“O preconceito vem de todos os lados”, diz ativista sobre a homofobia no futebol

Por Mattheus Goto
Publicado pelo portal iGay, em 5 de julho de 2018

Os estádios de futebol sempre foram ambientes hostis para a comunidade queer, mas torcedores e jogadores LGBT estão lutando contra essa realidade

Na Taça Hornet, jogadores LGBT de todo o país se juntam para se integrar e lutar contra a homofobia no futebol (arquivo pessoal)

“Bicha” e “viado” são apenas algumas das palavras utilizadas em estádios de futebol para tentar diminuir um jogador ou um torcedor adversário, e, com a Copa do Mundo acontecendo na Rússia, foi levantada a discussão sobre a homofobia no futebol. “Nos cantos da torcida, nos olhares que recebemos de reprovação, na perseguição dos jogadores”, afirma Flávia Ellen, torcedora LGBT do Atlético Mineiro sobre como o preconceito se manifesta.

“O que mais me incomoda são os cânticos e os gritos homofóbicos”, diz Mara Nogueira, outra torcedora LGBT do Atlético Mineiro, que faz parte da Galo Queer, torcida organizada contra a homofobia no futebol . Em entrevista ao iGay , ela conta que demorou para perceber o teor pejorativo de muitas frases ditas em um estádio. De acordo com a torcedora, isso acontece porque o preconceito ainda é naturalizado e reproduzido, por exemplo, quando crianças imitam os pais na hora de torcer.

Ela comenta que os estádios deveriam ser um lugar de festa para todos, mas o clima dentro deles não favorece a presença de torcedores LGBT. “Já fui ao estádio algumas vezes com minha namorada e tivemos, sim, medo de demonstrar nossa afetividade em público”, revela Mara. Ela acrescenta que, para poder habitar e frequentar esse espaço, sente que deve se adequar à heteronormatividade.

“Não acho que é preciso ficar no armário, mas nós somos mantidos lá pelos clubes, pelas torcidas e pelo ambiente do futebol”, afirma Flávia acerca do sofrimento dos LGBTs, que não podem expressar afeto e nem sequer suas verdades em tal espaço. Na luta contra o preconceito, ela conta que já participou da fundação Grupa, um grupo de mulheres fãs do Atlético Mineiro, que se posicionam contra machismo, racismo, elitização e homofobia no futebol.

De acordo com ela, todo esse preconceito no futebol não afeta apenas os torcedores, mas também os jogadores dos times em si e até o desenvolvimento profissional deles. “Lembra o Richarlyson, ex-jogador do São Paulo e do Atlético Mineiro? Ele não era um jogador ruim, mas se tornou ‘pior’ por ter ‘gestos de um homossexual’, ainda que tivesse declarado sua heterossexualidade”, exemplifica Flávia.

O empreendedor, ativista e fã de futebol André Fischer conta que, além da torcida, os jogadores podem sofrer preconceito dos próprios colegas de campo. “O preconceito [contra os atletas] vem de todos os lados, da torcida e entre os colegas também”, afirma o gerente da Hornet Brasil. Fischer é organizador da Taça Hornet, evento que teve sua primeira edição no ano passado e tem o objetivo de promover a integração de times de futebol LGBT de todo o país.

De acordo com ele, essa homofobia no futebol contra os jogadores acaba colaborando para que muitos, ao se profissionalizar, optem por não se assumir. “Pelo próprio estereótipo do esporte, os atletas têm receio de se assumir publicamente com o medo de sofrer preconceito. Pode ser mais complicado para a carreira deles”, afirma.

Ele acredita que o preconceito também pode afetar o desenvolvimento dos jogadores em seus times. “Muitos atletas poderiam ter desenvolvido uma carreira profissional. Eles não conseguem fazer isso em times comuns, mas encontram nos novos times inclusivos uma maneira de desenvolver sua total potencialidade”, diz o empreendedor sobre os times que disputam a Taça Hornet.

Com a Copa acontecendo na Rússia, país conhecido por ser intolerante, o preconceito deveria ser mais abordado (divulgação/Fifa)

A homofobia na Copa do Mundo

Sobre a Copa do Mundo, a participante da Galo Queer Mara afirma que a Fifa deveria ser mais cobrada para que o espaço nos estádios fosse realmente de todos. “Como é possível realizar um evento que prega a diversidade e o respeito mútuo em um país que viola os direitos de uma parte de sua população?”, questiona Mara sobre o fato de a Rússia perseguir os homossexuais.

A torcedora ainda acha que não houve até então uma discussão efetiva sobre a homofobia no futebol. “Deveriam haver critérios mínimos para a realização de eventos importantes, como a Copa e as Olimpíadas, de maneira a utilizar a força de tais eventos para promover mudanças progressistas nos países sede”, acrescenta ela.

“A Copa está acontecendo em um país que persegue a comunidade LGBT, que tem leis específicas sobre comportamento homoafetivo, e o máximo que se viu foi a cartilha do Itamaraty, pedindo para torcedores homossexuais não demonstrarem afetividade em público na Rússia”, contesta a torcedora Flávia.

A origem da homofobia no futebol no Brasil e no mundo

Em seu estudo de mestrado, realizado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, o pesquisador Maurício Rodrigues investigou a história das torcidas gays e dos movimentos contrários ao machismo e à homofobia no futebol, mostrando que essas minorias sociais estão cada vez mais se impondo no cenário do esporte.

“É importante dizer que esses preconceitos no esporte e no futebol são reflexos de preconceitos que existem em uma sociedade heteronormativa e binarista, de homens e mulheres cis. Por esse motivo, ofensas e termos que se referem às pessoas LGBT de forma pejorativa acabam sendo incorporadas e evocadas no contexto futebolístico”, explica.

Rodrigues afirma que o futebol no Brasil consolidou-se historicamente como um reduto masculino e que por muito tempo se naturalizou a ideia de que futebol era um “jogo para homens”, até em função da proibição da prática do futebol pelas mulheres, que ocorreu entre 1941 e 1979. “Nessa exacerbação do macho, o outro, o diferente é inferiorizado, e a homofobia no futebol é uma das formas de se demarcar essa diferença”, acrescenta.

De acordo com o pesquisador, o resultado disso são os xingamentos, seja contra o juíz ou contra algum adversário, com o objetivo de feminizá-lo, de mostrar que o adversário é pior por ser “menos homem”. Ele destaca que um grande exemplo dessa realidade é o caso do “bambi”, usado por torcedores adversários para se referir de forma pejorativa ao São Paulo Futebol Clube e aos torcedores.

Essa realidade não é única do Brasil e também acontece em outros países, como evidenciado em declaração do técnico do México, Juan Carlos Osório, em entrevista após derrota contra o Brasil nesta Copa, dizendo que futebol é um jogo de homens. “Toda vez que alguém diz que o futebol é um jogo de ‘macho’ sugere também um ideal que o futebol seria um reduto do homem cisgênero e heterossexual”, diz Rodrigues.

