessoas para contribuírem com doações – o dinheiro arrecado será revertido à Great Ormond Street Hospital Children’s Charity, que promove acomodação para as famílias de crianças internadas.

A música tema do comercial ficou por conta do talento de James Corden, e a letra fala sobre o melhor presente de Natal que, no final das contas, é realmente marcar presença entre os familiares e demonstrar amor, carinho e atenção. O que você achou?

 

Campanha aborda de forma inusitada o grave tema da intolerância homofóbica

(Reprodução/YouTube)

(Reprodução/YouTube)

O filme “Eu odeio berinjela”, criado pela OpusMúltipla para o Grupo Dignidade (organização pioneira na promoção da cidadania LGBT), foi escolhido pela Rede Globo para integrar uma ação da emissora para a promoção do respeito mútuo, veiculada nacionalmente a partir deste mês.

Com o mote “Você não precisar aceitar, mas deve respeitar”, o filme mostra de forma inusitada a importância de lutar contra a intolerância de qualquer espécie e ensina que o respeito é a melhor maneira de lidar com as diferenças.

O roteiro apresenta uma cena simples: um jantar em família onde a sogra oferece ao pretenso genro um prato que contém berinjela entre os ingredientes da receita. O jovem, logo após falar que “odeia berinjela”, imagina cometer uma série de atrocidades contra o fruto, que é cruelmente afogado, esfaqueado, pisoteado, caçado e explodido.

Ao voltar à vida real, um simples “não, obrigado” reforça a forma correta de lidar contra aquilo que se discorda. “Sempre achei suspeita a forma como alguns lidam com as diferenças, especialmente no que se refere a orientação sexual. O que justifica uma pessoa gastar sua energia para agredir, verbal ou fisicamente, alguém que não compactua com suas preferências? Talvez essa pessoa não esteja tão segura assim de suas escolhas”, reflete Renato Cavalher, criador do filme.

“Obviamente que podemos discordar do modo de vida de outras pessoas. Sou a favor de todos os direitos e da justiça. Não devemos discriminar e sim respeitar não apenas a religião e a cor, mas também a orientação sexual”, pontua Toni Reis, diretor executivo e fundador do Grupo Dignidade.

https://www.youtube.com/watch?v=shsBwphAOaI

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Agências da ONU e emissora de TV promovem luta contra racismo, machismo e homofobia

Campanha do UNICEF, ONU Mulheres, UNAIDS, UNESCO, Rede Globo, Anistia Internacional e outras organizações da sociedade civil quer ampliar debate no Brasil sobre direitos das mulheres, negros, LGBTI, idosos, pessoas com deficiência, soropositivos, entre outros segmentos vulneráveis a discriminação e preconceito.

Publicado pelas Nações Unidas no Brasil, em 10 de agosto de 2016

Para mobilizar a sociedade brasileira pela luta contra o racismo, a homofobia e o machismo, agências da ONU e a Rede Globo lançam a campanha “Tudo começa pelo Respeito”. A iniciativa vai ampliar a discussão sobre direitos das mulheres, idosos, LGBTs, negros, pessoas com deficiência, religiosos, soropositivos e públicos vulneráveis à discriminação e ao preconceito.

Com o apoio da ONU Mulheres, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da UNESCO e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), o projeto quer contribuir para o fortalecimento de uma cultura que não apenas tolera, como também respeita os direitos de todos.

A objetivo é ganhar espaço nas conversas em casa, no trabalho, na hora do lazer, em todos os momentos e lugares em que haja espaço para a reflexão.

A campanha será dividida em duas fases: a primeira teve início em 28 de julho, quando o vídeo temático “Fio” começou a ser exibido na televisão e nas redes sociais da Globo. No filme, palavras como “assédio” e “violência” são formadas a partir do torcer e distorcer de uma corda, cujos movimentos transmitem a ideia do quão devastadoras podem ser essas atitudes.

Na segunda fase do projeto, a voz de organizações da sociedade civil que atuam na defesa de direitos humanos tomará as telas da Globo.

