C&A abre mil vagas para travestis e transexuais em todo o Brasil

Em parceria com a Transempregos, rede de lojas pretende diversificar seu quadro de funcionários.

Publicado pelo portal Gay1, em  29 de novembro de 2018

C&A abre mil vagas para pessoas trans em todo o Brasil. (Foto: Divulgação)

A rede de lojas C&A, em parceria com a Transempregos, está disponibilizando 1000 vagas de trabalho em todo o Brasil. A empresa procura promover a diversidade em suas lojas e está com vagas abertas também para pessoas trans. Segundo o anúncio das vagas, a empresa acredita na inovação e tendências democráticas da moda atual e por isso pretende diversificar seu quadro de funcionários.

A C&A é uma empresa multinacional holandesa que está no mercado mundial há mais de 175 anos. No Brasil, a marca já atua há mais de 40 anos onde a empresa conta com mais de 15 mil funcionários. As lojas espalhadas pelo Brasil já somam 270 unidades, e ainda a empresa conta com serviço de e-commerce que atende mundialmente.

Para concorrer às vagas da C&A é necessário atender a alguns requisitos. A empresa solicita que os candidatos tenham ensino médio completo. Além disso, a pessoa interessada deve ser dinâmica e pró-ativa, com interesse em estudar e se aperfeiçoar em cursos de moda. Se a candidata possuir experiência em atendimento ao cliente, será um diferencial. No entanto, a empresa não exige que a interessada tenha experiência.

Outras solicitações para preencher as vagas são iniciativa, protagonismo, isto é, que tenha habilidade na resolução de problemas. Além disso, é necessário que a candidata saiba compreender. Ouvir e aprender sempre mais com os problemas ou resoluções no ambiente de trabalho é essencial. A empresa busca ainda pessoas que tenham vontade de trabalhar e crescer, corrigindo erros e se aperfeiçoando para realizar as tarefas cada vez melhor.

Para se candidatar, basta acessar o site Vagas ou se candidatar pessoalmente em alguma loja da C&A diretamente no setor de Operação de Loja. As oportunidades estão disponíveis em todo o país.

Transempregos

Transempregos é uma organização que cria parceria com empresas para facilitar o acesso de pessoas trans ao trabalho. Desde o início de suas atividades, muitas pessoas já conseguiram postos de trabalho formais. Com o grande preconceito que ainda está nas instituições, a população trans encontra grandes dificuldades para conseguir um emprego.

PROTEJA: Rede de apoio a pessoas LGBT+ é lançada na Bahia

Ativistas sociais e representantes do Poder Público fundaram, no último sábado (17), a PROTEJA – Rede LGBT+ da Bahia, que tem por principal objetivo oferecer apoio e proteção a pessoas LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e demais identidades não hegemônicas) vítimas de ofensas, violências e violações de direitos no Estado da Bahia.

Por posições estratégicas que ocupam ou funções que desempenham, as(os) integrantes da nova rede pretendem contribuir com um atendimento emergencial, célere, objetivo e bem direcionado ao público-alvo. Recebidas as demandas, a rede Proteja analisará os casos, prestará as informações necessárias, encaminhará para as instâncias responsáveis por apuração e providências, bem como acompanhará os desdobramentos de cada um.

Para realizar uma ação de tal magnitude, a rede Proteja conta com a parceria de entidades como o Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT, Engaja – Núcleo de Empatia e Apoio Jurídico, Famílias pela Diversidade, Instituto Latino-Americano de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos e Mães do Arco-Íris, além de adesões voluntárias de advogadas(os), psicologas(os), líderes comunitários e ativistas LGBT+ que atuam de forma independente.

A rede também conta com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Bahia, Conselho LGBT do Estado da Bahia, Ministério Público Estadual, Defensoria Pública da Bahia, Defensoria Pública da União, Secretaria de Educação do Estado da Bahia, Secretarias de Saúde do Estado da Bahia e do Município de Salvador, Polícia Militar, Universidade Federal da Bahia e Fundação Gregório de Matos.

Até o momento, é possível entrar em contato direto com a rede Proteja pelo e-mail protejalgbtba@gmail.com e pela página no Facebook (https://www.facebook.com/protejalgbtba). Outros canais de comunicação serão criados em breve.

Mulher trans, bonita, inteligente, independente, à procura de um amor verdadeiro

Giowana Cambrone
Publicado pelo Observatório de Direitos Humanos, em 12 de junho de 2017

https://ladih.wordpress.com/2017/06/12/mulher-trans-bonita-inteligente-independente-a-procura-de-um-amor-verdadeiro/AMOR – Mulher trans, bonita, inteligente, independente à procura de um amor verdadeiro.

Imaginem um anúncio de classificados assim. Desses de correio sentimental e alguém que espera um amor. Poderia ser escrito por mim ou por tantas outras mulheres trans. Embora a busca por este amor idealizado exista, a caça do par perfeito seja comum, para muitas pessoas é inimaginável uma relação com um mulher trans que vá um pouco além do sexo.

Desafio aqueles que saírem para comemorar o dia dos namorados a procurarem nas mesas ao redor do seu jantar romântico um casal formado por um homem e uma mulher trans… ou em qualquer outro espaço que esteja. Não é impossível que aconteça mas a maioria das mulheres trans não receberão flores, nem presentes, nem declarações de amor… não serão levadas para jantar, e muito menos serão pegas após o trabalho para algum momento romântico além do sexo. Talvez até sejam procuradas para satisfazer o desejo sexual depois do sujeito já ter romantizado com a namorada ou com a esposa.

Aaaahh o amor… esse sentimento tão festejado em prosa e verso, é seletivo em relação a certos corpos e desejos. Não raro muitas mulheres negras, pessoas fora das medidas idealizadas, com algum tipo de discapacidade física, ou fora dos padrões de beleza compulsoriamente impostos, relatam a ausência de amor em suas vidas. Também é assim para muitas mulheres trans, e quando digo mulheres trans, me refiro a mulheres travestis e transexuais. E nesse dia dos namorados escrevo por fazer parte de um universo de mulheres que são impedidas de namorar, num território em que o tempo e as minhas experiências tem me permitido refletir e que compartilho trechos de um artigo que estou construindo.

Pelas minhas aventuras e desventuras amorosas tenho percebido que em minha e em outras vidas trans, o amor inexiste ou há presença de pouco amor, consistindo em uma das nossas verdades privadas mais perversas, que sequer é cogitada por outras pessoas, e quando o é raramente é discutido em público. Escreve-se e se discute sobre direitos, saúde, políticas públicas para pessoas trans… mas o amor nem é algo cogitado ou quando é se fala de forma muito tímida. Amar e ser amada não é uma tarefa fácil para travestis e transexuais, tanto nas suas intimidades quanto mais no seio social. Tanto não é fácil que, raramente nós, mulheres trans, falamos sobre nossas experiências afetivas e amorosas.

Baseio minhas reflexões no texto “Vivendo de Amor”, da feminista negra bell hooks para me aventurar a expor as venturas e desventuras emocionais daquelas que rompem com as estruturas normativas de gênero e ao mesmo tempo exercitar o desabafo pessoal de quem vivencia e sente no corpo e na alma essa ausência de amor. Em seu texto a autora apresenta o conceito que M. Scott Peck define o amor como “a vontade de se expandir para possibilitar o nosso próprio crescimento ou o crescimento de outra pessoa”, sugerindo que o amor é ao mesmo tempo “uma intenção e uma ação”.

Partindo dessa definição como base de reflexão, o amor é expresso através do que sentimos e de como agimos. Ao levar em consideração as vivencias de mulheres trans é possível perceber como se sentem frustradas como amantes. O sexismo, o machismo, as normas de gênero e a condenação social das sexualidades que fogem ao padrão heteronormativo tradicional, impõe condições difíceis, não impossíveis, para que mulheres trans possam cultivar o amor tornando-o presente em suas vidas. É necessário reconhecer que a opressão criada pela ditadura de normas distorce a nossa capacidade de amar, e impede a possibilidade de sermos amadas.

A prevalência da supremacia das pessoas cisgênero, aquelas que possui a sua identidade de acordo com o que se atribui ao sexo biológico, somada a histórica condenação das sexualidades dissidentes da norma heterossexual, estigmatiza e vulnerabiliza as vivências de pessoas trans, transformando os nossos corpos em manifestos políticos de luta pela sobrevivência e por direitos, mas também transforma nossos corpos em interditos ao afeto. Essa interdição por questões políticas impede que o sentimento do amor floresça bem como que sejamos destinatários desse sentimento pelos outros, interiorizando o sentimento de inferioridade em relação ao outro e que sentimos e vivenciamos.