Galo Queer Grupos e coletivos como a Galo Queer têm como objetivo colocar a questão da homofobia no futebol em pauta (imagem: Galo Queer)

Os movimentos contrários à homofobia no futebol

Segundo o pesquisador, na década de 1970, em meio ao contexto de efervescência cultural e política homossexual, foi que surgiram as primeiras torcidas gays, como a Coligay, do Grêmio, e a FlaGay, do Flamengo. Ele comenta que, apesar da homofobia no futebol da época, a Coligay chegou a marcar presença nas arquibancadas e foi reconhecida como uma das torcidas do time. Quanto à FlaGay, ele diz que a torcida ganhou notoriedade, mas sua presença no estádio foi proibida pela direção do time.

Ainda segundo Rodrigues, surgiram recentemente grupos e coletivos que se apresentaram como torcidas queer e torcidas livres, como a Palmeiras Livre, do Palmeiras, a Bambi Tricolor, do São Paulo Futebol Clube, e a própria Galo Queer, mas todas ainda enfrentam dificuldades.

“Por conta das ameaças simbólicas e reais, há uma dificuldade de movimentos como esses marcarem presença nos estádios brasileiros. Além disso, há também a falta de apoio dos clubes e confederações no acolhimento desses movimentos de torcedores historicamente segregados do universo do futebol”, acrescenta.

De acordo com a torcedora Mara Nogueira, a repercussão ao surgimento da torcida Galo Queer foi, apesar dos comentários negativos, muito positiva. “Pelo visto, muita gente que gosta de futebol já queria dar esse grito contra o machismo, a homofobia e a intolerância, e ficamos muito emocionados com todas as manifestações de apoio”, comenta ela.

De acordo com Mara, ainda há um caminho longo a percorrer, já que também são poucos os atletas homossexuais assumidos, mas o surgimento de coletivos tem sido importante para colocar a questão em pauta. “Alguns clubes me parecem ser mais preocupados com isso do que outros, é só ver pelas campanhas no Dia da Mulher e no Dia do Orgulho LGBT. Ainda é preciso de muito mais”, diz a torcedora Flávia.

“Até o momento, as ações da Fifa e de outras confederações têm sido muito mais no sentido de dar multas simbólicas a atitudes LGBTfóbicas nos estádios, mas não há ainda medidas mais enérgicas, que visem a eliminação dessas discriminações, como a interrupção do jogo em caso de ofensas ou a punição e a reeducação de torcedores”, acrescenta o pesquisador Rodrigues.

Para o empreendedor Fischer, a consciência de que o preconceito precisa acabar está sendo desenvolvida nos times do esporte. “Não vai ser do dia para a noite que vai acabar, mas acho que estamos no caminho”, afirma ele sobre a desconstrução da homofobia no futebol.

Neto Lucon rebate polêmicas sobre participação de pessoas trans no esporte

Sobre recente polêmica da estreia de Tiffany Abreu na Superliga, como primeira mulher trans a atuar no vôlei feminino, o ativista Neto Lucon publicou em seu perfil no Facebook, no último dia 5, um diálogo altamente esclarecedor a respeito e demonstra como tal polêmico é desnecessária e demonstra, sim, pura transfobia. Confira:

TRANSFÓBICO: Mas é óbvio que uma esportista trans é muito mais forte que uma esportista cis. É a testosterona.

NLUCON: Você sabia que o Comitê Esportivo Internacional exige que antes de competir elas passem por 12 meses (um ano) pela hormonioterapia (com estrogênios ou bloqueadores) e que, assim, reduzam o nível de testosterona até menos que o de mulheres cis e tornem mais aptas para competir ao lado delas?

TRANSFÓBICO: Mas não é só o hormônio, são os músculos, a estrutura óssea.

NLUCON: Um estudo norte-americano chamado Race Times For Transgender Athletes, do Providence Protland Medical Center, garante que o tratamento hormonal provoca um decréscimo significativo de massa muscular e densidade óssea.

TRANSFÓBICO: Mas é óbvio que ainda assim elas são mais rápidas, fortes e resistentes.

NLUCON: Neste mesmo estudo, foi comprovado que elas perdem drasticamente velocidade, força e resistência. Ele informa que uma mulher trans costuma correr 12% mais devagar que antes.

TRANSFÓBICO: Mas elas são mais altas, pronto!

NLUCON: O fato de mulheres trans ser possivelmente mais altas que mulheres cis nem sempre significa vantagem em alguns esportes, como a ginástica olímpica ou o fisiculturismo. A pesquisadora da pesquisa até diz que pode haver desvantagens em competidoras trans, porque “Carros menores com motores pequenos podem ultrapassar carros maiores com motores pequenos”.

TRANSFÓBICO: Mas há diferenças naturais entre os corpos, isso você não pode negar!

NLUCON: Não podemos, há diferenças entre todos os corpos. O nadador cis Michael Phelps, por exemplo, tem um tronco gigante, pernas pequenas e flexibilidade acima da média dos demais nadadores cis. A sua especificidade natural o fez ter 28 medalhas olímpicas. Os atletas quenianos cisgêneros, que sempre são favoritos em provas de longa de distância, têm pernas compridas, finas nas extremidades e equipadas com um calcanhar largo e elástico. Combinação que permite correr mais gastando pouca energia, o que não acontece entre outros corredores cis. As competidoras trans podem ter um corpo que as beneficie em algum momento, mas há vários tipos de corpos trans, assim como há vários tipos de corpos cis. Veja o corpo da lutadora trans Fallon Fox e sua rival na foto e responda quem tem o corpo maior e com mais músculos?

TRANSFÓBICO: Mas eu não gosto e não quero dar o direito às atletas trans.

NLUCON: Aí você chegou onde eu queria chegar. Existe mais o preconceito em cima dessas pessoas trans – que além de se prepararam para competir, ainda enfrentam a transfobia da torcida, dos adversários, de treinadores – que uma real preocupação com vantagens no esporte. Aliás, imagina como fica uma atleta trans, que após enfrentar a luta para finalmente ser quem é e conseguir oficializar a pessoa que é, ter que ficar explicando sua existência, dar entrevistas, enfrentar transfobia da torcida, das adversárias e ainda se dedicar ao esporte, treinar, competir e vencer? Isso não é vantagem nenhuma…

Tiramos selfies com o goleiro Bruno e jogamos bombas em Richarlyson

Por Nathali Macedo
Publicado pelo Diário do Centro do Mundo, em 11 de maio de 2017

Richarlyson no Guarani

Por mais que eu me esforce, é difícil acreditar que vivemos em um país em que matar e esquartejar uma mulher é aceito – mais do que isso, é louvável, para alguns – mas amar alguém do mesmo sexo não o é. 