A emissora cederá espaço para a veiculação de filmes feitos em parceria com instituições como a Anistia Internacional, o Centro de Articulação para Populações Marginalizadas (CEAP), a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), a Central Única das Favelas (CUFA), o Grupo Dignidade, o Instituto Velho Amigo, a MetaSocial, o Movimento Down, o Instituto Sou da Paz e Viva Rio.

“Usando a imagem de um fio que desfaz um novelo, o filme nos mostra que o respeito é o fio inicial para chegarmos à #ZeroDiscriminação. Sem respeito, teremos violência, que afeta os mais vulneráveis”, afirmou a diretora do UNAIDS Brasil, Georgiana Braga-Orillard.

“A campanha demonstra que cada um de nós pode desfazer esse novelo – em casa, na escola, na comunidade, no trabalho e nas também nas áreas de atuação e influência política. Tudo começa pelo respeito.”

Para a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, desigualdades estruturais precisam ser enfrentadas e contar com o apoio dos meios de comunicação, para conscientizar a sociedade e informá-la com qualidade. “O respeito começa com a garantia de direitos de equidade real entre as pessoas, com a sua representação social e midiática constante e em pé de igualdade”, disse.

“O racismo e o sexismo têm imposto condições de vida cruéis para as mulheres negras, como mais exposição a múltiplas formas de violência de gênero e racial e efeitos na educação, saúde, trabalho em suas vidas, de suas famílias e de suas comunidades”, alertou.

Gasman também afirmou que “mulheres indígenas são vistas como menos importantes e poucas pessoas se mobilizam na defesa dos seus direitos e de seus povos” e destacou ainda que a “lesbofobia e homofobia revelam outra face da violência que ameaça a existência das pessoas como elas são na diversidade”.

Para a representante da ONU Mulheres, a produção televisiva “fica muito mais potente e inovadora se realmente partir da pluralidade do material humano que o Brasil tem e enfrentar as desigualdades seculares que têm efeito nas vidas destas e das futuras gerações”.

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Campanha da ONU homenageia pais que perderam seus filhos e filhas por conta da LGBTI-fobia

Publicado pelas Nações Unidas no Brasil, em 13 de agosto de 2016

Lucas Fortuna tinha apenas 28 anos quando foi assassinado, vítima da homofobia. Foto: Facebook de Avelino Mendes Fortuna/Reprodução

A Livres & Iguais no Brasil, campanha das Nações Unidas pela igualdade de direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, pessoas trans e intersex (LGBTI), lança neste Dia dos Pais o vídeo “Avelino, o pai de um milhão”. O material conta a história de Avelino Mendes Fortuna, cujo filho, Lucas Fortuna, foi assassinado em 2012, vítima da homofobia. Avelino diz que perdeu Lucas, mas que a militância pelos direitos das pessoas LGBTI o fez ganhar milhões de filhos e filhas em todo o Brasil.

Avelino Mendes Fortuna tem 60 anos e é de Goiânia (GO). Viúvo e agrimensor aposentado, teve três filhos. O mais velho deles, Lucas, foi assassinado em 2012, levado pela homofobia. Ele tinha apenas 28 anos. Lucas era jornalista, ativista LGBT e árbitro esportivo. Adorava vôlei e o que mais gostava de fazer era trabalhar com pessoas portadoras de deficiência. Foi assassinado meses antes de celebrar mais uma conquista na sua carreira: tornar-se árbitro nacional. Seu sonho era arbitrar um jogo durante as Paralimpíadas. Apesar de sinais claros de fundo homofóbico nas circunstâncias de sua morte, nunca foi reconhecido oficialmente que o crime foi motivado pela LGBTI-fobia.

Ainda que tenha sido mais um jovem a entrar para as estatísticas da LGBTI-fobia no Brasil, o pai de Lucas não se conformou em reduzir sua história a essa narrativa. Avelino decidiu usar tristeza e luto como matéria-prima para ação e luta. Desde então, é ativista pelos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, pessoas trans e intersex. Avelino é a prova viva de que a população LGBTI não é a única vítima das discriminações e violências baseadas em orientação sexual ou identidade de gênero: elas atingem também pais, mães, amigos, familiares e todos aqueles que estão ao redor de pessoas LGBTI.