Como aponta bell hooks, esse tipo de sistemas de dominação e opressão são muito eficazes pois ao alterar nossa percepção de nós mesmos, também modificam a nossa “habilidade de querer e amar”. Já foi dito por Janaína Dutra que mulheres trans “são ilhas cercadas por violências por todos os lados”, e essas violências diárias, não são somente as violências físicas que temos conhecimento pelas notícias e são facilmente identificadas e coloca o país no topo do ranking da transfobia, mas as violências silenciosas, protegidas pela intimidade ou pelos segredos de alcova, mas que causam feridas emocionais profundas que afetam nossa capacidade de sentir e consequentemente, de amar e de ser amada. A vontade de amar se torna nesse contexto ato de resistência onde descobrimos nossa incapacidade, ou impossibilidade, de dar e receber amor.

Nossas dificuldades com o ato de amar estão intimamente ligadas com a normatização das performances de gênero e da heteronormatividade. Não é novidade que historicamente utilizam o sexo como potente forma de diferenciação entre os sujeitos, normatizando nossos corpos, identidades, desejos e afetos impondo aquilo que é lhe atribuído a condição biológica. Essa construção histórica e social determina como os sujeitos devem ser, como devem se comportar e quem podem amar. E qualquer vivência divergente dessas imposições dá motivo para a exclusão e marginalização dos sujeitos que ousam fazê-lo.

Recentemente, a namorada de um amigo descobriu que ele a traiu com mulheres trans, os dois terminaram e depois tentaram reatar posteriormente. Me contou depois que ela superou a traição, mas não superava o fato de que tinha sido com uma mulher trans. Por mais que alguém diga que vê a mulher trans como uma “mulher normal”, no fundo, lá no mundo, a maioria das pessoas nos vêem como mulheres de “segunda categoria”. E a imagem do homem hetero que se relaciona com uma mulher trans fica tingida por uma mácula, uma rasura de não ser tão “homem” assim – hetero mais nem tanto – que o contamina com o medo e o receio do que vão falar dele, o que a família vai pensar, e quaisquer privilégios de “macho” que possa perder.

Essa imagem de “homem hetero” também é rasurada na identidade do sujeito. A construção da subjetividade heteronormativa é tão forte, que muitas vezes o homem fica em paranóia quando vivencia uma experiência fora dos padrões convencionados pela sociedade. Já aconteceu várias vezes depois do sexo, o homem me perguntar: “- e agora? O que eu sou?”, e eu respondo: “- o que sempre você foi”. O homem possui uma identidade heterossexual e apesar de estar ali sentindo atração pelo corpo feminino, pelo gênero feminino e ter tido prazer, por ter sentido tesão por um corpo fora do padrão considera a hipóteses de ter tido sua frágil heterossexualidade violada após o sexo, provocando o questionamento de ser ou não heterossexual. Seres humanos são mais do que as caixinhas estabelecidas como supôs a modernidade, a ciência e a medicina, e o desejo e o amor não obedecem uma lógica matemática a ser seguida conforme atribuição do sexo biológico.

Neste contexto, o impacto das normas de gênero e da heteronormatividade nas vidas e corpos das mulheres trans constitui a origem da dificuldade na arte e no ato de amar. Pessoas trans são excluídas e marginalizadas a todo tempo, e vitimizadas por tantas formas de violências todos os dias, experienciam um não-lugar no mundo que dificulta a compreensão daquilo que a gente chama de amor. Muitas mulheres trans são expulsas de casa, ainda na adolescência por não serem aceitas pelas famílias, e ganham como debutantes não uma festa, como sonha toda menina, mas uma calçada como ponto para se prostituir. Diferente de outros grupos populacionais que são estigmatizados, as pessoas trans não encontram acolhimento e esse amor incondicional idealizado que dizem existir nas famílias. Claro que há exceções de famílias que amam de tal maneira que buscam compreender e respeitar. Mas as normas de performance de gênero são tão potentes que transformam as pessoas que, em tese, deveriam se amar em algozes.

Só que os seres humanos não são uma equação matemática perfeita em que o resultado final será sempre o mesmo. O fato de uma criança ter nascido com um pênis ou uma vagina não pode ser determinante para a vida de um sujeito que é atravessado por “n” outras questões. Tal pensamento vigente impõe uma hierarquia do biológico sobre o humano, como se a genitália, e o significado atribuído a ela, fosse mais importante que o indivíduo. E quando, normalmente na adolescência, o sujeito rompe com essa lógica que transforma a construção-social de gênero em uma ditadura, e se apresenta outra identidade de gênero que não a esperada, rompem também laços familiares e afetivos. Casos de negação ou exclusão de mulheres trans pelas famílias não são raros, pelo contrário é comum a maioria das mulheres trans, não raro as famílias assumirem os discursos de negativa das identidades trans do tipo “amamos o fulanO, por isso não aceitamos que seja beltranA”, como se fossem pessoas distintas.

Mas para além do rompimento dos laços familiares, nesse cenário de negação e exclusão promove em muitos casos com que as primeiras experiências afetivas ou sexuais de mulheres trans se dão as margens, e travestis e transexuais aprendem por experiência própria, o quanto é difícil experimentar ou manter uma relação amorosa. É certo que muitas mulheres trans se sentem ansiosas para vivenciar relações de intimidade, compromisso e paixão, fora dos limites impostos para essa vivência, mas também é certo que muitas se encontram despreparadas para praticar a arte de amar. A ruptura de relações familiares, a invisibilidade das pessoas trans, o não-lugar do afeto em suas vidas, a objetificação sexual dos corpos, o modelo hierárquico de relações afetivas nos moldes heteronormativos, a necessidade de reprimir sentimentos para a sobrevivência poderiam ser alguns elementos que que criam essa dimensão.

Um dia conversando com minhas amigas Jaque e Karol, uma delas me disse “- Garota, não importa o quanto o homem diga que você é linda, inteligente e maravilhosa, ele nunca vai querer nada com você”; aquela frase me deixou curiosa e questionei como era isso já que eu estava entre duas mulheres muito bonitas. Carol me respondeu “- Somos as mulheres do mas Gi… se você não é operada ele vai dizer você é linda, maravilhosa, gostosa, inteligente e divertida, tem todas as qualidades que aprecio em uma mulher, mas não é operada. Se você é operada ele vai dizer você é linda, maravilhosa, gostosa, inteligente e divertida, tem todas as qualidades que aprecio em uma mulher, mas… não pode me dar um filho… mas a minha família não aceita… mas o que os outros vão pensar.” Na época eu estava casada e achei um exagero as colocações delas. Mas hoje, eu chego a me sentir muito mal quando sou excessivamente elogiada porque sei que serei um “mas”, para aquele homem que me leva para a cama, mas sei que seria incapaz de vir me cumprimentar em público ou que jamais me chamaria para tomar um vinho ou jantar.

Nas minhas últimas cinco relações afetivas, pude perceber as idiossincrasias do desejo e ao mesmo tempo da abjeção dos corpos trans, protagonizados por homens loucos de tesão e desejo e obrigados a negarem esses desejos; a gana dos amantes de mulheres trans (T-lovers) ou dos caçadores (T-hunters) que costumam negligenciar que atrás da pele, carne, hormônios e próteses tem uma pessoa sedenta de afeto e desejo; dos territórios de sociabilidade e desejo e a intensa objetificação dos corpos.

Valeu o textão e o desabafo mais ainda utilizar dessas vivências para refletir e escrever… Ainda sigo acreditando na possibilidade de amar e ser amada apostando em mais uma tentativa possível, entre o que vale se permitir ou até onde o coração aguenta, sabendo que hoje não receberei flores, promessas ou um convite para jantar, não receberei qualquer menção de afeto ou carinho além de um convite para o sexo, tudo por ser uma mulher do “mas”.


Giowana Cambrone é uma mulher trans, advogada, professora de Direito e está à procura de um amor verdadeiro.

Morre inventor da bandeira do arco-íris pelos direitos LGBT

Um amigo de longa data de Gilbert Baker anunciou a morte do inventor da bandeira em uma rede social

Publicado pela revista Exame, em 31 de março de 2017

http://www.ktvu.com/news/245480957-story

(Imagem: www.ktvu.com)

Gilbert Baker, um ativista e artista mais conhecido por criar a bandeira do arco-íris representando os direitos dos homossexuais, morreu aos 65 anos, anunciou seu amigo de longa data na mídia social nesta sexta-feira. “Meu amigo mais querido do mundo se foi. Clive Baker deu ao mundo a bandeira do arco-íris, ele me deu quarenta anos de amor e amizade”, disse Cleve Jones no Twitter. Nenhum detalhe estava imediatamente disponível sobre a causa da morte de Baker ou onde ele morreu.