O comentário introdutório amargo é sobre as bombas jogadas na sede do Guarani em protesto homofóbico contra a contratação do jogador Richarlyson, que já vinha sendo atacado nas redes sociais.

O detalhe é que o jogador não se declarou gay uma vez sequer em sua vida (e nem tem essa obrigação: é pago para jogar futebol, e não para transar com mulheres). 

Se o tivesse feito, contudo, os protestos homofóbicos – que não deixariam de serem lamentáveis, é claro – dariam ensejo à resistência de um homossexual em um ambiente tão machista quanto o futebol brasileiro, mas sequer isso existiu.

O jogador, na verdade – que já havia sido alvo de insinuações do ex-dirigente do Palmeiras José Cyrillo Júnior, em um programa de televisão – apenas se atreveu a participar do programa Dancing Brasil, na Record, onde dançou com a ginasta Jade Lima com trejeitos afeminados demais para a homofobia da torcida. 

Enquanto isso na arquibancada do Boa Esporte, Bruno, o feminicida que jogou os pedaços de Eliza Samudio aos cachorros para esquivar-se de pagar a pensão alimentícia do filho, recebe aplausos entusiasmados de cidadãos de bem.

A incredulidade é quase inevitável.

O colapso em nossos valores não é culpa das feministas-abortistas-misândricas, da ditadura gayzista ou da doutrinação comuna, como brada o conservadorismo: ele é, aliás, muito anterior a tudo isso. 

Começou quando a igreja católica – a maldita inventora de nossa moralidade – sacramentou que seres humanos não podem dispor de seus corpos como bem entenderem – nem para transarem com pessoas do mesmo sexo, nem para dançarem com “trejeitos afeminados” em um programa de TV. Dentro e fora das arquibancadas, desde então, preconceitos são perpetuados e externados com uma violência cada vez mais brutal.

No futebol masculino, entretanto, há um agravante: Em campo, há homens. Nas arquibancadas, há uma maioria de homens. Mas não apenas homens: Homens socializados para todas as masculinidades tóxicas. Homens criados para gostarem de futebol, cerveja, churrasco e bunda.

Homens que acreditam na necessidade primordial de defenderem sua honra – que consiste basicamente em defenderem a sua “macheza”, que parece ser o seu maior tesouro. Homens que tiram selfies com feminicidas. 

A relação entre futebol e “masculinidade” – no sentido mais vulgar do termo – permite dizer que as arquibancadas dos estádios de futebol abrigam não só homens, mas homens resistentes à aceitação das diferenças – e que, como se não bastasse, transformam essa resistência em ódio e violência.

Os insultos homofóbicos contra Richarlyson não são inéditos. O Rio Claro, clube que contratou-o antes do Guarani, lançou até uma campanha para atrair pessoas de todas as orientações sexuais para o estádio, porque gritos de “bicha” e “viado” (vocês não saíram da quinta série?) eram comuns na arquibancada.

Pergunto-lhes: Como? Se, em campo, um jogador é agredido e atiram-lhe bombas, o que aconteceria com um homossexual que dividisse a arquibancada com tantos trogloditas homofóbicos? (Algo me diz, inclusive, que eles prefeririam balada drag, mesmo porque ninguém merece festa hétero).

Em vez de imitarem a campanha ineficiente e até meio cínica do Rio Claro Esporte Clube, o Guarani poderia ter uma ideia melhor: passar a punir com expulsão torcedores que manifestassem comportamentos homofóbicos em seus jogos, mas isso seria difícil demais, porque eles são muitos. Talvez, se o fizesse, fosse o primeiro time sem torcida do Brasil. 

Por aqui, falta ainda muito para o bom senso ser escalado.

CDG-Bahia inicia planejamento para 2017

O Comitê Desportivo LGBT da Bahia, CDG-Bahia, iniciou seus trabalhos de planejamento de atividades para o ano de 2017 em reunião realizada dia 18 de janeiro de 2017, na sede do Grupo Gay da Bahia, no Pelourinho.

O grupo busca desenvolver atividades que promovam o esporte, lazer, cultura, saúde, sociabilidade e cidadania para a população LGBT. Ativistas da capital e interior estão se unindo para desenvolver ações que também promovam a interação entre LGBTs e heterossexuais simpatizantes.

Segundo membros que fazem parte da coordenação do grupo, a ideia é desenvolver os esportes tradicionais que envolvam a comunidade como vôlei, handebol, futebol de salão e outras ‘novas modalidades’ que tragam visibilidade para a causa: arremesso de bolsa, revezamento de prótese, corrida de salto, baleô, bate-cabelo, “Baba Trans” (homens de mulher e mulheres de homem).

O CDG está buscando novas adesões de ativistas e recebendo novas ideias. As próximas reuniões do grupo estão previstas para 27/01, sexta-feira, 16, e outra no dia 15/02, quarta-feira, ambas na sede do GGB, no Pelourinho. O e-mail do grupo é cdgbahia244@gmail.com.

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Teto para gastos públicos proposto pela PEC 55 viola direitos humanos, diz relator da ONU

Felipe Alston afirmou ainda, em comunicado oficial divulgado nesta sexta-feira (9/12) , que o Brasil poderá ficar numa categoria única no mundo em termos de retrocesso social.

Publicado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC, em 9 de dezembro de 2016

http://www.inesc.org.br/noticias/noticias-do-inesc/2016/dezembro/teto-para-gastos-publicos-proposto-pela-pec-55-viola-direitos-humanos-diz-relator-da-onuO teto para gastos público durante 20 anos proposto pela PEC 55 viola os direitos humanos no Brasil e coloca o país numa categoria única no mundo em termos de retrocesso social, afirmou Philip Alston, relator especial da ONU para extrema pobreza e direitos humanos, em comunicado oficial divulgado nesta sexta-feira (9/12).

“Se adotada, essa emenda bloqueará gastos em níveis inadequados e rapidamente decrescentes na saúde, educação e segurança social, portanto, colocando toda uma geração futura em risco de receber uma proteção social muito abaixo dos níveis atuais, afirmou Alston no comunicado. O relator especial recomendou ao governo brasileiro que garanta um debate público apropriado sobre a PEC 55, “que estime seu impacto sobre os setores mais pobres da sociedade e que identifique outras alternativas para atingir os objetivos de austeridade”.

O comunicado oficial do relator especial da ONU foi provocado por carta enviada semana passada por organizações que atuam com direitos humanos no Brasil – Inesc, Conectas, Oxfam Brasil e CESR. Elas explicaram ao relator especial da ONU o impacto negativo da PEC 55 para os brasileiro e como o congelamento orçamentário proposto pela emenda constitucional trará prejuízos fundamentais para os mais pobres do país. A PEC deverá ser votada (em segundo turno) no Senado no próximo dia 13 de dezembro.