Para além disso, muitas vezes, pessoas que não são LGBTIs, mas que são percebidas como tal, tornam-se também alvo de ataques ou agressões LGBTI-fóbicas. Em 2011, no interior de São Paulo, pai e filho foram espancados por um grupo de 20 pessoas ao andarem abraçados: os agressores acharam que eram um casal. Enquanto o filho teve ferimentos leves, o pai terminou com um pedaço da orelha decepado, arrancado por uma mordida.

Onde quer que vá, Avelino emociona a todos com a sua coragem, serenidade e generosidade em compartilhar a história do filho. Seu amor por Lucas fica estampado no rosto, nos gestos e nas palavras sempre que fala do filho, um sentimento que contagia quem quer que pare um instante para ouvi-lo contar a história. No dia das gravações, Avelino usava a camisa de árbitro do filho. A militância pelos direitos LGBTI acabou virando, para ele, um modo de manter viva a memória de Lucas. “Me sobrou essa tarefa de não deixar a luta dele morrer. A única homenagem justa e digna que posso fazer para ele e para a mãe é não deixar que a luta dele morra”.

Uma mensagem para os Pais de filhos e filhas LGBTI

Avelino com os filhos, Hugo e Lucas, à época com 1 e 3 anos, respectivamente. Foto: Facebook Avelino Mendes Fortuna/Reprodução

Integrante do grupo Mães Pela Diversidade, o foco do ativismo de Avelino é justamente as famílias de pessoas LGBTI, especialmente os pais, que muitas vezes apresentam maior resistência em aceitar um filho ou uma filha LGBTI. De acordo com ele, “o pai que não sai do armário é co-responsável pela assinatura do atestado de óbito do filho”.

O grupo Mães Pela Diversidade é composto por mães e pais de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas trans, que perceberam que se aliar ao enfrentamento à LGBTI-fobia era a melhor forma de promover os direitos de seus entes queridos e garantir sua segurança — além de ser a melhor declaração de amor que se pode fazer a um filho ou filha LGBTI.

Para a maior parte das pessoas, a família representa o primeiro e principal reduto de afeto, proteção e apoio. Todavia, para a população LGBTI, a instituição familiar pode ser, também, espaço de discriminação, violência e preconceito.

Ângela Moysés, mãe de Thaís Rodrigues e também integrante do Mães Pela Diversidade, destaca o papel fundamental que as famílias de pessoas LGBTI devem ter no combate à discriminação com base em orientação sexual ou identidade de gênero. Para ela, “essa rejeição e violência não podem começar em casa”. “A família deve amar, acolher, respeitar. E lutar, para que seus filhos e filhas tenham direitos iguais, tenham segurança, possam ser quem são e amar quem desejam. Pais e mães precisam rever seus preconceitos e entender a necessidade urgente do seu apoio para seus filhos e filhas LGBT”.

Avelino diz que perdeu Lucas, mas que a militância o fez ganhar milhões de filhos e filhas em todo o Brasil. Ele gostaria que todos os pais conseguissem entender que ter um filho ou filha LGBTI não é algo triste: “pode ser a maior alegria do mundo”.

Neste Dia dos Pais, a ONU Brasil, no âmbito da Campanha Livres & Iguais, presta uma homenagem a Avelino Mendes, assim como a todos os pais que, por conta da violência LGBTI-fóbica, não poderão estar com seus filhos e filhas.

A violência LGBTI-fóbica no Brasil

Apesar de não haver dados oficiais desagregados por orientação sexual ou identidade de gênero, relatórios de organismos internacionais e monitoramentos feitos pela sociedade civil indicam haver, no Brasil, altos índices de violência contra a população LGBTI.

De acordo com o Grupo Gay da Bahia, 318 pessoas foram assassinadas no país em 2015, em crimes de fundo homofóbico ou transfóbico (GGB, 2015). Seria um crime de ódio a cada 27 horas, motivado, pura e simplesmente, pelo fato de essas pessoas serem quem são ou expressarem seu amor. O mesmo relatório aponta que apenas 25% dos homicídios com fundo LGBTI-fóbico tiveram seus autores identificados, e menos de 10% deles foram processados e punidos.