De acordo com a biografia postada em seu site oficial, ele estava morando em Nova York. Baker, que nasceu no Kansas em 1951, se baseou em San Francisco no início dos anos 1970, enquanto servia o Exército dos EUA, no começo do movimento pelos direitos dos homossexuais. De acordo com a biografia do site, Baker começou a fazer cartazes para os direitos dos homossexuais e protestos contra guerras, muitas vezes a pedido de Harvey Milk, que se tornaria o primeiro gay assumido eleito para cargos públicos na Califórnia, quando ganhou a disputa de 1977 para um assento no Conselho de Supervisores de San Francisco.

Marca de canecas lança coleção em prol do projeto Mães pela diversidade; ajude

http://www.correio24horas.com.br/blogs/mesalte/wp-content/uploads/2016/07/caneca1.jpgPublicado por Jorge Gauthier*,
no blog Me Salte do portal Correio

Uma parceria super do bem vai ajudar um projeto incrível: Mães pela Diversidade!  A Sexto Sentido,  loja virtual de produtos eróticos, desenvolveu canecas que terão a venda revertida para o projeto que, segundo Inês Silva, coordenadora estadual do coletivo de mães, será usado para a atuação do grupo na parada LGBT da Bahia.

“Conhecemos o Mães pela Diversidade na Parada LGBT da Bahia do ano passado, nos identificamos muito com a causa e nos apaixonamos pela forma amorosa e orgulhosa que as mães e os pais do coletivo lutam por seus filhxs LGBTs, sejam biológicxs ou afetivxs. Desde então passamos a acompanhar mais de perto o trabalho do grupo aqui em Salvador, fizemos uma homenagem para elas no dia das mães, participamos (como ouvintes) de alguns debates sobre LGBTfobia e sempre nos colocamos à disposição para o que precisassem”, explicou a proprietária da Sexto Sentido, Thuane Daebs.

Para cumprir o desafio de escolher algo que contemplasse todos os gêneros, orientações sexuais, condições amorosas e todas as idade, elxs contaram o a ajuda do Ateliê Abelha Graciosa. As canecas tem  opções de frases (“Mais amor, menos preconceito”, “Família é amor” e “Tire seu preconceito do caminho, queremos passar com nosso amor”). Cada uma é vendida por R$ 35. Para comprar é só acessar o site da loja.

Jorge Gauthier
Jornalista, adora Beyoncé
e não abre mão de uma boa fechação!

mesalte@redebahahia.com.br

Defensoria Pública da Bahia abre concurso com cotas para negros e uso de nome social

(Imagem: Bahia Notícias)

(Imagem: Bahia Notícias)

A Defensoria Pública da Bahia publicou o edital para o concurso de defensor público nesta quarta-feira (29), após análise e aprovação do Conselho Superior da instituição. Pela primeira vez, o órgão destinará 30% das vagas para população negra, além de 5% para pessoas com deficiência. O concurso também aceitará nome social por travestis e transexuais. Outra inovação do edital é a ênfase em matérias humanísticas como filosofia jurídica, sociologia jurídica e a aplicação da disciplina história da Bahia.

As inscrições deverão ser feitas pela internet entre os dias 6 de julho e 4 de agosto, e o valor é de R$ 260,00. O concurso, que visa a preencher 17 vagas e formar cadastro de reserva, será realizado em quatro etapas: prova objetiva, prova discursiva de caráter específico, prova oral e avaliação de título. A primeira etapa está prevista para o dia 4 de setembro. Entre as exigências para concorrer a uma das vagas, está a comprovação de 3 anos de experiência jurídica na data da posse. O valor da remuneração de um defensor público de classe inicial é de R$ 20,4 mil.

De acordo com o defensor público geral, Clériston de Macêdo, com abertura do concurso, a instituição busca cumprir o que determina a Emenda Constitucional 80, “que é a interiorização da Defensoria Pública com mais defensores”.

A defensora pública e membro da comissão do concurso, Rita de Cássia Moure Orge Lima, considera que o edital é o resultado de um processo muito bem elaborado. “Nos reunimos algumas vezes, debatemos o conteúdo do edital e de forma coesa conseguimos chegar a um consenso sem maiores divergências”, considerou Rita Orge.

Para o subdefensor público geral, Rafson Saraiva Ximenes, “a realização do concurso para defensor público é uma necessidade da população baiana, que precisa dos serviços da Defensoria para ter acesso à justiça”. O último concurso da Defensoria foi realizado em 2010, e os últimos aprovados foram nomeados e empossados em 2015.

O edital do concurso pode ser conferido aqui.

Fonte: Bahia Notícias

Jornal A Tarde faz série de reportagens sobre vida de travestis; confira

Travestis pagam R$ 50 a cafetinas para ‘trabalhar’ na rua

Travestis l  – A difícil rotina dos que sobrevivem da prostituição

Andrezza Moura e Euzeni Daltro
Publicado pelo jornal A Tarde em 25 de novembro de 2015

Sabrina, que tem 18 anos, é de Aracaju (SE) e faz programas na orla da Pituba (Foto: Joá Souza l Ag. A TARDE)

A prostituição das travestis vai muito além do livre arbítrio de fazer o que quiser com o próprio corpo. Descer para a pista, em Salvador, está condicionado ao pagamento de R$ 50 por semana às cafetinas ou às pessoas designadas por elas para fazerem a cobrança. Quem não paga está passível de sofrer represálias.

A reportagem percorreu oito áreas de prostituição de travestis localizadas na orla, no centro e na Cidade Baixa durante a noite e a madrugada dos dias 2, 3 e 4 de outubro. E constatou um estruturado esquema de “cafetinagem” em sete dessas áreas. São elas: Avenida 7 de Setembro, Avenida Barros Reis, Dois Leões, Itapuã, Piatã, Pituba e Sete Portas. Entre as áreas percorridas pelos jornalistas, apenas no Largo de Roma não existe cafetina, conforme depoimentos das travestis que atuam nesse ponto.

Os relatos dão conta de que a cobrança por “pagar a rua” existe em todo o país e geralmente é feita às travestis que vêm de outras cidades ou estados. Daí o nome “pagar a rua”.

Travesti negocia com cliente no bairro da Pituba (Foto: Joá Souza l Ag. A TARDE)

As cobranças são feitas sempre na sexta-feira e, geralmente, são realizadas por outras travestis, prostitutas ou ex-prostitutas, acompanhadas por outras travestis e até mesmo homens que trabalham com elas. Mas quem controla o esquema não vai à rua cobrar.

“A cafetina vem, no carro, cobrar a pista acompanhada por mais cinco travestis. Se a travesti não tiver dinheiro para pagar, ela dá multa. Leva tudo que a pessoa tem. Se não tiver nada, descem as cinco [travestis do carro] para bater e até expulsar da pista”, contou uma travesti, que faz ponto na Pituba.

Na madrugada do dia 2 de outubro, uma sexta-feira, havia um carro preto com cinco travestis percorrendo as esquinas de prostituição na Pituba. E também uma travesti que percorria outros pontos a pé e, inclusive, conversou com a motorista do carro. Tanto esta última quanto a motorista do veículo vieram perguntar o que a reportagem estava fazendo.

“Eu já me prostituí, mas hoje faço um trabalho social com as travestis aqui na Pituba. Distribuo camisinhas e aconselho sobre sexo seguro e a importância de não se envolverem em brigas e crimes”, disse ela, ao mostrar uma sacola com dezenas de preservativos. A distribuição de camisinhas foi o mesmo argumento dado por uma suposta cafetina na Avenida Orlando Gomes, em Itapuã, no dia último dia 21. Ambas negaram a prática do crime.

Quem reside em casa de cafetina paga pela estada e não precisa pagar a rua. O pagamento também é semanal e varia de R$ 120 a R$ 150. “Quando a gente chega em um ponto, alguém vem logo perguntar ‘você é filha de quem? Está na casa de quem?’. Se for uma cafetina conhecida, ninguém mexe com você. Mas, se não for, corre o risco de pagar duas vezes. Paga na casa e paga aqui na rua”, contou a travesti Sabrina, 18 anos, que é natural de Aracaju (SE) e está na casa de uma cafetina na Praça Castro Alves, próximo ao cinema Glauber Rocha.

A travesti Ticiele, 21, diz que já foi agredida quando trabalhava na Pituba. Mas preferiu não entrar em detalhes. A agressão fez com que ela optasse por pagar a rua mesmo não sendo obrigada, pois é da cidade. “Eu cheguei nova. Pago a rua para as antigas não mexerem comigo, não ficarem pedido para eu pagar lanche e bebidas. Nada forçado, mas é um constrangimento. Para não acontecer dessas coisas, para não ser mexida por outras, eu pago a rua. Pago para ter segurança”, disse ela. Isso porque, se acontecer alguma coisa com as travestis na rua, as cafetinas tomam providências.