Para José Antonio Moroni, do Colegiado de Gestão do Inesc, a manifestação da ONU demonstra a gravidade da situação no Brasil. “Fica comprovado o que falamos há muito tempo, que a democracia brasileira foi interrompida para implantar um Estado do não-direito. Não-direito aos pobres, às mulheres, à população negra, aos povos indígenas, às juventudes.”

Em seu comunicado oficial, o relator especial da ONU afirmou estar em contato com o governo brasileiro para entender melhor o processo e “a substância da emenda proposta”, destacando que “mostrar prudência econômica e fiscal e respeitar as normas internacionais de direitos humanos não são objetivos mutuamente excludentes, já que ambos focam na importância de desenhar medidas cuidadosamente de forma a evitar ao máximo o impacto negativo sobre as pessoas”.

http://www.inesc.org.br/noticias/noticias-do-inesc/2016/dezembro/teto-para-gastos-publicos-proposto-pela-pec-55-viola-direitos-humanos-diz-relator-da-onu“Estudos econômicos internacionais, incluindo pesquisas do Fundo Monetário internacional, mostram que a consolidação fiscal tipicamente tem efeitos de curto prazo, reduzindo a renda, aumentando o desemprego e a desigualdade de renda. E a longo prazo, não existe evidência empírica que sugira que essas medidas alcançarão os objetivos sugeridos pelo Governo,” afirmou o relator especial.

O apelo do Sr. Alston às autoridades brasileiras foi endossado também pelos a Relatora Especial sobre o Direito à Educação,  Sra. Koumbou Boly Barry.

Leia abaixo a íntegra da Nota à Imprensa de Philip Alston, relator especial da ONU para extrema pobreza e direitos humanos:

NOTA À IMPRENSA

Brasil: Teto de 20 anos para o gasto publico violará direitos humanos, alerta relator da ONU

GENEBRA (9 de Dezembro, 2016) – Os planos do governo de congelar o gasto social no Brasil por 20 anos são inteiramente incompatíveis com as obrigações de direitos humanos do Brasil, de acordo com o Relator Especial da ONU para extrema pobreza e direitos humanos, Philip Alston.

O efeito principal e inevitável da proposta de emenda constitucional elaborada para forçar um congelamento orçamentário como demonstração de prudência fiscal será o prejuízo aos mais pobres nas próximas décadas, alertou o Relator. A emenda, que deverá ser votada pelo Senado Brasileiro no dia 13 de Dezembro, é conhecida como PEC 55 ou o novo regime fiscal.

“Se adotada, essa emenda bloqueará gastos em níveis inadequados e rapidamente decrescentes na saúde, educação e segurança social, portanto, colocando toda uma geração futura em risco de receber uma proteção social muito abaixo dos níveis atuais.” 

O Relator Especial nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU recomendou ao Governo Brasileiro que garanta um debate público apropriado sobre a PEC 55, que estime seu impacto sobre os setores mais pobres da sociedade e que identifique outras alternativas para atingir os objetivos de austeridade.

“Uma coisa é certa”, ele ressaltou. “É completamente inapropriado congelar somente o gasto social e atar as mãos de todos os próximos governos por outras duas décadas. Se essa emenda for adotada, colocará o Brasil em uma categoria única em matéria de retrocesso social”. 

O plano de mudar a Constituição para os próximos 20 anos vem de um governo que chegou ao poder depois de um impeachment e que, portanto, jamais apresentou seu programa a um eleitorado. Isso levanta ainda maiores preocupações sobre a proposta de amarrar as mãos de futuros governantes.

O Brasil é a maior economia da América Latina e sofre sua mais grave recessão em décadas, com níveis de desemprego que quase dobraram desde o início de 2015.

O Governo alega que um congelamento de gastos estabelecido na Constituição deverá aumentar a confiança de investidores, reduzindo a dívida pública e a taxa de juros, e que isso, consequentemente, ajudará a tirar o país da recessão. Mas o relator especial alerta que essa medida terá um impacto severo sobre os mais pobres.

“Essa é uma medida radical, desprovida de toda nuance e compaixão”, disse ele. “Vai atingir com mais força os brasileiros mais pobres e mais vulneráveis, aumentando os níveis de desigualdade em uma sociedade já extremamente desigual e, definitivamente, assinala que para o Brasil os direitos sociais terão muito baixa prioridade nos próximos vinte anos.”

Ele acrescentou: “Isso evidentemente viola as obrigações do Brasil de acordo com o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais que o pais ratificou em 1992, que veda a adoção de “medidas deliberadamente regressivas” a não ser que não exista nenhuma outra alternativa e que uma profunda consideração seja dada de modo a garantir que as medidas adotadas sejam necessárias e proporcionais.”

O Sr. Alston apontou que, nas ultimas décadas, o Brasil estabeleceu um impressionante sistema de proteção social voltado para erradicar a pobreza e o reconhecimento dos direitos à educação, saúde, trabalho e segurança social.

“Essas políticas contribuíram substancialmente para reduzir os níveis de pobreza e desigualdade no país. Seria um erro histórico atrasar o relógio nesse momento,” disse ele.

O Plano Nacional de Educação no Brasil clama pelo aumento de 37 bilhões de reais anualmente para prover uma educação de qualidade para todos os estudantes, enquanto a PEC reduzirá o gasto planejado em 47 bilhões de reais nos próximos oito anos. Com mais de 3,8 milhões de crianças fora da escola, o Brasil não pode ignorar o direito deles de ir à escola, nem os direitos de todas as crianças a uma educação de qualidade.

O debate sobre a PEC 55 foi apressadamente conduzido no Congresso Nacional  pelo novo Governo com a limitada participação dos grupos afetados, e sem considerar seu impacto nos direitos humanos. Um estudo recente sugere que 43% dos brasileiros não conhecem a emenda, e entre aqueles que conhecem, a maioria se opõe a ela.

O relator especial, que está em contato com o Governo Brasileiro para entender melhor o processo e a substancia da emenda proposta, ressaltou que “mostrar prudência econômica e fiscal e respeitar as normas internacionais de direitos humanos não são objetivos mutuamente excludentes, já que ambos focam na importância de desenhar medidas cuidadosamente de forma a evitar ao máximo o impacto negativo sobre as pessoas.”

“Efeitos diretamente negativos têm que ser equilibrados com potenciais ganhos a longo prazo, assim como esforços para proteger os mais vulneráveis e os mais pobres na sociedade”, disse ele.

“Estudos econômicos internacionais, incluindo pesquisas do Fundo Monetário internacional, mostram que a consolidação fiscal tipicamente tem efeitos de curto prazo, reduzindo a renda, aumentando o desemprego e a desigualdade de renda. E a longo prazo, não existe evidência empírica que sugira que essas medidas alcançarão os objetivos sugeridos pelo Governo,” salientou o relator especial.

O apelo do Sr. Alston às autoridades brasileiras foi endossado também pelos a Relatora Especial sobre o Direito à Educação,  Sra. Koumbou Boly Barry.