Informações colhidas pela Secretaria de Direitos Humanos também apontam que a população jovem é a mais atingida pelos assassinatos por LGBTI-fobia: no ano de 2012, em mais de 35% dos casos, as vítimas tinham entre 19 e 29 anos (SDH, 2012). Dentre as violências mais relatadas, a agressão física é a mais frequente, beirando os 75% das denúncias. Dentre essas, o homicídio é a mais comum, seguido pela lesão corporal (SDH, 2012).

As estatísticas são ainda mais alarmantes para a população de travestis, transexuais e pessoas trans. O relatório da organização Transgender Europe aponta que entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2015, 802 pessoas trans foram assassinadas no Brasil, que possui o maior número absoluto desses casos no mundo inteiro: é o país que mais mata travestis, transexuais e pessoas trans (TGEU, 2016). Somente no ano de 2016, o monitoramento feito pela Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil (RedeTrans) indica que já houve 86 casos de assassinato, 30 tentativas de homicídio, 37 casos de agressão e 9 casos de suicídio (RedeTrans, 2016). Os dados foram atualizados em 8 de agosto.

Enquanto a expectativa de vida do brasileiro médio é de 75 anos (IBGE), a das travestis brasileiras não passa dos 35 (CIDH, 2015). Isso se deve, dentre outras coisas, às diversas violências e discriminações de cunho transfóbico sofridas por essa população. A discriminação e a violência sofridas no ambiente familiar, ou, ainda, o corte dessas relações, não só impõe um sofrimento emocional e psicológico às pessoas LGBTI, como muitas vezes as impele em direção a uma situação de vulnerabilidade e marginalização, inserindo-as em um ciclo de exclusão social e de pobreza.

Em 2015, o relatório do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) sobre discriminação e violência contra indivíduos baseadas em sua orientação sexual ou identidade de gênero, apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, afirmou que é uma responsabilidade dos Estados proteger os indivíduos LGBTI da discriminação e da violência inclusive na esfera familiar, na qual “rejeição, tratamento discriminatório e violência contra familiares LGBT e intersex podem ter consequências sérias e negativas sobre o gozo de direitos humanos”.

Exemplos de práticas discriminatórias e de violências contra pessoas LGBTI perpetradas no âmbito familiar podem incluir agressão física, estupro, expulsão de casa, exclusão de herança, proibição de ir à escola, internamento em instituições psiquiátricas, casamento forçado, perda da guarda de filhos ou filhas, punição por ações de ativismo ou ainda ataques à reputação pessoal. De acordo com o ACNUDH, “lésbicas, mulheres bissexuais e pessoas trans estão muitas vezes sob risco maior devido a desigualdades de gênero e restrições a sua autonomia em decidir sobre sexualidade, reprodução e vida familiar”.

Direitos humanos das pessoas LGBTI e a ONU Brasil

Em junho de 2011, o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas aprovou a Resolução 17/19, por meio da qual expressava “grave preocupação” com a violência e a discriminação contra indivíduos em razão de sua orientação sexual ou identidade de gênero. A Resolução abriu caminho para o primeiro relatório oficial das Nações Unidas voltado especificamente à população LGBTI, submetido pelo Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH), em novembro de 2011. Uma atualização do relatório foi apresentada ao Conselho de Direitos Humanos em 2015.

Para além de analisar a violência, as leis e práticas discriminatórias a que são submetidas a população LGBTI em todo o mundo, o documento reúne um conjunto de recomendações aos países membros da Organização das Nações Unidas em que se ressalta a obrigação de todos os Estados de proteger indivíduos da violência ou da discriminação com base em gênero ou orientação sexual, garantindo a efetividade e o gozo pleno dos seus direitos humanos.

A fim de criar uma sinergia de esforços nesse sentido, a Organização das Nações Unidas lançou, em 2013, a campanha Livres & Iguais, iniciativa global pela promoção da igualdade de direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas trans.