“O negócio da cafetina só é pagar. Se não pagar, elas viram monstro. O negócio é não ficar devendo a rua, não passar do dia. Se não pagar na sexta-feira e não respeitar o prazo que elas deram, ganha doce”, contou a travesti Adriquiele, 21, cujo ponto é no Largo de Roma. E doce pode ser uma agressão física, a exemplo de corte no corpo com estilete, ter os pertences roubados, ser alvo de fofoca ou até mesmo ser expulsa do ponto de prostituição.

Explorar prostituição é crime

Tirar proveito da prostituição alheia é crime previsto no Código Penal Brasileiro (CPB). A pena é reclusão de um a quatro anos e multa, para os casos em que o explorador participa diretamente dos lucros ou se sustenta, no todo ou em parte, por quem se prostitui.

Os delegados Adailton Adam, da 1ª DT (Barris), ACM Santos, da 12ª DT (Itapuã), e Nilton Tormes, da 16ª DT (Pituba), afirmaram ter conhecimento da prostituição nas áreas de responsabilidade das respectivas unidades policiais, mas afirmaram desconhecer a prática de “cafetinagem”.

“Vamos investigar”, afirmou ACM Santos. O mesmo foi dito pelo tenente-coronel Saulo Roberto, comandantes da 13ª CIPM (Pituba), pelo major Robson Pacheco, da 15ª CIPM (Itapuã), e pelo major Edmilton Reis, da 37ª CIPM (Liberdade).

Pontos de prostituição

Orla
Pituba: nos cruzamentos das ruas Maranhão, Pará e Espírito Santo com as avenidas Manoel Dias da Silva e Octávio Mangabeira.
Itapuã e Piatã: avenidas Dorival Caymmi e Octávio Mangabeira.

Centro
Avenida 7 de Setembro, próximo ao Relógio de São Pedro, Avenida Barros Reis, na ladeira de acesso ao bairro do IAPI, Dois Leões, e Sete Portas, nas proximidades da Ladeira Cônego Pereira.

Cidade Baixa
Largo de Roma, no cruzamento da Avenida Fernandes da Cunha com a Rua Frederico Lisboa. Esse foi o único trecho visitado pela reportagem em que não há atuação de cafetinas, conforme relatos das travestis.

Travestis vencem preconceito com profissionalismo

Travestis – A volta por cima das que disseram não à prostituição

Andrezza Moura e Euzeni Daltro
Publicado pelo jornal A Tarde, em 26 de novembro de 2015

Nickelly Nascimento (centro) trabalha com garçonete em um restaurante (Foto: Joá Souza | Ag. A TARDE)

Nickele Nascimento, de 31 anos, garçonete no restaurante Savanna Steakhouse, no bairro de Vilas do Atlântico, em Lauro de Freitas. Rosana Salvatore, 49, cabeleireira e artista performática. Além de travestis, as duas têm em comum o desejo de mostrar à sociedade que elas podem ser muito mais que corpos transformados nas esquinas das áreas de prostituição.

“Não vou dizer que nunca precisei, porque já fiz. Mas vi que isso não é para mim, que eu não nasci para me prostituir, mas para trabalhar, mostrar para que eu vim ao mundo.  Não vim só por vir. Vim para fazer a diferença. Gay tem que fazer a diferença”, afirma Nick.

Apesar de já ter dormido na rua e passado fome, Rosana nunca se prostituiu. “Nunca fiz vida. Eu não conseguiria me deitar com qualquer pessoa. O cheiro do outro é muito importante para mim. Acho humilhante alguém chegar para você e perguntar o preço”.

Para elas, a ausência de apoio da família, a falta de oportunidade no mercado de trabalho formal e a baixa remuneração são os principais motivos do ingresso das travestis na prostituição.

Nick conta que, por duas vezes, perdeu a vaga de emprego por ser travesti. Nos dois casos, ela conversou e marcou entrevista com os responsáveis por telefone. “Já estava tudo certo para eu começar a trabalhar. Mas quando viram que se tratava de uma travesti, rapidamente mudaram toda a história e me dispensaram”, lembra.

Nick é a primeira travesti a trabalhar no Savanna Steakhouse, em Vilas do Atlântico, e é apontada pelos donos e por clientes como uma das melhores funcionárias da casa.

Rosana ganhou o concurso de melhor dublagem em 1987 (Foto: Joá Souza Ag. A TARDE)

Um dos donos, o empresário Luiz Leão, 50, revelou ter ficado um pouco receoso, pois o restaurante está situado em um bairro de perfil conservador.

“As pessoas pensam que, por se tratar de uma travesti, vai se comportar de uma forma diferente. Mas não é isso que acontece. Nick é bem-educada, sabe atender, sabe se expressar. Só tenho elogios”, afirma Leão.

O profissionalismo da garçonete chama a atenção em situações inusitadas, como quando um cliente quis apertar os seios dela. “A todo o instante ela manteve uma postura profissional”, conta Leila Leão, dona e chefe do restaurante.

Uma vida de militância

Paulete Furacão, coordenadora do Núcleo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), acredita que a falta de oportunidade profissional para as travestis é um problema cultural.

Paulete é a 1ª travesti a assumir um cargo da Sec. de Justiça (Foto: Joá Souza l Ag. A TARDE)

“Elas precisam se alimentar, são expulsas de casa, ficam à mercê da sociedade. Então não há uma perspectiva de vida. É o único mercado que, na verdade, consegue absorvê-las, e isso acaba sendo cultural no meio das travestis. O mercado profissional não as absorve”, afirma.

Ela foi convidada para assumir a pasta em 15 de março de 2012 e, desde então, desenvolve um trabalho de formação de políticas públicas para igualdade de gênero e combate à violência. Mas desde os 15 anos de idade, Paulete milita na causa LGBT com o intuito de dar visibilidade aos casos de discriminação e garantir inserção social desse grupo.

Preconceito leva a agressões e causa prejuízos

Travestis – Relatos de quem já foi ou é vítima de atitudes hostis

Andrezza Moura e Euzeni Daltro
Publicado pelo jornal A Tarde, em 28 de novembro de 2015

A atitude de colocar a primeira roupa de mulher, aos 12 anos, deu início a um processo de autoafirmação, mas também desencadeou uma série de agressões físicas e psicológicas por parte da família. Sobretudo da mãe, que não aceita o único filho como travesti e o colocou para fora de casa. Nicole tem 14 anos de idade e se prostitui desde os 12, quando foi expulsa da casa da família por assumir sua atração por homens.

“Aí meu avô passou a me agredir depois que soube que era travesti, que gostava de homem. Ele raspava minha cabeça, batia em minhas pernas com pau e me obrigava a jogar futebol”, contou. “Ele dizia que ter uma pessoa como eu na família era uma vergonha”, completou a adolescente.

Segundo ela, o avô mudou e passou até a defendê-la, após intervenção do Conselho Tutelar. E hoje é quem tenta convencer a mãe a aceitá-la dentro de casa. “Vim para a pista por ‘precisão’ porque, às vezes, não tinha nem o comer”, disse. Ela se prostitui no Largo de Roma e, vez ou outra, vai para outros pontos, a exemplo da Barros Reis.

Na semana passada, a reportagem soube por outras travestis que Nicole estava afastada das ruas porque havia sido agredida pela cafetina que “cobra a rua” [taxa semanal para as travestis poderem trabalhar na rua] na Barros Reis, Dois Leões e Sete Portas.

“Ela queria que Nicole colocasse R$ 20 de crédito no celular dela. Eu tomei as dores e bati boca com a cafetina, mas ela sacou um estilete e cortou a perna de Nicole. Foi um corte grande e feio”, contou uma travesti, sob anonimato.

Essa mesma cafetina ameaçou a reportagem na noite do dia 30 de outubro no trecho de acesso à ladeira do IAPI, na Barros Reis. “Se sair alguma coisa sobre mim no jornal, eu vou invadir a casa de vocês e matar todos os familiares”, gritava a suposta cafetina, enquanto tomava uma dose de conhaque puro.

Assim como Nicole, a travesti Marta Sá já sentiu na pele o que é a violência familiar. Hoje, aos 60 anos, ela vive um drama gerado pela intolerância das ruas. “Foi o dia mais feliz da minha vida. Durou pouco…”, lamentou a travesti Marta Sá, 60 anos, diante da casa em ruínas, onde morava e mantinha um pensionato.

O imóvel, localizado na esquina da rua da Poeira com o beco do Vintem, na Baixa do Sapateiro, foi incendiado na madrugada do dia 9 de setembro de 2013. O homem a quem ela negou o aluguel de um quarto é o suspeito de ter praticado o crime.