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Fifa aplica multa de R$ 83 mil à CBF por gritos homofóbicos

Nova multa custará R$ 83 mil à Confederação Brasileira de Futebol, após gritos homofóbicos contra a Bolívia, em partida das Eliminatórias da Copa.

Publicado pelo portal Catraca Livre, em 3 de novembro de 2016

cbfNesta quinta-feira, 3, a Fifa divulgou um comunicado sobre nova punição ao Brasil por cantos homofóbicos em jogos da seleção brasileira durante as eliminatórias da Copa do Mundo. Segundo a entidade, a Confederação Brasileira de Futebol foi multada em 25 mil francos suíços (R$ 83,2 mil) após ofensas das arquibancadas contra a Bolívia, no último dia 6 de outubro, em Natal (RN).

Intolerância nas arquibancadas

Confederações de outros países também foram multadas, segundo a federação internacional: Albânia, Kosovo, Croácia, Estônia, Ucrânia, Paraguai, Chile, Argentina e Irã. As entidades foram acusadas de “atos discriminatórios e ofensivos”, os quais podem envolver homofobia e outros tipos de ofensas.

A Albânia recebeu multa de 50 mil francos suíços (R$ 165 mil) por dois casos de discriminação. A Croácia também recebeu punição de 50 mil francos suíços; Kosovo 30 mil (R$ 99 mil); Brasil 25 mil; Paraguai 20 mil (R$ 66 mil), Estônia 20 mil; Ucrânia, Chile e Argentina 15 mil (R$ 49 mil).

No caso do Irã, a multa foi de 45 mil francos suíços (R$ 149 mil) por diversas manifestações religiosas durante os jogos.

Vestindo a camisa da homofobia

Essa é a segunda vez que o Brasil é multado por conta de gritos homofóbicos em jogos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Anteriormente, a CBF recebeu notificação referente ao jogo contra a Colômbia, em Manaus. Na ocasião o valor foi de 20 mil francos suíços (R$ 66 mil).

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Pesquisa inédita revela que 82% dos torcedores britânicos aceitariam jogador gay em seus times

Publicado pelo portal BBC, em 27 de outubro de 2016

Uma pesquisa inédita concluiu que 82% dos torcedores britânicos de vários esportes não veriam problema se um jogador de seu time do coração anunciasse ser gay. Uma minoria, 8%, afirmou que pararia de acompanhar a equipe se isso ocorresse. O levantamento revelou também que 71% dos fãs de futebol disseram que os clubes deveriam trabalhar mais para educar seus apoiadores sobre homofobia. A metade dos torcedores ouvidos disse já ter escutado ofensas homofóbicas durante partidas. Mais de 4 mil pessoas responderam à pesquisa, realizada por meio de um questionário online pelo instituto ComRes, sob a encomenda da BBC Radio 5 – do total de participantes, 2.896 eram torcedores.

Robbie Rogers revelou ser gay ao anunciar sua aposentadoria (AFP/Getty Images)

Robbie Rogers revelou ser gay ao anunciar sua aposentadoria (AFP/Getty Images)

Tabu

No Brasil, nenhum jogador de uma equipe de renome de futebol já revelou ser gay – e o tabu em torno do assunto é forte. Justin Fashanu se tornou o primeiro jogador a se declarar gay na Inglaterra, em 1990 – ele acabou tirando a própria vida em 1998, quando tinha 38 anos de idade. Desde então, nenhum jogador de futebol em atividade se declarou gay no país. Thomas Hitzlsperger, ex-jogador da seleção alemã, se tornou o primeiro jogador com experiência na Premier League, a primeira divisão do futebol inglês, a revelar sua orientação sexual publicamente. Mas isso ocorreu em janeiro de 2014, após ele ter encerrado sua participação na liga. Robbie Rogers, ex-Leeds, também revelou ser gay ao anunciar a sua aposentadoria. Ele voltou a jogar pelo LA Galaxy, nos Estados Unidos. Com Casey Stoney, da seleção feminina da Inglaterra, foi diferente: ela declarou ser homossexual em 2014, ainda em atividade.

Thomas Hitzlsperger, ex-jogador da seleção Alemã, declarou publicamente ser homossexual. (Daniel Smith/Getty Images)

Thomas Hitzlsperger, ex-jogador da seleção Alemã, declarou publicamente ser homossexual. (Daniel Smith/Getty Images)

Números

Ampla, a pesquisa ouviu torcedores de 11 esportes diferentes, além do futebol. Segundo os resultados:
– Mais torcedores (12%) ficariam descontentes se um jogador do time rival fosse para o seu time do que se um jogador de sua equipe revelasse ser gay (8%).
– 7% parariam de assistir a jogos dos seus times se estes contratassem um jogador gay.
– 57% acreditam que jogadores gays deveriam revelar suas orientações sexuais para ajudar outros a fazerem o mesmo.
– 18% dos torcedores acreditam que jogadores gays deveriam esconder suas orientações sexuais.
– 15% dos torcedores acreditam que um jogadores gay no time deixaria os outros colegas da equipe desconfortáveis.
– 50% disseram já ter escutado ofensas homofóbicas em partidas, 51% disseram ter ouvido ofensas machistas e 59%, racistas.

No Parlamento

A pesquisa foi publicada em um momento em que o futebol inglês passa por uma profunda reflexão sobre a questão. Na semana passada, o presidente da FA, a federação de futebol da Inglaterra, Greg Clarke, afirmou, ao responder questões feitas por uma comissão parlamentar, que teria cautela ao recomendar que um jogador revelasse ser homossexual. Segundo o dirigente, o atleta poderia ser alvo de “duras ofensas” por parte dos torcedores.

Ao ser novamente questionado em um programa de rádio da BBC, Clarke manteve sua opinião de que “ofensas maliciosas vindas de uma pequena minoria” deveriam ser resolvidas antes que jogadores pudessem “assumir o risco” de se declararem homossexuais. O dirigente afirmou, porém, que apoiaria e respeitaria os atletas que tomassem essa decisão. “Eu não poderia prometer, no momento, que eles teriam a proteção necessária. Temos que redobrar nossos esforços para propiciar um ambiente seguro”, disse ele, que espera atingir esse objetivo no espaço de “um ou dois anos”.

O ex-jogador Chris Sutton criticou as afirmações e disse que Clarke escolheu uma saída fácil para a questão, em vez de enfrentá-la. Segundo ele, o dirigente se deixa levar pela reação de “8% de homens da caverna”. Sutton, que jogou em times como Chelsea, Norwich, Blackburn, e Celtic, disse: “revelar a homossexualidade não deveria ser problema no ambiente de trabalho. O futebol é como qualquer trabalho. Os jogadores com quem trabalhei não dariam a mínima (se algum colega revelasse ser homossexual)”. “Esses 8% não deveriam frequentar campos de futebol. Ao não encarar o problema, os 8% saem ganhando nisso tudo. Greg Clarke deveria estar criticando esses indivíduos”, afirmou o ex-jogador.