Em 2015, 12 agências, fundos e programas da ONU emitiram uma declaração conjunta incitando os Estados que tomassem medidas urgentes para dar fim à violência e à discriminação contra adultos, adolescentes e crianças lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersex (LGBTI). Dentre as medidas que os Estados devem aplicar para proteger pessoas LGBTI da violência, da tortura e dos maus-tratos, está a incorporação da homofobia e da transfobia como fatores agravantes nas leis contra crimes e discursos de ódio.

Em 2016, o Conselho de Direitos Humanos aprovou a criação de um cargo de especialista independente voltado para a proteção contra a violência e a discriminação motivadas por questões de orientação sexual e identidade de gênero. O Brasil foi um dos signatários da proposta. A decisão significa que a ONU terá um especialista em orientação sexual e identidade de gênero com o mandato de monitorar a situação de pessoas LGBTI no mundo inteiro, invetigando violações de direitos humanos dessa população e avaliando a implementação de mecanismos internacionais de proteção aos direitos humanos já existentes.

Os direitos humanos das pessoas LGBTI devem ser respeitados, garantidos e concretizados não só quando adultos são o alvo da LGBTI-fobia, mas também e principalmente quando crianças, jovens e adolescentes sofrem violências e discriminações por conta de sua orientação sexual ou identidade de gênero, real ou percebida. Isso sugere aos Estados o dever de prestar especial atenção às escolas e às famílias de pessoas LGBTI.

De acordo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), nenhuma pessoa — criança ou adulto — deve sofrer abuso, discriminação, exploração, marginalização ou violência de qualquer espécie por qualquer motivação, inclusive com base na sua orientação sexual ou identidade de gênero real ou percebida. Da mesma forma, a nenhuma pessoa deve ser negado qualquer um dos seus direitos humanos universais, liberdades e oportunidades básicas.

Em 2016, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e  Cultura (UNESCO) no Brasil reafirmou o seu compromisso com a garantia dos direitos da população LGBT e das mulheres. Para a UNESCO no Brasil, aprofundar o debate sobre sexualidade e gênero contribui para uma educação mais inclusiva, equitativa e de qualidade, não restando dúvida sobre a necessidade de a legislação brasileira e os planos de educação incorporarem perspectivas de educação em sexualidade e gênero.

Em uma pesquisa feita com pessoas LGBTI no Rio de Janeiro, nenhum dos entrevistados afirmou ter conseguido completar o ensino superior, e metade deles abandonou a escola antes de terminar os estudos. 87% deles relatou já haver sofrido discriminação por conta de sua orientação sexual ou identidade de gênero – 61% deles passou por essas situações na própria escola. 41% declararam não conseguir arcar com as despesas necessárias à subsistência. (MicroRainbow, 2015).

Apesar disso tudo, o Brasil ainda não dispõe de uma legislação específica que tipifique e preveja uma punição a crimes de fundo LGBTI-fóbico.

5 obrigações básicas dos Estados em relação à população LGBTI

  • Proteger indivíduos da violência homofóbica e transfóbica, inclusive por meio de legislação penal específica contra crimes de ódio
  • Prevenir a tortura e os tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes às pessoas LGBTI
  • Revogar leis que criminalizem a homossexualidade ou a transexualidade, incluindo todas as leis que príbem a conduta sexual privada entre adultos do mesmo sexo.
  • Proibir a discriminação com base em orientação sexual ou identidade de gênero, promulgando leis abrangentes que incluam expressamente esses aspectos como motivos proibidos para discriminação, especialmente no que tange ao acesso a direitos básicos, como emprego e assistência médica.
  • Proteger as liberdades de expressão, associação e reunião pacífica para pessoas LGBTI.

Livres & Iguais

A Livres & Iguais é a campanha da Organização das Nações Unidas pela promoção da igualdade de direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, pessoas trans e intersex. Iniciativa inédita e global da ONU, ela reconhece que orientação sexual e identidade de gênero atuam como fatores que estruturam desigualdades sociais e impactam negativamente a fruição plena dos direitos humanos das pessoas LGBTI. Implementada no Brasil desde 2014, a campanha possui parcerias com a Prefeitura de São Paulo e com o estado de Minas Gerais, e conta com Daniela e Malu Mercury como suas Campeãs da Igualdade.