Após perder casa onde mantinha pensionato, Martinha sobrevive graças a amigos (Foto: Joá Souza l Ag. A TARDE)

“Tantos esforços que eu fiz, tanto trabalho que eu tive para juntar dinheiro para comprar esse imóvel e, por questão de homofobia, olhe como está”, lembra. Martinha, como é conhecida,  acredita que o crime foi motivado pelo fato de ela ser uma travesti pois o suspeito disse: “Se eu pudesse, vocês ‘viados’ morriam assim, todos queimados”.

Desde então, ela vive e come de favor na casa de amigos e luta para conseguir reformar o imóvel e poder voltar a morar lá. Isso porque, Martinha sempre se preocupou em ter uma casa onde pudesse viver com segurança e um pouco de conforto na velhice.

Ela buscou ajuda para reformar a casa em vários órgãos públicos. Mas sem sucesso. O IPAC e o IPHAN informaram que o imóvel não é tombado e nem está em área de tombamento. “Eu queria que alguém fizesse uma campanha para me ajudar”, apelou.

O imóvel Nº 9 da rua da Poeira representa o trabalho de uma vida inteira como prostituta em busca de segurança, inclusive em países da Europa. E é justamente a esperança de ver a casa reformada que lhe dar forças para continuar, apesar das dificuldades. “Eu já pensei até em me suicidar”, disse emocionada. Ela revelou ainda sofrer de uma doença incurável.

Tiros de chumbo

Na Pituba, moradores de quatro prédios localizados na Avenida Manoel Dias da Silva, externaram o preconceito contra as travesti por meio de tiros de chumbo. De cima dos edifícios, jovens atiram nas travestis que ficam no trecho entre as ruas Pará e Maranhão.

Tanto Lohainy, 20, quanto Isabela, 21, afirmam já terem sido ferida na perna por esses tiros. “Fiquei assustada, quando vi o sangue escorrer. Incomoda e dói muito”, afirmou Lohaine. Já Isabela, 21, conta que, certa vez, um dos tiros só não acertou o olho porque ela estava com óculos.

“É horrível. A bolinha fica presa na perna da gente. Eu trabalho no Itaú. Não posso ficar lá porque os tiros vêm no meu rosto. São dois ‘playboyzinhos’. Fico da árvore para lá. Se a agente apontar na esquina, eles atiram. Isso é preconceito. É homofobia. Eles estão impedindo a gente de trabalhar, associando a prostituição ao que querem”, conta Isabela.

As agressões com tiros de chumbo começaram em agosto e, como permaneceram, algumas travestis procuraram o Núcleo LGBT da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), coordenado pela também travesti Paulete Furação.

Segundo ela, houve uma reunião com três travestis vítimas dessa violência, representantes dos condomínios e o coronel Ramalho Neto, da Superintendência de Prevenção à Violência, da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA). “Solucionamos essa questão por meio de conciliação. Acionamos os síndicos, que acionaram os moradores”, informou Paulete Furacão.

Como se não bastasse, as travestis ainda são alvo de homens que param os carros como se estivessem interessados em fazer um programa, mas as agridem com extintor de incêndio quando elas se aproximam. Na noite do dia 2 de outubro, um homem em um carro branco as agredia dessa forma nas ruas da Pituba.

Isabela: tiros de chumbo começaram em agosto (Foto: Joá Souza l Ag. A TARDE)

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Trans brasileira estrela campanha de cosméticos

Conheça Maria Clara Araújo e entenda suas ideias e ideais: precisamos questionar porque as pessoas trans não estão convivendo com a gente no dia a dia

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Maria Clara fez campanha para a Lola Cosmetics (Divulgação/Facebook)

Vinícius de Melo (entretenimento@band.com.br)
Publicado pelo portal Band, em 23 de agosto de 2015

Maria Clara Araújo ficou conhecida nas redes sociais por sua militância na questão trans. Recentemente, ela anunciou que vai ser o rosto da nova campanha de maquiagem da marca Lola Cosmetics.

Ela se torna, assim, a segunda mulher trans no mundo a representar uma marca de maquiagens e a primeira no Brasil. Em uma conversa franca com o Portal da Band, Maria Clara falou sobre a importância da representatividade e da extensão de sua militância para outras plataformas.

Ela também comenta as conquistas das pessoas trans, como o programa Transcidadania de São Paulo, fala da humanização das pessoas trans e relata os próximos desafios de sua militância.

“Acho extremamente importante, a partir desse meu pioneirismo no Brasil, nos questionar porque as pessoas trans não estão convivendo com a gente no nosso dia a dia. Por que essas pessoas não estão em nossas universidades, não estão em trabalhos formais?”, questiona.

Confira abaixo a entrevista completa com Maria Clara:

Você poderia contar como foi feito o convite para você se tornar garota propaganda de uma marca de cosméticos? Como aconteceu?

Pelo que me passaram, a filha da diretora da empresa me acompanha nas redes sociais e falou muito de mim para a mãe dela. Então, quando surgiu a ideia de fazer um editorial para o lançamento da marca de maquiagens, a Lola tentou se firmar mais ainda como uma marca que busca uma pluralidade dentro da categoria mulher. Enquanto marca de produtos para cabelo, elas sempre tentaram trabalhar itens que fossem úteis para todos os tipos de mulher: cabelos cacheados, cabelos alisados, cabelos lisos e afins. E, dentro da marca de maquiagem, elas queriam continuar explorar isso. Então elas pensarem em ter uma garota trans como uma das meninas propagandas para continuar esse trabalho de diversidade, da pluralidade. Para entenderem que somos muitas e com diferentes demandas nessa questão estética.

Quando você recebeu esse convite, foi uma surpresa? Como foi a sua recepção?

Foi uma surpresa para mim porque eu sou militante, eu sou escritora, eu sou uma pensadora – digamos assim. E eu nunca havia feito fotos de uma forma profissional. Então, de primeira instância, toda a questão de ser modelo me deu uma surpresa. No entanto, quando eu cheguei no Rio de Janeiro [a sessão fotográfica foi realizada na capital carioca] e eu conversei com a Dione Vasconcellos, diretora da marca, e fiquei muito tranquila. Porque aí eu entendi a proposta que elas pensaram, que elas tinham, que é justamente trabalhar essa pluralidade, essa diversidade. Fazer uma marca mais inclusiva e trabalhar essa questão das mulheres invisíveis. Fiquei feliz com o convite. De certa forma, estou estendendo minha militância para uma área diferente.

Você acha que ser garota propaganda de uma marca de maquiagens dará melhor representatividade para as pessoas trans?

Dentro do nosso contexto brasileiro, a trans só é representada em contextos específicos que são: na delegacia, na questão de serem presas; na prostituição; e na ridicularização, em programas de humor e afins. Então quando a gente fala de uma mulher trans ser o rosto propaganda de uma marca de maquiagem, isso é algo muito importante para a representatividade. Ali não é a Maria Clara. É uma mulher trans que pode ser vista por outras meninas como uma representatividade boa. Elas vão poder ver algo bom sendo relacionado à questão da mulher trans e não mais a questão de morte, questão de criminalidade, de prostituição e afins. E isso é algo que precisa ser combatido. As nossas mulheres estão no ramo da prostituição porque elas não têm outra chance. Entende? Então, ver as mulheres trans em atividades como modelo, de ser o rosto de uma marca de maquiagem, é trazer humanidade para nós. Porque existe um contexto que leva essas meninas, como eu, a não serem modelos. Eu sou a segunda [mulher trans] do mundo a ser rosto de uma marca de maquiagem. Então, por que eu sou a segunda do mundo? Por que as pessoas nunca contrataram uma mulher trans para ser rosto de uma marca de maquiagem? Por que as pessoas evitam ter a sua marca relacionada à mulher trans? Então, eu fiquei muito feliz de trabalhar essa questão da representatividade, porque a gente deve continuar a visar representatividades boas para grupos de pessoas marginalizadas, que não são reconhecidos como seres humanos.

(Divulgação/Facebook)

Você também é ativista do movimento negro. Como está a situação da mulher negra no mercado estético?

No nosso contexto brasileiro, ou até mesmo no mundial, a gente tem um déficit muito grande de maquiagens para a pele negra. As mulheres negras não têm maquiagem para elas. A produção é muito pouca. Isso também é falta de representatividade. Nós não temos uma representatividade suficientemente boa da estética negra. Então, essas meninas, o que elas fazem? Elas alisam o cabelo, porque elas só veem as mulheres negras com o cabelo alisado e elas tendem a usar maquiagem – base, no caso – com dois ou três tons abaixo dos seus porque elas não encontram paletas de cores acessíveis para o tom de peles delas. Então, quando a gente fala de representatividade de uma mulher trans ser rosto de uma marca, a gente está falando também de acessibilidade. De uma menina trans estar vendo, eu no caso, e pensar que: ‘Nossa, eu também posso ser modelo. Essa menina está sendo reconhecida como ser humano. Então eu posso ser vista como ser humano. Eu sou ser humano’. O valor simbólico de eu ser uma garota propaganda é muito grande, é muito representativo. Principalmente dentro do contexto brasileiro, onde somos o país que mais mata travestis e transexuais no mundo.