De acordo com Simone Pound, que chefia o departamento de igualdade e diversidade da associação de jogadores de futebol, a cultura do futebol inglês passa por mudança, e a questão está deixando de ser um tabu. “Trabalho há mais de 15 anos com futebol e certamente notei uma mudança na cultura do esporte e há muito mais aceitação e compreensão sobre pessoas LGBT.”

Punição

Em maio deste ano, a federação inglesa puniu com multa o jogador Chris Stokes, do Coventry City após ele tuitar a palavra “faggots” – um xingamento homofóbico em inglês – ao comentar um jogo entre Chelsea e Tottenham. O atleta pediu desculpas e afirmou que sua postagem “foi totalmente errada”. Stokes disse apoiar que jogadores gays revelem suas orientações. “Eles encontrariam apoio total no vestiário – e, quiçá, o apoio total das arquibancadas também.”

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Rio 2016 se transforma na Olimpíada mais gay da história

Na edição com mais atletas fora do armário que se tenha notícia, a foto de um casal de lésbicas ganha o mundo depois de um pedido de casamento em público

Tom C. Avendaño
Publicado pelo portal El País, em 11 agosto de 2016

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/09/deportes/1470774769_409560.htmlA Austrália tinha acabado de conquistar, na noite de segunda-feira, a primeira medalha de ouro da história do rúgbi de 7 feminino nos Jogos Olímpicos. O estádio de Deodoro já estava quase vazio. Então, uma mulher entrou no campo com um microfone na mão e dirigiu-se a uma jogadora da seleção brasileira. E foi assim que Marjorie Enya, que trabalha como voluntária na Olimpíada, pediu em casamento a sua namorada, Isadora Cerullo. Depois de ouvir o “sim”, Enya, de 28 anos, improvisou uma aliança fazendo um laço no dedo de Isadora, de 25 anos, e o beijo das duas passou a ser uma das imagens mais populares dos Jogos Olímpicos do Rio até agora.

Esta é apenas uma das mais recentes imagens dos Jogos Olímpicos com vocação para acolher o coletivo LGBTQ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queer). Ainda que as disputas esportivas tenham o protagonismo na Rio 2016, a cada novo episódio do gênero a narrativa de respeito à inclusão se aprofunda.

O número de atletas assumidamente LGBTQ – 43 no total – é o maior da história. Um deles, o britânico Tom Daley ganhou a medalha de bronze no salto sincronizado na segunda-feira. A judoca Rafaela Silva, o primeiro ouro do Brasil, também é lésbica. E, pela primeira vez na história, duas atletas estão casadas: as também britânicas Kate Richardson-Walsh e Helen Richardson-Walsh. Na noite da cerimônia de abertura, cinco dos ciclistas que puxavam as delegações dos países eram transexuais, incluindo a famosa modelo Lea T, que abriu caminho para os atletas brasileiros.

Um contraste com o Brasil, sede das competições, onde a homofobia cresceu nos últimos anos. Na semana passada o time feminino de futebol dos Estados Unidos teve seu primeiro jogo, no Mineirão, em Belo Horizonte. Algumas jogadoras ouviram que o público – de pouco mais de 10 mil pessoas – gritava “bicha” nas arquibancadas, uma prática comum das torcidas de futebol em jogos masculinos no Brasil. O grito se misturou a gritos de “Zika”, que acabou se consolidando a cada vez que goleira norte-americana Hope Solo estava com a bola, uma reação às postagens da jogadora sobre a doença antes de vir ao Brasil. O time norte-americano tem pelos menos duas homossexuais, a meio-campista Megan Rapinoe e a treinadora, Jill Ellis.

Fora das arenas, os episódios homofóbicos se multiplicam pelo país. De acordo com o site do Grupo Gay da Bahia, um membro da comunidade LGBTQ é agredido a cada 28 horas. “Os números da violência são enormes”, afirma Antônio Kvalo, um dos fundadores do portal temlocal.com.br, onde as pessoas que já se sentiram agredidas ou ameaçadas pela sua sexualidade podem contar suas histórias. “Os relatos vão de ataques verbais até assassinatos com toques de crueldade. Especialmente contra transexuais”, lamenta. O machismo enraizado na sociedade brasileira se perpetua de muitas maneiras, segundo Kvalo.

Mas o crescimento dos casos de homofobia ultrapassa as fronteiras brasileiras e é testemunhado em outros países do continente, o que gera um efeito colateral importante. “O número de pessoas que aceitam os pedidos por direitos dos grupos LGBT está crescendo na América do Sul. Mas há uma outra tendência, dos grupos homofóbicos, que, se não estão crescendo em número, estão aumentando a intensidade de suas manifestações e, em alguns países, estão mais organizados politicamente”, observa Javier Corrales, professor de Ciência Política da Universidade de Amhrest, em Boston, especialista nos direitos gays na América do Sul. “Houve uma exposição maior (ou uma saída do armário, por assim dizer) da homofobia mais radical, que hoje em dia está mais organizada e se manifesta mais do que antes”, completa o professor.

O Brasil esteve sempre aberto à inclusão dos homossexuais em comparação com outros países vizinhos: aceitou a união civil de pessoas do mesmo sexo em 2011 e legalizou o seu casamento em 2013, seguindo o exemplo do Uruguai e da Argentina. Mas a caminhada parece ter chegado a um platô e a explicação para essa paralisia estaria no papel que o Legislativo tem exercido nos últimos tempos, acredita Corrales. “O bloco parlamentar evangélico [mais conservador] é um pouco mais da metade do que qualquer outro grupo político no Congresso”, observa. Os deputados evangélicos têm defendido projetos polêmicos e excludentes, como o Estatuto da Família – que apenas reconhece casais heterossexuais – e até já propôs a cura gay.

Por isso, o tom desta Olimpíada ganha ainda mais importância. Neste contexto, a visibilidade dos atletas assumidos tem um ganho incomensurável para o coletivo. “É a única coisa que temos para contribuir pela luta LGBTQ ”, alerta Matthew Rettenmund, autor do livro Boy Culture, que se transformou em um blog sobre as últimas notícias gays. “Se as pessoas têm amigos, família, ou, no caso dos Jogos Olímpicos, ídolos LGBT, isso pode repercutir no mundo inteiro. Há que se aplaudir a todos os que vivem sua sexualidade livremente. Nunca poderemos agradecer o suficiente a eles.”

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Fifa confirma que grito de torcedores em tiro de meta é homofóbico

Confederações de Argentina, Chile, México, Peru e Uruguai já foram multadas e advertidas por gritos de “puto”, forma pejorativa de se referir a homossexuais, quando o goleiro da equipe adversária vai cobrar um tiro de meta. No Brasil, torcidas de muitos clubes fazem o mesmo ao chamar arqueiros rivais de “bicha”

Publicada pela Revista Fórum, em 24 de março de 2016

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(Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) tem colocado fiscais nos campos em jogos das eliminatórias para a Copa do Mundo com o objetivo inicial de monitorar ações racistas das torcidas. Contudo, as principais manifestações de preconceito na América do Sul, e que têm recebido punição, são as homofóbicas.