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Mãe pela Diversidade, Angela Moysés emociona repórter com discurso contra o ódio em entrevista ao vivo

angelamoysesMãe de uma lésbica e integrante do grupo nacional Mães pela Diversidade, Angela Moysés apresentou um discurso comovente contra a LGBTfobia durante entrevista concedida na última segunda-feira, 13, ao programa Olha a Hora, da Rede TV, comandado por Luciano Faccioli.

A entrevista aconteceu durante vigília realizada em Brasília – onde Angela reside – contra o massacre na boate gay Pulse, em Orlando, no domingo, 12 de junho, em que 49 pessoas foram assassinadas e outras 53 ficaram feridas, algumas em estado grave.

Ao longo de cinco minutos o espectador é brindado com a voz gentil da entrevistada, mas também com uma fala espontânea, segura, densa e profundamente tocante, uma aula imperdível de respeito à diversidade. A sensibilidade do discurso de Angela Moysés, tomada de justificável emoção, deixa a própria repórter com voz embargada e sem palavras, além de arrancar elogios do âncora Faccioli.

Ao final, Angela conclama as famílias a sair do armário e a lutar por seus filhos e filhas. “Nós precisamos de todos nessa luta. Nós precisamos de nossas filhas e filhos vivos. Nós precisamos do fim do discurso de ódio. Um discurso de ódio feito num palanque ou num púlpito está matando nossos filhos e filhas. É este discurso que estimula pessoas a odiarem, a considerarem nossos filhos e filhas abominações. Não são. São pessoas, como todas as outras, dignas de viver”, concluiu.

https://www.youtube.com/watch?v=pFE7Yxfymco

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Após censura do Facebook, cineasta lança novo vídeo contra a cultura do estupro

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Cena enxertada no trailer após imposição de censura pelo Facebook

No último dia 29, o cineasta Adriano Big lançou um trailer do conceituado documentário “Para além dos seios”, com passagens do filme que colocam em perspectiva a cultura do estupro e o reproduziu no Facebook. Por conter cinco segundos de seios femininos à mostra, contexto totalmente integrado à obra, Big teve o trailer excluído da rede social três dias após sua divulgação. Além disso, sua conta e a página do filme na mesma rede foram bloqueadas por uma semana, como punição por não estarem de acordo com normas de publicação.

Em resposta à exclusão da primeira postagem, o diretor lança agora “A cultura do estupro – Versão censura”, novo trailer em que ele próprio expõe o seu peito nu, em novo recorte no qual acata os ditames da censura e problematiza a sexualização do corpo feminino e o conceito de obsceno. Confira abaixo as duas versões, antes e depois da proibição imposta pelo Facebook.

O filme “Para além dos seios” continua em exibição no Cinema da UFBA, em Salvador, diariamente às 14h, e no próximo dia 10 completará três meses em cartaz, impressionante marca para uma produção local que sobrevive bravamente sem recursos de divulgação. A sala de cinema do Circuito SALADEARTE fica na av. Reitor Miguel Calmon, s/n., no Vale do Canela, em Salvador, ao lado das Faculdades de Educação e Administração da UFBA.

PARA ALÉM DOS SEIOS – TRAILER 2 – A CULTURA DO ESTUPRO

PARA ALÉM DOS SEIOS – TRAILER 2 – A CULTURA DO ESTUPRO – VERSÃO CENSURA

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Facebook bloqueia vídeo contra estupro e aceita discurso intolerante

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Cena do vídeo contra a cultura do estupro
que foi excluído pelo Facebook

O cineasta Adriano Big, diretor do documentário “Para além dos seios”, divulgou um novo trailer do filme que está em cartaz no Cinema da UFBA, em Salvador. Desta vez, a intenção foi se somar às vozes contrárias à cultura do estupro, movimento que ganhou força em nível nacional após o estupro coletivo sofrido por uma adolescente de 16 anos, no Rio de Janeiro. Para sua surpresa, Big teve sua conta pessoal e o vídeo bloqueados pelos administradores do Facebook, onde foi veiculado.