O mundo está caminhando para a humanização da figura trans? Temos aí figuras importantes como Caitlyn Jenner e Laverne Cox…

É visível que as discussões sobre transexualidade estão se tornando emergentes. A gente vê aí, a cada quinzena, um debate sobre isso nas universidades. E há dois ou três anos não havia essas discussões. Isso, de certa forma, acontece não porque a sociedade está dando isso, mas porque tem gente pedindo e demandando. O programa de Transcidadania de São Paulo, por exemplo, não foi criado porque Haddad teve a ideia e criou. Foi mostrado para ele que havia uma defasagem de trans e travestis no âmbito educacional. Então, é algo mais conquistado do que dado. Acho que a visibilidade da população trans é algo mais conquistado do que dado. Então, particularmente, eu fico muito feliz que essa humanização da população trans tem se proliferado no mundo.

E, para você, qual seria a próxima fronteira que as pessoas trans têm de enfrentar para se integrarem de vez à sociedade?

Não seria uma próxima fronteira, mas acho que temos que trabalhar a questão de representatividade. Por que as pessoas trans não estão no cinema interpretando elas mesmas? Por que pessoas trans não estão trabalhando em bancos, em farmácias, supermercados? Acho extremamente importante, a partir desse meu pioneirismo no Brasil, nos questionar porque as pessoas trans não estão convivendo com a gente no nosso dia a dia. Por que essas pessoas não estão em nossas universidades, não estão em trabalhos formais? Perceber por que as pessoas trans como um todo – sejam transexuais homens, transexuais mulheres, travestis ou pessoas que se agrupam nesse termo – não estão no meio formal, no nosso dia a dia. É um questionamento que nos trará um resultado muito positivo.

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Homossexual assumido é nomeado CEO do HSBC na Europa

“Se não fosse gay provavelmente não seria CEO” disse António Simões a jornal português

Publicado pelo portal iGay, em 4 de agosto de 2015

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Português António Simões, homossexual declarado,
é nomeado CEO do HSBC na pasta europeia

O português António Simões foi nomeado nessa terça-feira (4) ao cargo de presidente executivo da unidade europeia do banco HSBC, maior instituição financeira do continente. Ele deixará a liderança na pasta do Reino Unido para exercer a nova função que será assumida a partir de 1º de setembro.

Homossexual declarado, Simões nadou contra a maré ao afirmar em janeiro deste ano para o jornal português “Expresso” que sua orientação sexual teria contribuido para que chegasse à posição que ocupa profissionalmente: “Se não fosse gay, não seria CEO do banco”.

Ele disse que a homossexualidade não seria uma desvantagem nem um fator neutro, como muitos imaginam, mas sim uma vantagem: “Ser gay tornou-me uma pessoa mais autêntica, com melhor empatia e melhor inteligência emocional”.

Na mesma entrevista, cita o livro “The Glass Closet” (O armário de vidro, em livre tradução) do executivo John Browne que comenta sobre a questão da homofobia no mundo empresarial. No entanto, ele contou nunca ter sido discriminado ao longo da carreira e disse acreditar na meritocracia: “Eu sempre pensei que a forma correta de pensar é acreditar que o sistema é suficientemente justo e que através de uma boa ética de trabalho, de uma boa educação e de algum esforço se acabará por se ser remunerado e recompensado através de progressão na carreira. Acho que é importante não ter uma atitude de vítima sobre este tipo de assuntos”.

O gestor português disse ainda que o mercado teria se tornado mais inclusivo do que era 30 anos atrás e que sabe da responsabilidade social que carrega como profissional para não deixar que a comunidade LGBT se deixe intimidar pelas condição sexuais de forma que esse fator seja um empecilho para o sucesso profissional.

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MP requer investigação sobre ofensas racistas a Maria Júlia Coutinho

Jornalista do Jornal Nacional foi ofendida em redes sociais. Órgãos do Rio e de São Paulo pediram acompanhamento do caso.

Publicado pelo portal G1 em 3 de julho de 2015

A jornalista Maria Júlia Coutinho
(Foto: Globo/Zé Paulo Cardeal)

O Ministério Público do Rio de Janeiro e o de São Paulo pediram a investigação das ofensas à jornalista Maria Júlia Coutinho publicadas por internautas na página do Jornal Nacionalno Facebook.

No Rio, por meio da Coordenadoria de Direitos Humanos, o Ministério Público solicitou à Promotoria de Investigação Penal que acompanhe o caso, com rigor, junto à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI).

Também haverá uma investigação sobre o caso em São Paulo.

O promotor Christiano Jorge dos Santos, da Promotoria Criminal do Fórum da Barra Funda, abriu um procedimento investigativo para apurar dois possíveis crimes: injúria ou racismo.

A investigação terá como base os prints dos comentários racistas feitos nas redes sociais.

Injúria

O crime de injúria está previsto no artigo 140 do Código Penal e consiste em ofender a dignidade ou o decoro de alguém “na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.

A pena pode chegar a três anos de reclusão. Se o promotor entender que houve racismo, os acusados podem responder pelos crimes previstos na Lei 7.716, de 1989.

Há várias penas possíveis para racismo, entre elas prisão e multa. O crime de racismo não prescreve e também não tem direito à fiança.

Comentários racistas

A produção do telejornal publicou no Facebook, na noite desta quinta-feira (2), uma foto da apresentadora diante do painel da meteorologia, com um link sobre a previsão do tempo para esta sexta (3).

Desde então, diversas mensagens ofensivas e de conteúdo racista têm sido direcionadas à jornalista nos comentários do post. Em outros comentários, algumas pessoas saem em defesa de Maria Júlia.

No Twitter, Maju respondeu um comentário agressivo de um internauta. Ela deu um reply e escreveu apenas: “Beijinho no ombro”.

Renata Vasconcellos segura cartaz em apoio a Maju
(Foto: Reprodução/Facebook/JN)

William Bonner e Renata Vasconcellos publicaram um vídeo no Facebook em que dão um recado, com a equipe do JN. Eles mostraram um cartaz e gritaram “somos todos Maju”. No Twitter, a hashtag #SomosTodosMajuCoutinho chegou ao topo dos tópicos mais comentados.

Em dezembro, Maju passou a informar a previsão do tempo no Hora 1, mas de uma forma diferente, mais conversada, como se estivesse na sala do espectador. Desde 27 de abril, está no Jornal Nacional.

Maria Júlia Coutinho, a Maju, em participação no programa ‘Altas Horas’ (Foto: Globo/Reinaldo Marques)

Galvão dá selinho em Pedro Bial e causa nas redes sociais

Publicado no portal UOL Esporte, em 26 de abril de 2015

(Reprodução/TV Globo)

(Reprodução/TV Globo)

Galvão Bueno e Pedro Bial deram um selinho nos bastidores do especial da Globo, que reuniu os 16 principais repórteres da emissora em 50 anos. A imagem foi exibida na noite de sábado no programa “Globo News Documento”.

Glória Maria fazia um discurso em uma sala do Projac quando a imagem foi cortada e Bial e Galvão se beijam sob os olhares atentos de outros repórteres. Em seguida a dupla dá risada e se abraça.

Claro que o selinho repercutiu muito nas redes sociais. A cena foi comparada com a novela Babilônia por diversas pessoas e não faltaram comentários bem humorados.

Durante toda a semana o “Jornal Nacional” relembrou as principais coberturas da emissora em 50 anos. Foram mostrados fatos jornalísticos como a chegada do homem à Lua, o impeachment de Collor, as passeatas de junho de 2013 e outros.

Na parte de esportes houve destaque para as Copas vencidas pela seleção brasileira e os títulos da Fórmula 1. A morte de Ayrton Senna teve espaço especial.

O projeto foi de William Bonner, que ancorou o programa, e reuniu nomes como Glória Maria, Pedro Bial, Sandra Passarinho, Tino Marcos, Fátima Bernardes, Galvão Bueno e tantos outros.

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Transexual supera abuso do pai e vira empresária marceneira de sucesso

Moradora de Itapetininga conta drama: “Transformou-me na mulher dele”.
Ela superou os obstáculos e obteve casa própria e estabilidade financeira.