A confederação chilena foi punida em seus quatro jogos nas eliminatórias para a Copa de 2018. Nesta quinta-feira (24), o Chile enfrenta a Argentina e haverá orientação pelos alto-falantes para que não seja feito o coro de “puto”, expressão pejorativa que se refere a homossexuais e que é gritada por torcedores quando o goleiro da equipe rival vai cobrar o tiro de meta.

O grito foi iniciado no México e logo se espalhou para outros países. A seleção do país, a propósito, também já foi punida nestas eliminatórias. Argentina, Chile, Peru e Uruguai já receberam punição pelo mesmo motivo e as multas variam entre R$ 20 mil e R$ 75 mil. No Brasil, torcedores de diversos clubes fazem o mesmo, adaptando o coro para “bicha”.

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Após comentários homofóbicos de Pacquiao, Nike rescinde com o boxeador

Publicado pelo portal ESPN, em 17 de fevereiro 2016

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Manny Pacquiao, boxeador filipino de 37 anos (Getty Image)

Depois de polemizar ao dizer que homessexuais são “piores que animais”, o boxeador Manny Pacquiao teve seu contrato com a Nike rescindido.

A empresa norte-americana divulgou um comunicado falando da decisão.

“Nós achamos os comentários de Manny Pacquiao detestáveis. A Nike fortemente se opõe à discriminação de qualquer forma e tem uma longa história de apoio à comunidade LGBT. Nós não temos mais nenhum relacionamento com Manny Pacquiao”, diz o comunicado.

“Peço perdão por ter prejudicado gente comparando os homossexuais com animais. Ainda sou contra o casamento entre gente do mesmo sexo pelo que diz a Bíblia, mas não estou condenando os LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais)”, escreveu o boxeador em seu Facebook.

A relação entre Nike e Manny Pacquiao existia desde 2006. O boxeador tem 57 vitórias, 6 derrotas e dois no contests na carreira.

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Juiz assumiu homossexualidade após tentativa de suicídio, virou orgulho gay e vai apitar final da Copa do Mundo de rugby

Lucas Coelho
Publicado pelo portal ESPN, em 27 de outubro de 2015

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(Foto: ESPN)

O grande duelo decisivo da Rugby World Cup 2015, entre Nova Zelândia e Austrália, que acontece neste sábado (31/10), às 13h, acaba de ganhar mais um fator de grandeza: o galês Nigel Owens, o único árbitro abertamente gay no rugby, irá apitar a final.

A escolha de nomeá-lo para a tarefa de tamanha importância, porém, não pode ser considerada surpreendente. Em sua terceira Copa do Mundo, Owens é reconhecido como um dos melhores há muito tempo. Se sentindo “humilde e honrado”, agradeceu a escolha e o apoio que recebeu em seu Twitter.

Apontado como juiz internacional em 2005, ele, desde então, teve uma proeminente carreira. É um dos dois únicos árbitros a atuar em duas finais de Heineken Cup seguidas, em 2008 e 2009. A competição é uma espécie de Champions League do rugby e foi substituída pela European Rugby Champions Cup em 2014. Owens ainda esteve numa terceira decisão, em 2012.

Ele estreou em Mundiais em 2007, numa partida entre Argentina e Georgia. Meses antes, ele havia revelado sua orientação sexual e, como contou em entrevistas na época, esperava que sua carreira tivesse um fim ali, mas aconteceu o oposto. Apoiado de todos os lados dentro do rugby, ele reconhece que foi a melhor decisão que poderia tomar.

“Minha vida mudou, minha arbitragem mudou. Se tem uma coisa que apitar exige, é que você esteja completamente concentrado nos 80 minutos. Se algo está mexendo com a sua cabeça, atrapalha. Um árbitro feliz é um árbitro bom.”

Desde então, além da notoriedade dentro de campo, Nigel virou uma celebridade fora dele, se tornando também apresentador de programas de televisão no País de Gales e sendo nomeado, em 2007, “Personalidade Gay do ano nos esportes” pelo grupoStonewall, que luta pelos direitos LGBT.

O QUASE SUICÍDIO

Hoje um exemplo a ser seguido, Owens já passou por momentos difíceis, dos quais ele próprio diz se arrepender, antes de sentir-se seguro o suficiente para conversar sobre sua sexualidade até com sua família.

Em 1997, aos 26 anos, o galês chegou perto suicídio. “Eu estava ‘definhando’ muito rápido, indo para um lugar de trevas e sem saída. Eu fiz algo uma noite do qual vou me arrepender pelo resto da vida: escrevi um bilhete de despedida para os meus pais, dizendo que não podia mais continuar vivendo, mas sem contar o porquê”, contou ele em entrevista recente a BBC.

“Deixei minha casa aquela noite com uma espingarda carregada, algumas caixas de paracetamol (remédio analgésico e antitérmico) e uma garrafa de whisky, e simplesmente dei uma volta na vila de Mynydd Cerrig uma última vez.”

Por sorte, Nigel acabou “apagando” com a combinação de remédio e bebida, e sendo hospitalizado. “Se eu não tivesse entrado em coma, eu teria apertado aquele gatilho.”

A experiência de quase morte, seja pelo suicídio, ou seja pelo coma, mexeu com o árbitro. Revelando primeiro à mãe e depois ao pai que era gay, ele comemora o fato de sempre ter recebido apoio, inclusive dos companheiros de profissão no esporte.

“Eu tinha uma escolha, poderia continuar vivendo uma mentira e continuar apitando, ou revelar tudo. Eu não estava feliz com a minha vida, e não estava arbitrando direito. Havia feito algumas partidas internacionais e não tinha ido bem. Tomei a decisão certa, pois sabia que do jeito que estava, não daria certo com juiz.”

Acesse o link original da notícia para ver os vídeos sobre a vida de Nigel Owens.

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Esporte “de menina” e o preconceito russo contra os gays

Por Mariana Lajolo
Publicado na coluna Esporte Fino do portal Carta Capital

Oleksandra Sabada e Anton Timofeyev na piscina do Maria Lenk, no Rio (Foto: Satiro Sodre/SSPress)

O evento foi pequeno, pouco noticiado, mas emblemático. Na última sexta-feira, o ucraniano Anton Timofeyev entrou na piscina do Parque Aquático Maria Lenk ao lado de sua compatriota Oleksandra Sabada para se tornar o primeiro homem a apresentar uma rotina de nado sincronizado no Brasil.

Timofeyey chamou atenção da imprensa, do público e até dos cartolas. Era um homem, vestindo um maiô, participando de um esporte “de menina”.