A rede social justificou a exclusão do vídeo por conta da presença de cenas de nudez. Na verdade, são passagens de cinco segundos em que a câmera fecha em close nos seios das mulheres que apresentam seus depoimentos sobre violências sofridas ao longo da vida. Aliás, a ideia de fazer um novo trailer voltado a um tema tão apropriado para o momento casa-se perfeitamente com a proposta do documentário, que traz testemunhos de mulheres vítimas de violência sexual.

Curiosamente, a mesma rede social manteve uma publicação em que um dos seus usuários apresenta discurso intolerante e violento contra a notícia da mobilização do grupo Mães pela Diversidade na Bahia para instalação de um ambulatório transexualizador em Salvador, projeto essencial para a saúde, dignidade e sobrevivência de travestis e pessoas transexuais.

Em sua publicação, o sujeito que se identifica como “vereador” inverte valores e chama as mães e pais que apoiam o projeto de “preconceituosos e arrogantes”, bem como qualifica a ação como uma “insanidade”. Ao vomitar asneiras, ele afirma: “esses pais são uns merdas e acrescentaria doentes mentais, só provam que detestam os próprios filhos e aprovam que eles sejam escórias da sociedade. (…) Amanhã teremos escola para gays, casa para gays, pena que os pais pensam dessa forma, isso não é conquista é vergonha, vergonha de ter esses pais morando no Brasil, deveriam responder por crime. (…) Brigamos por democracia, não por merda boiando na privada”.

O que ele chama de “merda boiando na privada” é a luta legítima pela cidadania de pessoas cujo básico e constitucional direito à dignidade lhes é diuturnamente negado. A publicação foi denunciada por ativistas do movimento LGBT e por operadores do Direito. Uma dessas denúncias recebeu a seguinte resposta: “analisamos a publicação que você denunciou por apresentar discurso de ódio e descobrimos que não viola os nossos Padrões da Comunidade”.

Ao aceitar esse tipo de atitude reprovável, o Facebook valida e reforça o preconceito e a violência. Sem sombra de dúvidas, a rede social precisa mudar suas regras contra discursos de ódio, como já vem sendo noticiado. E urgentemente!

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O discurso intolerante que o Facebook mantém…

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…e alega não violar os seus padrões.

Transformista baiano é destaque em documentário de Sandra Werneck

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(Reprodução/Facebook)

Edson Júnior é o ator transformista que incorpora a personagem Scarleth Sangalo e foi escolhido pela cineasta Sandra Werneck para registrar sua história no documentário “Os outros”, que estreou nacionalmente no último dia 26 e, em Salvador, está em cartaz no Cinema do Museu, no Corredor da Vitória, em sessões às 16h15.

O documentário retrata o dia-a-dia de três artistas e suas reinvenções de grandes estrelas da música brasileira. Roberto Carlos é vivido por Carlos Evanney, Pepê Moraes ressuscita Cazuza e Ivete Sangalo é, por óbvio, o delicioso ofício de Scarleth Sangalo. O filme foi produzido neste ano e tem duração de 1 hora e 10 minutos. A censura é de 12 anos.

O propósito de Werneck foi encontrar “um cover o mais fiel possível ao artista”. Scarleth, porém, é taxativa ao afirmar que nunca teve e não tem a intenção de ser uma cópia de Ivete, mas sim incorporar a alma divertida, espontânea e original da cantora que tanto admira. A receita tem dado muito certo e conseguiu o reconhecimento da própria fonte inspiradora. Ok, aceitamos os argumentos, mas convém registrar que Scarleth tem um par de pernas que nos leva a associações inevitáveis.

Então anote:

“Os outros” (documentário)
Direção: Sandra Werneck
Diariamente, às 16h15, no Cinema do Museu
Av. 7 de Setembro, 2195, Museu Geológico, Corredor da Vitória. Salvador, Bahia.
Tel: (71) 3338-2241