Caio Gomes Silveira
Publicado no portal G1, em 14 de abril de 2015

“Amo o que faço e trabalho com muita honra”, ressalta Nilce Clayr (Foto: Caio Gomes Silveira/G1)

A transexual Nilce Clayr, de 45 anos, superou a infância traumática em Itapetininga (SP) e se tornou uma marceneira empresária bem-sucedida. Ela, que sofreu abuso quando criança, afirma que se dedicou muito para se manter em uma profissão tão masculina. “Fui abusada dos 9 aos 15 anos pelo meu próprio pai. Ele chegou a comprar uma cama de casal para que eu dormisse com ele no quarto, enquanto minhas duas irmãs dormiam em outro. Transformou-me na mulher dele depois que minha mãe saiu de casa para se prostituir, quando eu tinha 8 anos.”

Apesar das dificuldades encontradas logo cedo, a transexual encontrou na marcenaria, trabalho pesado que dá pouco espaço à feminilidade, uma oportunidade para ter uma vida confortável. Hoje, 23 anos depois de iniciar a carreira, tem o seu próprio negócio, comprou casa própria, carro e tem uma clientela fiel que só elogia o seu trabalho.

“Fui expulsa de casa no meu aniversário de 18 anos porque desde os 15 recusava a ter relações com meu pai, quando descobri que era errado. Apanhei bastante nesses três anos porque ele ‘bebia’. Quando atingi a maioridade, ele me disse que não tinha mais nenhuma responsabilidade. Fui embora levando só um colchão e fiquei em um cortiço onde dividia um único banheiro com oito famílias”, afirmou Nilce.

Para sobreviver, ela fazia bicos até conseguir um emprego em uma indústria da cidade. “Dois anos depois as coisas começaram a melhorar, mas quando comecei a tomar hormônios e ter seios, fui demitida da indústria, provavelmente pelo preconceito. Foi aí que surgiu a marcenaria na minha vida: trabalhei sem salário na oficina de um amigo por dois anos. Desde então nunca mais parei, amo o que faço e trabalho com muita honra”, conta a empresária.

Os obstáculos hoje em dia só valorizam as conquistas da marceneira, que tem clientes em toda região de Itapetininga. “Minha agenda sempre está lotada. Não tem faltado serviço, pois sempre quando acabo um, aparece outro. Sou muito cuidadosa, nunca me machuquei trabalhando em todos esses anos”, conta.

Apesar das dificuldades, Nilce diz que ainda tem vantagens por ser transexual. “É que as mulheres confiam mais em mim ao pedir um serviço do que se fosse para um homem, pois elas dizem que ficam mais à vontade. Aliás, nunca sofri preconceito por parte dos meus clientes.”

Trabalho árduo 

Na oficina em que trabalha, ela confecciona móveis e peças de madeira de todos os tipos. Conhece todas as máquinas com detalhes, e por meio delas já chegou a criar peças maiores, como um closet de cinco metros de largura por 2,75 metros de altura.

“Todos nós temos capacidade. Fico indignada quando transexuais dizem que não tiveram oportunidade e que a única saída é a rua, a prostituição. Elas não tiveram oportunidades porque não buscaram a qualificação. Não ganhei um curso para aprender marcenaria, mas eu fui atrás dessa oportunidade. Há muitas transexuais que reclamam do preconceito, mas se ficar andando pelada pela rua, mexendo com os outros e fazendo escândalo, ninguém irá te respeitar. Aqui no meu bairro saio na rua do jeito que for e ninguém me fala nada, pois não dou motivo e me dou ao respeito”, exclama a empresária.

Se a vida financeira anda bem, o lado pessoal, infelizmente, não. Nilce terminou recentemente um relacionamento de 16 anos. Solteira, agora ela está se recuperando da separação. Diz que não tem mágoa de ninguém, nem mesmo do pai que a abusou e da mãe que a abandonou. “Voltei a ter contato com meu pai quando ainda era vivo e o perdoei pelo que fez. Ele não tem culpa de eu ter me tornado transexual, pois nasci mulher em corpo de homem. Claro que não queria que minha primeira vez fosse com ele, mas são coisas do passado. Também perdoei minha mãe, pois ela foi embora também porque sofria, apanhava muito de meu pai.”

Concentração é fundamental para que as peças saiam bem feitas (Foto:Caio Gomes Silveira/G1)

Nilce já trabalha como marceneira há pouco mais de 20 anos (Foto: Arquivo Pessoal/Nilce Clayr)

Empresária abusa do “glamour” e da “feminilidade” durante o trabalho (Foto: Caio Gomes Silveira/G1)

Após abuso, Nilce alcançou sucesso profissional como marceneira (Foto: Arquivo Pessoal/Nilce Clayr)

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Jovem emociona ao relatar como disse ao irmão mais novo que é gay

Lucas, 23 anos, decidiu revelar sua orientação sexual para o caçula, de oito. ‘Amor?’, respondeu o menino, levando Lucas às lágrimas; leia o relato.

Paula Menezes
Publicado pelo portal G1, em 9 de abril de 2015

Lucas emocionou leitores ao contar sobre conversa com o irmão mais novo (Foto: Arquivo Pessoal)

Lucas emocionou leitores ao contar sobre conversa
com o irmão mais novo (Foto: Arquivo Pessoal)

O porto-alegrense Lucas Vasconcellos, 23 anos, virou protagonista de uma história de amor e compreensão após postar um texto na internet. O motivo do relato era bastante íntimo: sua orientação sexual. O ex-estudante de Letras e Fonoaudiologia contou para o irmão mais novo, de apenas oito anos, que é gay. A resposta foi tão surpreendente que o post, feito no dia 12 de março, tem mais de 4,4 mil curtidas e quase 600 compartilhamentos.

A decisão de contar a verdade para uma criança não foi fácil. Mas o caçula é uma das pessoas mais importantes de sua vida, aponta Lucas, e ser transparente com ele era um objetivo. A conversa começou quando os dois estavam assistindo a um programa infantil em que duas amigas dão um “selinho”. De maneira pedagógica, o jovem fez uma analogia entre as cores para fazer a revelação.

“Cada um tem suas cores. Há quem gosta mais de preto, ou branco, ou azul. E isso faz o mundo mais legal”, disse o mais velho, após colocar a televisão no mudo. “Tu sabes o nome que se dá a quem gosta de pessoas iguais? Homens que gostam de outros homens, e mulheres que gostam de outras mulheres?”, continuou, quando já estava prestes a contar.

“Amor?”, respondeu o menino, levando Lucas às lágrimas

O diálogo terminou com um abraço. A amizade entre os dois seguiu como sempre. Aliás, ficou até melhor. Para Lucas, poder dividir algo tão pessoal e receber uma resposta singela é gratificante.

“Me surpreendeu uma resposta tão sincera e pura. Ele quase nunca me vê chorando, dessa vez me viu e foi um momento de delicadeza e sutileza, com amor, respeito. Eu estava com medo de já terem dito para ele que isso é errado, algo assim. Mas ele é uma das pessoas mais importantes para mim, e se ele me desse uma resposta negativa o que eu esperaria do restante do mundo?”, avalia Lucas.

Os irmãos não moram juntos. A relação com os pais é complicada, por isso Lucas optou por viver na casa dos avós paternos. Ainda que a família apresente restrições, os dois procuram estar sempre juntos. Se divertem ao assistir televisão, brincar e sair para passear. Agora, sem segredos entre eles.

“Minha avó foi professora por 40 anos, então ela conviveu com a minha realidade, é aberta. Meus pais têm preconceito, meu outro irmão, de 18 anos, também”, lamenta. “Meus pais se separaram há um tempo, e me aproximei muito [irmão mais novo] por causa disso. Senti que ele estava com dificuldade de lidar. Nos divertimos juntos e desenvolvemos essa amizade”.

Maioria aprovou

Com tanta repercussão, o post teve a aprovação de muitos leitores. Houve, porém, quem respondesse ao relato de Lucas com comentários negativos. O jovem admite que fica abalado, mas não pensa em recuar.

Para ele, o texto não é apenas sobre uma cena cotidiana. É também para alertar sobre a necessidade de abolir o que Lucas classifica como “discurso de ódio”.

“Várias pessoas se identificaram, me apoiaram e deram suporte. Que eu tenho que ser verdadeiro. Recebi algumas mensagens intolerantes, mas poucas. Respondi com sutileza. Outros questionaram se não era muito cedo. Não exite cedo ou tarde. Quanto mais cedo ensinarmos isso, menos ódio teremos”.

Lucas, que deixou as faculdades que começou a cursar, pensa em ser escritor. De preferência, sempre ligado à causa LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). A pedido do jovem, o rosto do irmão foi borrado nas fotos.

Confira o depoimento de Lucas na íntegra:

Hoje eu contei para o meu irmãozinho que eu era gay.