Até o ano passado, apenas mulheres podiam disputar o nado sincronizado. Para muitos, a modalidade é feminina e delicada demais para o sexo masculino. A prática por homens é associada à homossexualidade e desperta muito preconceito. Não à toa, Timofeyey teve de responder a muitas perguntas sobre sua vida amorosa —ele é casado com uma mulher.

“Havia preconceito, mas sou um homem forte. Eu faço o que acho que é bom para mim. Tenho uma meta e a persigo. O que os outros falam ou pensam não me importa”, disse.

A Federação Internacional de Natação (Fina) decretou no fim de 2014 a inclusão dos duetos mistos em seus eventos —agora, a ginástica rítmica é a única modalidade olímpica que não permite homens em competições oficiais; as mulheres podem competir em todas.

Aprovado pelos dirigentes filiados à Fina e aplaudida por confederações e entidades do mundo todo, a inclusão das duplas mistas no nado sincronizado já provocou reações adversas na Rússia, trazendo novamente a discriminação contra homossexuais no esporte à tona.

O nado sincronizado misto estreará no programa de provas do Mundial de Desportos Aquáticos em agosto. O palco será a cidade russa de Kazan. Receber homens em um evento “de menina” gerou revolta nos russos, que também se preocupam com o fato de, por conta desse preconceito em seu país, não serem capazes de manter seu domínio no quadro de medalhas, já que não devem ter atletas no mesmo nível de seus rivais. Em Londres-2012, as russas ganharam as duas medalha de ouro em disputa, nas duplas e por equipe.

“Eu provavelmente votaria contra isso [inclusão das duplas mistas]”, disparou Angelika Timanina, campeã olímpica em 2012 e oito vezes campeã mundial com a seleção da Rússia, à Associated Press.

“Nado sincronizado deveria ser um esporte puramente feminino e introduzir as duplas mistas é um erro”, afirmou à agência R-Sport o ministro do esporte russo, Vitaly Mutko.
Essas manifestações fazem eco a outras que envolveram os gays e o esporte russo nos últimos anos.

No Mundial de atletismo de 2013, atletas e dirigentes russos se manifestaram publicamente contra a presença de gays no esporte. O torneio aconteceu em meio à polêmica da aprovação de uma lei contra homossexuais no país. Os Jogos de Inverno de 2014, em Sochi, também foram disputados sob a sombra do preconceito.

A Fina deu um importante passo ao aprovar as duplas mistas. A entidade já havia percebido que utilizar provas com homens e mulheres juntos pode ser uma forma de atrair público e praticantes —os revezamentos mistos da natação têm feito sucesso em seus campeonatos, por exemplo. Quanto mais audiência e mais atletas, melhor. É esse o pensamento dos cartolas da Fina. Que ajuda o esporte a dar um grande passo pela inclusão de todos.

Oleksandra Sabada e Anton Timofeyev devem representar a Ucrânia no Mundial (Foto: Satiro Sodre/SSPress)

 

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Lampard defende gays e diz que futebol não é mais coisa de “machões”

Publicado pelo portal UOL, em 3 de abril de 2015

FrankLampardO veterano Frank Lampard, do Manchester City, saiu em defesa de que homossexuais que estejam no mundo do futebol profissional sejam acolhidos respeitosamente. Em entrevista para um programa do Channel 4, em que bateu um papo com um apresentador gay, ele afirmou que a imagem de jogadores como “machões” não vale mais.

O apresentador Alan Carr foi o anfitrião da ida de Lampard à emissora, e questionou o jogador sobre a aceitação nos vestiários e junto às torcidas.

“Tivemos um par de jogadores gays se declarando. Isso é algo que está aí, em qualquer lugar, o tempo todo na vida das pessoas”, afirmou Lampard.

“Tenho que dizer que o jogo está mudando muito, há uma grande quantidade de campanhas em prol da causa e noto mudanças nos vestiários. Eu gostaria de ver quem se declarar homossexual sendo tratado com respeito por todos”, acrescentou.

“Esta teoria de que somos machões que jogam futebol é algo muito velho.”

Lampard, experiente meio-campista de 36 anos, fez carreira no Chelsea e desde 2014 está no Manchester City. Ele tem no currículo 106 participações na seleção inglesa, com 29 gols.

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“Pode ser que no futuro eu descubra que sou gay”, dispara Anderson Silva

Lutador falou ainda que tem muitos atletas que não assumem a opção sexual*

Publicado pelo jornal Correio, em 10 de dezembro de 2014

andersonsilvaO lutador Anderson Silva deu uma declaração pra lá de polêmica nesta semana. Em entrevista à revista americana ‘Fightland’, o atleta comentou dos rumores sobre sua sexualidade e não hesitou em dizer que luta contra o preconceito.

“Olha, não que eu saiba. Mas eu ainda sou jovem, pode ser que no futuro eu descubra que sou gay. Cuido bem das minhas coisas. Coloco tudo numa mala, uso sabonete, boto um creme após o treinamento. As pessoas pensam que é frescura. Cada um na sua: não significa que você é mais homem ou menos homem, mais ou menos gay”, disse ele.

Ainda à publicação, Anderson afirmou que tem muitos atletas que não assumem que são gays e, por isso, vivem ‘no armário’: “hoje em dia é tão bobo não expressar seus sentimentos. Contanto que você respeite os espaços das pessoas, e respeite os seus limites. Você tem que viver sua vida em paz e ninguém tem nada a ver com isso. Seria importante que os lutadores falem sobre a questão para que diminua o preconceito”.

* Nota do Clipping LGBT: Quando, no campo da sexualidade, referimo-nos à atração que pessoas sentem por outras, devemos adotar a expressão “orientação sexual” e não “opção sexual” visto que, claramente, não se trata de uma escolha.

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Remador olímpico, Robbie Manson sai do armário e faz discurso importante

Publicado pelo site A Capa, em 7 de novembro de 2014

RobbieMansonMais um atleta resolveu comunicar ao mundo que, sim, ele é gay. Trata-se do remador neozelandês Robbie Manson, que participou dos Jogos Olímpicos de Verão 2012.

O esportista saiu do armário em artigo que escreveu para a revista Outsports. “Aprendi muito sobre mim e o que significa ser gay ao longo dos últimos anos e, também, o que significa ser gay em um ambiente esportivo competitivo. E tudo isso foi muito positivo”, declarou ele, que considerava a decisão de anunciar “assustadora”.

Robbie afirma que sabe que outros atletas, inclusive com mais vitórias que ele, já saíram do armário anteriormente, mas que espera que a sua história possa “acrescentar algo” na vida de outros LGBT. “Quero que outras pessoas lutem a favor de sua sexualidade. Não só porque não há problema em ser gay, mas é porque é uma coisa boa. Isso não vai mudar quem você é e nem vai limitar o que você quer conquistar. Ser gay é apenas uma das muitas coisas que nos definem como pessoas”, frisou.

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