Após muitos anos desde que descobri a respeito da minha sexualidade, sobre o gênero que desperta uma paixão realmente autêntica em mim, finalmente cheguei a decisão de confiar a minha realidade a essa pessoinha com quem mais me importo na vida.

Dividi isso de maneira bem pedagógica, tentando criar uma analogia sobre as pessoas e suas cores favoritas. Dizendo que têm pessoas que gostam mais de preto, ou branco, ou azul, ou amarelo, ou vermelho; explicando sobre o quão legal isso fazia do mundo. Que todos podemos gostar de cores diferentes, e ainda assim sermos felizes e respeitados ao colorir nosso mundo com elas.

Ele parecia saber que eu ia confessar algo. Mergulhou num estado quieto e pensativo durante a explicação inteira, e então, por fim, resolvi assumir minha sexualidade. Ele continuou me olhando, bem calmo e sorrindo, tão natural, e eu o questionei:

“Tu sabe o nome que se dá a quem gosta de pessoas iguais, John? Homens que gostam de outros homens, e mulheres que gostam de outras mulheres?”

Eu estava preparado para soltar a palavra “gay”, já na ponta da língua quando ele simplesmente me escancara a verdadeira resposta:

“Amor?”

E então eu chorei.

“Não chora”, ele disse me abraçando.

Ele me olhou com aqueles olhos, cheios de inocência e de mesmo tons que os meus, e eu senti que pela primeira vez ele me enxergava como eu realmente era. Um irmão que ele amava, um amigo que ele jamais perderia e, mesmo uma pessoa qualquer com uma preferência diferente por quem se apaixonar, ainda assim uma pessoa igual a qualquer outra.

Eu soube disso pela resposta dele. Pela bondade em cada palavra. Uma criança de oito anos de idade soube encarar algo tão natural com mais maturidade que muito adulto. Mais que meus próprios pais, inclusive, que sempre me negaram o direito de confidenciar isso ao meu irmão.

Aproveitem pra aprender da pureza deles, que a maioria esquece ao crescer, pois eu acho que as maiores verdades dessa vida estão no coração dos pequenos.

E a vida continua como se nada tivesse mudado.

E do fundo do coração, eu agradeço por isso.”

Lucas contou ao irmão de 8 anos sua orientação sexual (Foto: Arquivo pessoal)

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Brasil cai 9 posições em ranking de igualdade de gênero

Publicado pelo portal BBC, em 28 de outubro de 2014

Relatório diz que Brasil tem igualdade de gênero em educação, mas se tornou mais desigual no âmbito da participação política, onde caiu seis posições

Relatório diz que Brasil tem igualdade de gênero em educação,
mas se tornou mais desigual no âmbito da participação política,
onde caiu seis posições

O Brasil caiu nove posições em um ranking de igualdade de gênero divulgado pelo “Fórum Econômico Mundial”, grupo conhecido pelas reuniões que realiza em Davos. O país aparece agora na 71ª colocação na lista. Em 2013, ocupava a 62ª posição. A organização avaliou as diferenças entre homens e mulheres na saúde, educação, economia e indicadores políticos em 142 países. A Islândia ocupa o topo do ranking, seguida por outros países nórdicos.

Apesar de ter mantido a igualdade entre homens e mulheres nas áreas de saúde e educação, o Brasil perdeu posições nos índices que medem participação feminina na economia e na política. A maior queda ocorreu na avaliação que considera salários, participação e liderança feminina no mercado de trabalho. Neste índice, a pontuação do Brasil caiu de 0,656 para 0,649 – quanto mais perto de 1, maior a igualdade entre os gêneros. A nota zero indica desigualdade total. O Brasil foi da 74ª para a 81ª posição nesta lista. Segundo o relatório, houve uma “ligeira queda na igualdade salarial e renda média estimada” para mulheres no Brasil. Apesar de estar em uma colocação pior, a nota individual do Brasil evoluiu desde que o índice começou a ser divulgado. Em 2006, a nota do país era 0,604.

Ranking político

Outro índice que fez o Brasil perdeu posições no ranking foi o de “empoderamento” político das mulheres. O quesito contabiliza mulheres no Congresso, em posições ministeriais e na chefia de Estado. Neste índice, o Brasil perdeu colocações na comparação com outros países, apesar de ter melhorado sua nota individual. A nota brasileira foi de 0,144 para 0,148. Porém, como outros países evoluíram mais, o país passou da 68ª para 74ª posição no ranking. A curva de participação feminina na política brasileira mostra uma nítida ascensão desde a chegada da presidente Dilma Rousseff à Presidência, em 2011. Ela foi a primeira mulher a governar o país.

Em educação o Brasil atingiu a nota 1, o que significa que não há desigualdade entre homens e mulheres. A eliminação nas desigualdades na educação vem desde 2012. Na saúde, o país pontua 0,98 – o que o coloca em 1º lugar, empatado com outros países- desde o início da divulgação do ranking, em 2006.

O relatório destaca que o Brasil conseguiu fechar 70% da lacuna entre os gêneros. “A queda do Brasil em nove colocações, ficando em 71º, aconteceu mesmo tendo fechado com sucesso ambas as lacunas entre gêneros no nível educacional e de saúde e sobrevivência. Sua prioridade agora deve ser de garantir retornos em seus investimentos através do aumento da participação feminina na área de trabalho”, diz o relatório.

Poucos avanços

As cinco primeiras posições do ranking são ocupadas por países nórdicos. Em 6º lugar, aparece a Nicarágua, o país mais bem colocado da América Latina há três anos. Logo depois, em 7º, aparece Ruanda. Segundo o relatório, o país tem “grande pontuação em termos de participação econômica e política”.

Entre os países dos BRICS, a África do Sul é a mais bem colocada (18º), “devido à forte participação política”. Depois do Brasil aparecem Rússia (75º), China (87º) e Índia (114º).

O documento do Fórum Econômico Mundial destaca que os avanços em todo o mundo foram pequenos. A brecha entre homens e mulheres ainda está em 60%, e em 2006 era de 56%. Nesse ritmo, levará 81 anos para o mundo fechar essa brecha completamente.

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Justiça condena hospital e terceirizada em Cubatão por homofobia

Publicado pelo jornal A Tribuna, em 14 de outubro de 2014

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Ex-funcionária receberá indenização de R$ 20 mil

A Justiça do Trabalho determinou que o Hospital Ana Costa e a empresa In Service (razão social Peres e Donato), prestadora de serviços de limpeza para a unidade de Cubatão, indenizem Ana Paula Silva, por danos morais, em R$ 20 mil. Ela é ex-funcionária da terceirizada e alegou ter sofrido preconceito por ser homossexual. Cabe recurso.

A decisão foi proferida pelo juiz do Trabalho substituto da 5ª Vara do Trabalho de Cubatão, Xerxes Gusmão. Ana também poderá ter direito à adicional de insalubridade no valor de 40% do salário mínimo ou multa normativa no valor de 20% do salário mínimo.

O episódio citado no processo aconteceu no ano passado. Ana Paula, que tem 40 anos e mora em Santos, procurou o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio e Conservação de Cubatão, Praia Grande, São Vicente, Santos, Guarujá e Bertioga (Sindilimpeza), alegando que não suportava mais as humilhações que sofria de sua chefe.

“Comecei a namorar uma funcionária da empresa terceirizada. Ela (a chefe) me trancou na sala e colocou o dedo no meu rosto dizendo que era cínica, pois tinha que ter falado que havia começado a namorar a minha funcionária (Ana Paula tinha um cargo superior ao da pessoa com que se relacionou). Aí não aguentei e procurei o sindicato. Eu chorava demais”, disse a A Tribuna.

A vítima relata que um dos episódios que mais a marcaram negativamente aconteceu quando ela se reuniu com outras funcionárias, e sua acompanhante lhe telefonou. Naquele momento, teria escutado uma série de impropérios. “Foi o único caso de homofobia que aconteceu na minha vida. Sou bem sincera no que faço e falo o que sou”.

No processo, Ana Paula foi representada pelo Departamento Jurídico do Sindilimpeza. Apesar da possibilidade de recurso da parte perdedora, a presidente da entidade, Paloma Santos, não acredita que a decisão seja revertida.

Posicionamento

Em nota, o Hospital Ana Costa explica que o caso refere-se a uma funcionária de empresa terceirizada, que não é, portanto, colaboradora da instituição. O hospital informa não ter sido intimado da decisão judicial e repudia práticas homofóbicas.

Um dos sócios da empresa In Service, Paulo Peres, afirma que a chefe acusada de homofobia por Ana Paula Silva já foi “desligada” da instituição. Ressalta que a empresa também repudia qualquer tipo de preconceito e promove ações de conscientização contra atos do tipo. Contudo, destaca que In Service não foi notificada e analisa que medidas tomará.

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